Gordura trans: chegou a hora de tirá-la da sua alimentação

Especialistas dão dicas e explicam porque a Anvisa estuda modelos para reduzir a presença desse tipo de gordura no dia a dia

Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está estudando modelos para reduzir a presença da gordura trans na alimentação, que relaciona-se fortemente com obesidade, diabetes e aumento do risco de doença cardiovascular.

Maria Luiza Ferreira Stringhini, professora, doutora da área de nutrição clínica da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Goiás (UFG), explica que esse tipo de gordura é muito utilizado pela indústria alimentícia para dar um aspecto crocante aos alimentos, para aumentar a cremosidade de maioneses e margarinas e a textura dos recheios de bombons, bolos e bolachas.

De acordo com a médica Laize Mariane Gonçalves Silva Castro, especialista em Clínica Médica e Gastroenterologia, além dos malefícios já citados, a gordura trans aumenta a concentração  do colesterol LDL (“colesterol ruim”) no sangue, bem como a queda na concentração de HDL (“colesterol bom”).

Mas onde pode ser encontrado esse tipo de gordura? Ela está presente em vários produtos industrializados, como biscoitos, incluindo de maizena e de polvilho, sorvetes cremosos, tortas e sanduíches fast food. Diversos produtos de panificação, como pão francês, folhados, pão de batata e pão de queijo e tudo o que possui gordura vegetal hidrogenada, também entram na lista.

Laize Mariane Gonçalves Silva Castro especialista em Clínica Médica e Gastroenterologia – Foto: Divulgação

Segundo a especialista, para diminuir o consumo de gordura trans deve-se diminuir o consumo de alimentos industrializados, preferindo sempre uma alimentação com produtos naturais. “Podemos incluir o consumo de gorduras insaturadas, por exemplo o Ômega 3 (presente no peixe, castanhas, feijão e grão de bico), que, quando consumido com moderação, ajuda a reduzir os níveis de colesterol e, consequentemente, reduzir o risco de doença cardíaca”, explica.

Segundo Maria Luiza, a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção de Aterosclerose (2017) recomenda, na verdade, a exclusão total desse tipo de gordura da dieta.

Por conta dos malefícios, Laize acredita que mudanças na legislação brasileira, visando a inclusão de maiores informações para os consumidores, são bem vindas. Para ela, seria importante revisar a recomendação do limite máximo permitido, que atualmente é de 1% do valor energético diário total, passando para nenhum consumo desse tipo de gordura.

Além disso, de acordo com ela, a quantidade correta e os malefícios para saúde do consumidor deveria ser incluída nos rótulos dos produtos, de forma objetiva, facilitando o compreensão da população. “Assim, independentemente da quantidade de gordura trans no alimento, ela será sempre notificada, bem como, destaque nos rótulo para a ausência de gordura trans somente quando o produto for isento 100% desta substância”, justifica.

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