Grupo denunciado pelo governo do DF por atrapalhar licitações, atua para impedir contratação no Ipasgo

Investigações da Polícia Civil, caso semelhante no DF, denúncias contra hospitais e suspensão de licitação revelam bastidores de uma guerra para manter Ipasgo vulnerável

Sede do Ipasgo | Foto: Reprodução

As investigações de desvios de R$ 500 milhões no Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás (Ipasgo) indicaram a necessidade de mudança do sistema de informação do instituto. Essa é uma forma de coibir fraudes como as investigadas desde 2011, quando iniciaram os supostos atos ilícitos na Operação Morfina, desencadeada pela Polícia Civil do Estado de Goiás.

No entanto a compra da nova plataforma de informação do Ipasgo, que visa evitar a vulnerabilidade das fraudes, foi suspensa liminarmente.

A Haptech, empresa ligada a Hapvida, questionou a concorrência do Ipasgo através de uma impugnação. Coincidentemente uma empresa do mesmo grupo, a Infoway, que tentou também impedir outra licitação, em Brasília. No caso, o Governo do Distrito Federal reagiu e denunciou que haviam interesses por trás do embate contra a licitação.

Já no caso do  Ipasgo há um fato que chama atenção: um dos investigados pela Polícia Civil de Goiás é o médico Sebastião Ferro, que ocupou diretoria no instituto durante as gestões de Marconi Perillo. Ele foi dono do Hospital Jardim América e do América Plano de Saúde, comprados em 2019 pela operadora Hapvida, que agora tenta a impugnação do certame.  Em dezembro de 2019, a Polícia Civil fez busca e apreensão na residência de Ferro durante a Operação Metástase. O médico entrou na mira da polícia por conta do Instituto Goiano de Oncologia e Hematologia (Ingoh), que teria apresentado crescimento substancial após ser credenciado no Instituto de Assistência dos Servidores do Estado de Goiás (Ipasgo).

O advogado Pedro de Paulo Medeiros, que representa Sebastião Ferro, afirma que atualmente nenhum familiar, em qualquer nível de parentesco, é sócio do Hospital Jardim América, Hapvida ou Haptech, e que por isso não tem interesse nesse assunto –  em impugnar a licitação.

Hapvida

Apesar de investigado, o grupo América Planos foi comprado pela operadora de plano de saúde Hapvida, que tem suas ações lançadas na bolsa de valores. De acordo com a Polícia Civil, o grupo goiano foi vendido em junho de 2019 por R$ 376 milhões e despertou um estranhamento: afinal, como uma empresa compraria outra citada diretamente em investigação que apura fraudes?

Originada no Nordeste, a Hapvida é uma empresa de capital aberto listada na Bolsa de Valores. Atua em diversas frentes: hospitais (dentre eles, o Jardim América, localizado em Goiânia ), planos de saúde (Hapvida, América Saúde, PromedGoias ) e tecnologia (Haptech e Infoway, esta última comprada pela Hapvida em abril de 2019 e que se juntou para formar a Maida Health).

O grupo tenta ampliar suas ações no mercado de saúde do Centro-Oeste. Em março deste ano, por exemplo, segundo o site “Metropoles.com”, a Infoway teria interrompido judicialmente um pregão para plano de saúde de servidores do Distrito Federal.
Para implantar a estruturação, operação e apoio à gestão do plano de saúde dos servidores, o Governo do Distrito Federal lançou edital em busca de empresa com competência para realizar tais serviços.

Na ocasião, a Infoway Tecnologia e Gestão em Saúde LTDA alegou na Justiça “suposto ato ilegal imputado ao Pregoeiro da Secretaria de Estado da Economia do Distrito Federal”.
Ibaneis Rocha (MDB), governador do DF, denunciou que existe manobra para bloquear a implementação do serviço no DF: “A máfia que não quer licitações tentando suspender o plano de saúde dos servidores”.

Em Goiás, a Haptech – empresa ligada a Hapvida, assim como a Infoway – foi a única a impetrar solicitação para suspensão do certame do Ipasgo para contratação de nova plataforma de gestão.

No documento impugnatório, a empresa requer saneamento do que chama de irregularidades no certame do Ipasgo, e ameaça buscar órgãos de controle e Poder Judiciário, “tendo em vista robustez e firmeza dos argumentos aqui expostos”.

A reportagem entrou em contato com assessoria da Hapvida para posicionamento da empresa, mas até a publicação da matéria não recebemos a reposta. O espaço segue aberto para posicionamento da empresa.

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