Goiás pode registrar mais de 18 mil óbitos em setembro se não reverter índice de isolamento social

Em reunião com governador na manhã desta segunda, especialista apresenta estudo dos índices do Estado e sugere alternância entre lockdown e flexibilzação

Foto: Reprodução

Por Felipe Cardoso e Lívia Barbosa

O governador Ronaldo Caiado (DEM) participa, na manhã desta segunda-feira, 29, de uma reunião por videoconferência com epidemiologistas e prefeitos de todo o Estado. A ideia é discutir novos passos para prevenção e combate ao novo coronavírus.

Quem iniciou a apresentação foi o professor Thiago F. Rangel, da Universidade Federal de Goiás (UFG) que apresentou, durante sua fala, a estimativa de impacto populacional da doença em Goiás. Segundo ele, o isolamento social reduz transmissão da Covid-19 e é uma ferramenta importante para entender a velocidade do avanço da transmissão.

“Inquéritos populacionais mostraram que em 16/05 Goiânia tinha 0,7% de infectados, já em 06/06 temos 2,1% de infectados”, disse o especialista que estimou, em seguida, quantos óbitos teremos caso o Estado continue como está.

“Goiás tem sido o estado com menor isolamento social e estamos começando a sentir os efeitos disso, é um numero de óbitos inaceitável. chegaríamos no final de setembro com 18 mil óbitos, esse numero é absolutamente inaceitável e a primeira mensagem é essa: deixar como está é impossível e imoral”, considerou.

Em outro trecho da apresentação o especialista lembrou que atualmente a capital conta com 300 pessoas em UTIs e 600 pessoas internadas. “Essa demanda deve praticamente duplicar nos próximos 15 dias. Precisaremos do dobro de leitos, assumindo que não conseguiríamos hospitalizar o dobro de pessoas e teríamos um colapso hospitalar entre 8 e 15 de julho”, disse o professor.

Para ele, Goiás precisará de “pulso firme” se quiser, de fato, conter o avanço da doença no Estado. Ele disse que, apesar de amargo, a diferença entre a abertura e o fechamento total de todas as atividades – lockdown – pode representar uma diferença de 13 mil mortes. “É como se o município de São João da Aliança inteiro perdesse a vida”, pontua.

Alternância

Diante desse cenário, o especialista propõe uma alternância de 14 dias de fechamento mais intenso e 14 dias mais aberto ate setembro. A ideia é garantir que os hospitais não colapsem. Alguns municípios não precisariam e outros precisam de mais de 14 dias.

“Um fechamento desse tipo é mais eficiente em termos de óbitos e economia pois fica 50% do tempo fechado e salva 61,5% das pessoas que poderiam ser salvas, ou seja 8.360 pessoas. Temos que sair da dicotomia economia e salvar vidas. o isolamento visa evitar que uma pessoa infectada não encontre uma pessoa saudável. Outros países fizeram um isolamento cirúrgico ou rastreamento de contato, não funciona sem o aumento do isolamento pois o numero seria muito alto mas no modelo de alternância seria interessante”, concluiu.

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