Governadoriável do Novo aposta em doações de eleitores para financiar campanha que pode custar R$ 6,7 milhões

Edigar Diniz projeta gastar entre 5% e 10%, o histórico médio da sigla, do montante consumido por campanhas eleitorais

Por Giselle Vanessa Carvalho

Nome de um partido que abriu mão de R$ 87,71 milhões a que tem direito no fundo eleitoral, Edigar Diniz, pré-candidato do Novo ao governo de Goiás, aposta em um processo de conscientização do eleitorado para conseguir um volume de recursos que faça dele um nome competitivo na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. Sem adiantar números, o governadoriável projeta gastar entre 5% e 10%, o histórico médio da sigla, do montante consumido por campanhas eleitorais. Considerando o levantamento do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD), com base nas despesas eleitorais de 2018, ele precisaria, portanto, de valores entre R$ 338,5 mil e R$ 677 mil para viabilizar a campanha até outubro deste ano.

“As pessoas precisam compreender que estamos fazendo um alto sacrifício para fazer campanha. Não basta ser contra o fundão, é preciso votar em quem não usa esse fundo absurdo”, diz. A estratégia para se fazer conhecido no Estado e para difundir as propostas do partido entre os goianos sem utilizar parte dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) perpassa investimentos em comunicação digital e em ações de campanha mais “simples”. Mesmo com projetos de baixo custo, na comparação com o gasto médio de R$ 6,77 milhões registrado nas campanhas eleitorais para os governos estaduais em 2018, e apesar das críticas contundentes ao fundo, Edigar entende que o custeio das despesas eleitorais é hoje o maior desafio da campanha que ele pretende encarar após as convenções partidárias.

“Os custos são os maiores desafios. Precisamos fazer nossa mensagem chegar a todos os goianos. Com poucos recursos isso é muito mais difícil. Vamos depender de ter uma mensagem muito poderosa e de que os goianos decidam realmente pela mudança, pelo Novo”, avalia. Para mitigar o revés, Edigar vai recorrer ao crowdfunding, permitido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 15 de maio a 1º de outubro de 2022, e ao apoio de amigos que “que possam contribuir” financeiramente com a disputa. Este ano, pessoas físicas podem doar até 10% dos rendimentos brutos do ano anterior.

A estratégia já apresenta bons resultados em Santa Catarina, onde o pré-candidato a deputado federal Bruno Souza (Novo) conseguiu, até agora, 1.120 doadores que colaboraram com R$ 49 mil. Numericamente, ele tem o melhor desempenho do país quanto ao volume de participantes de iniciativas de financiamento coletivo via internet para as eleições deste ano. Em termos de arrecadação, a liderança está com outro candidato do Novo, o pré-candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Paulo Ganime. A vaquinha virtual do nome fluminense alcançou 296 doações que juntas somam R$ 106 mil.

Dinheiro foi definitivo em 2018
Apesar do bom desempenho dos candidatos do Novo frente aos nomes de outras agremiações, a exemplo do deputado federal Kim Kataguiri (Podemos-SP), que também aposta neste tipo de recurso no processo de busca pela reeleição; os volumes arrecadados fazem pouca diferença quando comparados aos montantes investidos na última eleição. Ainda segundo a pesquisa do IBPAD, que verificou as informações fornecidas pelos próprios candidatos ao TSE, o custo médio para a eleição de um deputado federal no último pleito foi de aproximadamente R$ 1,31 milhão e para estadual, em média, R$ 373,2 mil.

Para o levantamento, o instituto checou as prestações de contas de todos os candidatos eleitos em 2018 para os cargos de governador, senador, deputados federal, estadual e distrital (no caso de Brasília). As conclusões da apuração ainda mostram que os senadores eleitos gastaram o valor médio de R$ 2,12 milhões cada um. Todos esses montantes já foram corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial.

A pesquisa também comprova que dinheiro faz diferença no resultado das urnas. Isso porque, a maioria dos eleitos precisou investir cifras substanciais na campanha eleitoral. Apenas alguns políticos, de acordo com o IBPAD, foram bem-sucedidos gastando pouco. Na comparação entre os gastos efetivados em busca da preferência do eleitorado, o deputado federal Professor Alcides (PL) teve o maior gasto do país, R$ 3,1 milhões. O menor, foi realizado pelo deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ): R$ 12 mil.

Nos parlamentos estaduais, os maiores e menores gastos em 2018 foram, respectivamente, de Maísa Mitidieri (PSD-SE), R$ 1,2 milhão, e Sargento Lima (PL-SC), R$ 1 mil. No Senado, Mara Gabrilli (PSDB-SP), R$ 6,5 milhões, e Styvenson Valentim (Podemos-RN), R$ 43 mil. Os gastos que lideraram as despesas de 2018 foram os de produção de programas de rádio e TV, que consumiram 31,34% do orçamento dos candidatos eleitos para os governos estaduais e 24,84% para o Senado. Entre todos os candidatos, os investimentos em impulsionamento de conteúdos na internet oscilaram entre 2,90% a 1,62% do total da campanha.

Nos governos, cargo que Edigar Diniz almeja, liderou o ranking de gastos em 2018 o ex-presidenciável João Dória (PSDB-SP), R$ 26,8 milhões, e na lanterna esteve Marcos Rocha (UB-RO), R$ 624 mi, montante dentro do gasto médio calculado para a campanha do candidato do Novo ao Governo de Goiás. “Os desafios são enormes, mas acreditamos que o exemplo irá prevalecer. Acreditamos em uma nova forma de fazer política e de apoio”, afirma ao Jornal Opção.

Crítico ao financiamento público de campanha, o partido de Edigar chegou a mover uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), em fevereiro, para tentar barrar este tipo de despesa. Em março, a corte decidiu por manter o fundo de R$ 4,9 bilhões, um valor que é mais do que o dobro do executado nas últimas eleições.

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