A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), em entrevista para o jornal O Globo, nesta quinta-feira, 19, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) errou ao não se pronunciar sobre as manifestações a respeito do resultado das eleições. Segundo ela, uma “fala firme” poderia ter evitado toda a atual situação. “O movimento estava tão extremado que, talvez, a preocupação dele era perder os apoiadores se falasse”, contou.

“É um momento delicado para todo mundo, inclusive para o ex-presidente”, disse a atual gestora do DF, ressaltando que não teve mais contato com a família de Bolsonaro após as eleições. “Talvez ele faça uma reflexão de alguns momentos graves que nós vivemos no Brasil, em que não houve diálogo nem temperança, afetando o momento que estamos vivendo”, completou.

Considerada uma aliada do ex-presidente no passado, inclusive realizando viagens de campanha com a ex-Primeira dama, Michelle Bolsonaro, Leão minimizou o passado eleitoral. “Qual é a importância disso? A minha base eleitoral aqui é a do Bolsonaro, a direita. Isso se chama democracia. O que não é democracia é a invasão dos Poderes”, afirmou a governante.

A respeito do governador afastado, Ibaneis Rocha (MDB), ela acredita que houve “sabotagem”. Ao tempo, ainda considera um erro nomear Anderson Torres (União Brasil) como secretário de Segurança. Ela imaginava que a nomeação causaria problemas para os dois lados, mas não imaginava que poderia acontecer o cenário das invasões. 

Entretanto, ela ainda ressaltou que manterá a lealdade ao político afastado. “A minha lealdade e meu compromisso fizeram com que Ibaneis me escolhesse para a vice-governadoria. Ele sabe quem sou. Assumirei o governo por oito meses, já que ele deve se candidatar a outro cargo (em 2026). A minha sucessão é considerada natural”, explicou Celina. 

Por fim, ainda contou que o governo do DF tentou remover os manifestantes acampados em frente ao quartel-general do Exército. Só que, segundo ela, os próprios militares impediram que fossem retirados de lá pela Polícia Militar (PMDF). O que considerou como um erro de comando entre as forças, algo que o inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) irá apurar.