Goiás pode alcançar 5ª melhor malha rodoviária do país, projeta Goinfra
14 janeiro 2026 às 19h40

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O presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Pedro Sales, apresentou nesta quarta-feira, 14, na Casa da Indústria, em Goiânia, o balanço das obras executadas em 2025 e o planejamento da agência para 2026. O evento reuniu o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, lideranças empresariais e representantes do setor produtivo.
Durante a apresentação, Pedro Sales destacou que Goiás saltou da 19ª para a 8ª posição no ranking da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre qualidade das rodovias estaduais e projeta um novo avanço.

“Saímos da 19ª posição para a 8ª melhor malha rodoviária do país. Se repetirmos um investimento da ordem de R$ 3,5 bilhões, podemos chegar a 2026 como a quinta melhor malha pública do Brasil. Isso é um avanço civilizatório que Goiás não pode perder”, afirmou.
Segundo ele, em 2025 a Goinfra atuou em 1.955 quilômetros de rodovias, entre duplicações, restaurações e melhorias, além de manter cerca de 100 contratos ativos, com investimentos que chegaram a R$ 4 bilhões.
“Esse volume é inédito. Historicamente a Goinfra mal chegava a R$ 2 bilhões por ano. No ano passado atingimos R$ 4 bilhões e agora vamos orbitar em torno de R$ 3,5 bilhões”, disse.
Infraestrutura estratégica e obras em Anápolis
Entre os destaques, Pedro Sales citou a conclusão do anel viário do Daia, em Anápolis, e anunciou estudos para ampliar o sistema com uma segunda saída.
“Conseguimos concluir o anel viário do Daia e agora estamos discutindo uma extensão para que ele tenha duas saídas, evitando que todo o trânsito fique concentrado em um único ponto”, explicou.
Ele também ressaltou um investimento de cerca de R$ 38 milhões para resolver passivos ambientais no Aeroporto de Cargas de Anápolis, condição necessária para que o terminal volte a receber recursos.
“Depois dessa obra, o aeroporto estará apto a receber investimentos novamente, seja da Infraero, do governo federal ou do Estado. Isso é estratégico para o futuro de Anápolis”, afirmou.
Integração regional e novos corredores
A Goinfra também concluiu obras consideradas estruturantes, como a reconstrução da GO-184, que liga Goiás ao Mato Grosso do Sul, e a pavimentação que garantiu acesso asfaltado a Bonópolis, último município goiano sem ligação pavimentada.
“Reconstruímos um dos principais corredores fronteiriços do estado e eliminamos o último município goiano que não tinha acesso por asfalto. Hoje, os 246 municípios têm ligação pavimentada”, destacou Sales.

Contornos viários e novas licitações
Para 2026, a agência vai lançar um novo programa de contornos viários para retirar o tráfego pesado do interior das cidades que passaram a receber grande fluxo após a abertura de novas rodovias.
“As novas pavimentações integraram o estado, mas levaram carretas para dentro de cidades pequenas. Vamos construir 30 contornos viários para devolver qualidade de vida à população”, disse.
A Goinfra pretende contratar 1.029 quilômetros de novas obras em 2026, incluindo restaurações, duplicações e implantações, com foco especial no Nordeste Goiano e nos grandes eixos logísticos do estado.
Entre os projetos estratégicos estão:
- A ligação Goiânia–Goianira em pavimento de concreto
- A duplicação do eixo Catalão–Ipameri–Pires do Rio–Cristianópolis–Bela Vista, conectando o Sudeste à capital
- O eixo Caldas Novas–Goiânia, fortalecendo o principal corredor turístico de Goiás
“Na próxima década, Goiás terá três grandes eixos de duplicação: Catalão–Goiânia, Goiânia–São Miguel do Araguaia e Caldas Novas–Goiânia. Isso vai transformar a logística, o turismo e o desenvolvimento regional”, afirmou.
Manutenção e investimentos recordes
Pedro Sales também anunciou um grande pacote de manutenção da malha estadual, com contratos que somam R$ 4 bilhões para 30 meses, além de R$ 300 milhões em microrrevestimento.
“Hoje um prefeito liga informando um buraco na rodovia e, em até 48 horas, uma equipe está no local. Isso mudou a percepção da população sobre a conservação das estradas”, destacou.
No total, o orçamento previsto da Goinfra para 2026 chega a R$ 6 bilhões, distribuídos entre obras, manutenção, contornos viários, pontes, aeroportos e programas municipais.
“Estamos em oitavo lugar no ranking nacional e namorando a quinta posição. Esse é o desafio de Goiás para os próximos anos”, concluiu Pedro Sales.
Obras aeroportuária
Pedro Sales afirmou que o governo de Goiás mantém um amplo pacote de investimentos para modernizar a infraestrutura aeroportuária do Estado, com obras já em andamento e novos contratos em fase de execução. As ações incluem construção de terminais, reforma de pistas e ampliação da capacidade operacional de aeródromos regionais, com frentes de obra nos municípios de Palmeiras, Porangatu e Catalão, além de intervenções no aeroporto de Itumbiara viabilizadas por emenda parlamentar.
Segundo o secretário, o programa busca garantir mais segurança operacional, fortalecer a integração regional e impulsionar o desenvolvimento econômico, especialmente em um estado com forte presença do agronegócio e da indústria. Ele destacou que a execução será feita de forma escalonada, conforme a liberação dos contratos, e que novos anúncios serão feitos à medida que os projetos avancem e apresentem resultados.
André Rocha destaca infraestrutura como fator-chave de competitividade para Goiás
O presidente da FIEG, André Rocha, afirmou que os investimentos em infraestrutura são decisivos para manter a competitividade das empresas goianas diante da reforma tributária e da redução dos incentivos fiscais. Segundo ele, a logística é estratégica para reduzir custos, já que o Estado está distante dos grandes mercados e dos portos. “Nós estamos distantes dos maiores mercados consumidores, como São Paulo, e dos portos brasileiros. Por isso, precisamos de uma malha viária de melhor qualidade para reduzir custos e aumentar a competitividade das empresas instaladas em Goiás”, disse.

Rocha avaliou de forma positiva a prestação de contas da Goinfra, destacando que a transparência traz segurança aos investidores. “É importante ver com transparência o que foi realizado no ano passado, o nível de investimentos e quais são as obras de restauração, conservação, construção e duplicação previstas para 2026. Isso dá mais segurança e tranquilidade aos investidores.” Ele também ressaltou a importância dos aeródromos e do balizamento noturno como fator de competitividade e reconheceu que, apesar de atrasos judiciais, a expectativa é de mais agilidade em 2026. “Houve problemas judiciais que atrasaram projetos, mas a expectativa é que em 2026 haja mais agilidade nas licitações…”, afirmou, defendendo que o Estado siga executando obras mesmo diante de disputas. “O importante é que as obras aconteçam.”
Calcário impulsiona agro e fortalece parceria com a Goinfra
Nilo Bernardino Gomes, do Sincal, destacou que a parceria entre o setor de calcário e a Goinfra tem sido essencial para garantir o escoamento da produção. “Foi uma parceria muito feliz, porque nós fizemos uma junção de interesses… a Goinfra executou as obras, garantindo o escoamento do calcário no Estado”, afirmou, ressaltando que a atual gestão fortaleceu esse modelo. “O presidente Pedro Sales, pela juventude e criatividade, impulsionou muito essas parcerias.”

Ele lembrou que Goiás é o segundo maior produtor de calcário do Brasil e tem consumo similar ao de Mato Grosso, devido ao alto nível tecnológico do agro. “Mesmo sendo cerca de um terço do tamanho de Mato Grosso, Goiás consome quase a mesma quantidade de calcário.” Para Nilo, o insumo foi decisivo para viabilizar o Cerrado. “O calcário foi a salvação de Goiás, já que cerca de 95% do nosso território é Cerrado.” Segundo ele, a infraestrutura logística recente tem sustentado o crescimento do agronegócio. “Ela favorece muito, facilita bastante o desenvolvimento do setor.”
Construtoras elogiam nova relação com o governo de Goiás
O presidente da Câmara da Indústria da Construção da Fieg, Sarkis Nabi Curi, afirmou que a relação entre governo e construtoras vive um novo momento, com mais credibilidade e segurança. “Empreiteiro não é sinônimo de corrupção. Somos empresas de engenharia que executam as obras do Estado no preço definido pelo próprio governo e aprovado pelo Tribunal de Contas”, disse. Ele destacou que hoje há sinergia entre o setor privado e o poder público. “Nós entramos com capital, trabalho, inteligência e expertise, e o governo entra com a necessidade social da obra.”

Sarkis ressaltou que o cumprimento dos contratos e a garantia prévia de recursos mudaram o ambiente de negócios. “Hoje o empenho é verdadeiro. Só se licita quando o dinheiro está reservado para aquela obra”, afirmou, citando também o respeito à ordem cronológica de pagamentos. “Isso hoje é cumprido e traz previsibilidade para o setor.” Apesar dos desafios operacionais da Goinfra, ele avaliou que a prestação de contas e o planejamento dão segurança às empresas. “Isso gera credibilidade, fé e vontade de continuar investindo e trabalhando pelo desenvolvimento de Goiás.”
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