Governo utiliza Censo feito com metodologia experimental para planejar vacinação de indígenas e quilombolas

Centro-Oeste possui a menor quantidade de pessoas residentes em áreas quilombolas (35 mil) e a terceira maior de indígenas (224,2 mil)

Vacinação contra coronavírus de comunidades Kalunga em Goiás | Foto: Hegon Corrêa/Governo de Goiás

Relatório emergencial produzido em 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para dimensionar as populações em áreas indígenas e quilombolas, estima que há cerca de 1.108.970 residentes em localidades indígenas e 1.133.106 residentes em localidades quilombolas no Brasil. Levantamento foi pedido e utilizado pelo Ministério da Saúde para planejar a imunização contra Covid-19 dos respectivos grupos. Centro-Oeste possui a menor quantidade de pessoas residentes em áreas quilombolas (35 mil) e a terceira maior de indígenas (224,2 mil).

Para a produção do documento, foi utilizada uma combinação dos dados do Censo 2010 produzido pelo instituto, com a versão mais atualizada da Base Territorial. Esta calcula o número de domicílios ocupados e levou em consideração as áreas que já foram mapeadas no planejamento do próximo Censo, que deve ser realizado em 2022. Além disso, esse dimensionamento não traz necessariamente o total de população indígena ou quilombola, mas a quantidade de pessoas residindo em localidades indígenas ou quilombolas.

“Muito do que foi divulgado só foi possível graças ao planejamento do próximo Censo, com o mapeamento e a criação de uma base territorial que contempla a autodeclaração das comunidades quilombolas. Isso é inédito”, explica a analista responsável pelo Projeto de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, Marta Antunes.

Com o levantamento, foi possível, inclusive, entender em quais regiões do país estão concentradas a maior parte dessas populações. As áreas quilombolas, por exemplo, em sua maioria ocupam a região Nordeste do país. Já as indígenas são predominantes na região Norte.

O nordeste brasileiro abriga cerca de 698,1 mil pessoas em áreas quilombolas, sendo a Bahia (268,6 mil) e o Maranhão (170,9 mil) os estados com maior concentração. O terceiro estado em número de população é Minas Gerais (130,8 mil), seguido do Pará (129,8 mil). As regiões Sudeste e Norte têm, respectivamente, uma estimativa de 172,0 mil e 154,9 mil pessoas. A região Sul, 73,0 mil, e a Centro-Oeste, 35,0 mil. Os estados do Acre e Roraima, no entanto, não tem essa população dimensionada.

Já a quantidade de pessoas residentes em áreas indígenas são predominantes na região norte (560,4 mil pessoas), estão mais concentrados, principalmente, nos estados do Amazonas (284,5 mil), Mato Grosso (145,3 mil), Pará (105,3 mil) e Roraima (83,8 mil). Juntos, essas unidades federativas contabilizam 55,8% do total de residentes em áreas indígenas. Pernambuco e Mato Grosso do Sul também se destacam quantitativamente, com 80,3 mil e 78,1 mil pessoas, respectivamente. De acordo com o levantamento, as populações habitantes em áreas indígenas dos demais estados não ultrapassam o número de 50 mil pessoas.

No entanto, Marta ressalta o caráter experimental da estimativa emergencial e afirma que “somente com o Censo de 2022 vamos conhecer a população indígena e quilombola”. “O que fizemos até aqui é uma metodologia de estimação muito específica, para um momento específico, com um uso específico. Esses dados não podem ser usados como estimativa populacional para outra finalidade”, alerta.

O gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas do IBGE, Fernando Damasco, afirma que esses dados, ainda que experimentais, foram importantes para que os próprios gestores possam conhecer as concentrações populacionais desses grupos em suas respectivas regiões. “A própria prefeitura, que executa o Plano Nacional de Imunização, muitas vezes desconhece que essas comunidades estão lá”, opina. Marta, no entanto, acredita que os resultados, inclusive, superam a missão de atender uma demanda pontual ao plano de imunização.

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