Grupo Jalles Machado recebeu R$ 280,8 milhões em incentivos fiscais

Empresa pagou R$ 292,8 milhões em ICMS. “Tínhamos 386 trabalhadores na Jalles Machado. Com os incentivos e aumento da produção, no ano passado eram 2,2 mil empregos diretos na média”, disse Otávio Lage

Foto: Eduardo Pinheiro/Jornal Opção

Por Eduardo Pinheiro e Elisama Ximenes

O presidente da Jalles Machado S.A., Otavio Lage Siqueira Filho, prestou depoimento na tarde desta segunda-feira, 23, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás que investiga a concessão de incentivos fiscais. Durante a oitiva, o empresário do setor sucroalcooleiro afirmou que a competitividade do setor pode ser prejudicada se a legislação for alterada.

O empresário disse que os investimentos realizados foram feitos de acordo com legislação já existente, assim poderia haver tratamento desigual por parte do Estado. “Se houver mudança vai impactar o trabalho realizado. De modo que pedimos aos deputados tratamentos iguais para que não sejamos prejudicados”, disse.

Otávio Lage ainda afirmou que a retirada dos incentivos fiscais pode prejudicar a competitividade do setor com outros Estados, sobretudo com São Paulo. “No caso do álcool anidro, conseguimos repassar os valores para o preços o que nos torna competitivos. Sem eles não conseguimos competir com um Estado com alíquota menor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Sempre praticamos preços menores”, avalia.

O relator da Comissão, deputado Humberto Aidar (MDB), indagou sobre o motivo de o setor não aceitar redução da carga tributária. Salientou ainda que a CPI tem a função de apresentar sugestões e melhorar o mecanismo de concessão dos incentivos. “Não temos a intenção de prejudicar nenhuma empresa nem acabar com os incentivos fiscais. Vamos separar o joio do trigo. Reconhecemos a importância do empresário mas queremos melhorar essa concessão porque é um dinheiro público”, reforçou.

Valores

Segundo ele, nos últimos dez anos (2009 a 2018) o grupo Jalles Machado foi beneficiado com R$ 280,8 milhões em incentivos fiscais, mas pagou R$ 292,8 milhões em ICMS e realizou investimentos que somaram R$ 1,452 bilhão na região de Goianésia (na expansão e modernização da usina e na produção da cana-de-açúcar). “Só de ICMS, pagamos hoje quatro vezes mais, saltando de R$ 12,6 milhões em 2009 para R$ 51,7 milhões no ano passado. Ou seja: os incentivos respondem por cerca da metade de todo o imposto estadual da nossa empresa, mas foram responsáveis pelo expressivo aumento da nossa arrecadação do ICMS”, disse.

Otavinho disse, ainda, que a alíquota média de Goiás sobre o etanol é maior que a média em São Paulo. A alíquota em Goiás do ICMS é de 25%, mas com incentivos cai para R$ 13,8%. O governo paulista cobra 12%. é Com base nesse argumento que ele defende que, sem os benefícios, o preço do produto seria mais caro para o consumidor final.

“Em 1991, primeiro ano que fomos beneficiados pelo Fomentar, tínhamos 386 trabalhadores na Jalles Machado. Com os investimentos e aumento da produção, no ano passado eram 2,2 mil empregos diretos na média, chegando a 2,8 mil no período de safra. Mais do que quintuplicou. A taxa média de crescimento de empregos na nossa empresa é de 8,2% ao ano, acima da média estadual e também do nosso setor”, afirmou Otávio Lage Filho. Ele destacou também que a geração de empregos na Jalles Machado tem sido, em média, o dobro da meta exigida pelos programas de incentivos do Estado.

Renda

Ele também afirma que houve crescimento da renda da população de Goianésia e região junto ao crescimento da empresa. Segundo ele, no ano passado, a empresa pagou uma folha salarial de R$ 175 milhões, acrescida de R$ 26,4 milhões em benefícios aos empregados. Para as empresas prestadoras de serviço, foram mais R$ 200 milhões pagos em 2018.

“É um crescimento de 420% em relação ao montante pago pela nossa empresa em 2009 em salários, benefícios e prestadores de serviço. Isto é aumento do poder de renda para a população de Goiás, especialmente em Goianésia. Não se pode falar em renúncia fiscal de algo que não existia. Só houve investimento, com geração de empregos e arrecadação de ICMS, porque houve o incentivo fiscal”, frisou.

“Em resumo, nos últimos dez anos, a Jalles Machado recebeu R$ 280 milhões em incentivos fiscais, pagou R$ 292 milhões em ICMS, realizou investimentos de quase R$ 1,5 bilhão, gerou mais de 2,5 mil empregos diretos, injetou R$ 2,6 bilhões na economia local e estadual apenas em salários, benefícios e aos prestadores de serviço. Para cada real recebido em incentivo fiscal, arrecadamos outro real. Para cada real que a Jalles Machado recebeu em incentivos, realizou cinco reais em investimentos e retornou outros cinco reais em salários e renda para a população. Está claro, em números, os retornos gerados pela política de incentivar os investimentos da nossa empresa e centenas de outras em Goiás”, finalizou.

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