Grupo de empresários se articula para criar nova entidade representativa

Sem apoio estatal, esta serviria para dar voz a um grupo de grandes empresas do País insatisfeitas com a atual representação

Foto: Gláucia Rodrigues / Divulgação

É possível que seja criada uma nova entidade de caráter privado para representar a indústria. A informação, divulgada pelo Valor, afirma que a discussão já acontece nos bastidores entre parlamentares e empresários.

Esta nova entidade teria como intuito dar voz a um grupo de grandes empresas do País, com foco nas mais abertas ao mercado global, já que estariam insatisfeitas com a atual representação. Ainda conforme a publicação, o empresário Jorge Gerdau, ex-presidente do grupo siderúrgico Gerdau, tem sido um dos principais entusiastas.

Debatido há três semanas em Brasília, conforme o site, o jantar de negócios onde ocorreu a discussão teria contado com deputados, senadores, além de Gerdau. Na ocasião, conforme fontes que preferiram não se identificar ao Valor, foi feito um diagnóstico da situação do Brasil, política e economicamente.

Insatisfação

Outra fonte reiterou a insatisfação com a representatividade do setor, no País, além de também ter confirmado o movimento, que classificou como “discreto”, de formação de uma nova entidade.

Esta entidade, pontua-se, deverá atuar como uma interlocutora junto ao governo federal, com propostas e discussões acerca de ideias da indústria. Vale destacar que ela não ocuparia o lugar da Confederação Nacional da Indústria.

Outro incômodo que teria sido destacado no jantar é que as principais entidades atuais são lideradas, em sua maioria, por advogados, políticos, além de industriais sem grande tradição.

Já como avaliação positiva, está o desejo do Ministério da Economia de efetuar cortes nos repasses de recursos ao Sistema S. Isso, porque muitas entidades ligadas a indústria se beneficiam disto.

Crítica

Também foi criticada a entrega da Agenda Legislativa da Indústria 2019, que ocorreu em abril, no Congresso. O extenso documento foi apresentado pela CNI com 123 propostas, com destaque à 14 proposições de “maior urgência”. Nestes, estão incluídas as reformas de Previdência e da Tributária.

Para a fonte, com tantas prioridades, na prática não há nenhuma. Gerdau, que é também presidente do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo (MBC), teria endossado esta crítica no jantar, conforme o Valor apurou.

Nova entidade

Desta forma, a nova entidade funcionaria com uma pauta mais objetiva e em conformidade com os interesses das empresas nacionais. Além disso, deveria ter uma estrutura enxuta e corpo técnico de nível elevado, funcionando como uma associação setorial da indústria.

Esta também não poderia depender de dinheiro do Estado, pois financiamento estatal “não pode dar certo”, informou a fonte. Inclusive, o Instituto Pensar Agro (IPA) seria visto como uma das inspirações da proposta.

O IPA é um grupo privado que traz entidades do campo e serve como braço da bancada ruralista na Câmara e Senado. Apesar a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o grupo atua, também, pelo desenvolvimento agro.

Dirigentes

Em outras reclamações, foram alvos dirigentes de entidades industriais, por conta da prisão, em fevereiro, do presidente da CNI Robson Andrade, em suposto esquema de corrupção com contratos do Ministério do Turismo e Sistema S – ele já foi liberado. E, ainda, a um “excesso de portarias” editadas pelo governo.

Estas portarias, que serviriam para proteger a indústria nacional de concorrência externa, são avaliadas como “insanidade institucionalizada”. Gerdau chegou a ser procurado pela reportagem, mas adiantou que não comentaria os temas discutidos. a CNI também não quis se manifestar.

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