Goiás e São Paulo definem reabertura de hidrovia após navegação ter sido suspensa em 2014

Com a crise de abastecimento de água no território paulista, estados pararam de utilizar o transporte hidroviário para escoamento da produção há 20 meses

Em reunião na capital paulista, secretários de Goiás e São Paulo acertaram reabertura da hidrovia Paranaíba-Paraná-Tietê | Foto: Secima

Em reunião na capital paulista, secretários de Goiás e São Paulo acertaram reabertura da hidrovia Paranaíba-Paraná-Tietê | Foto: Secima

A reabertura da hidrovia Paranaíba-Paraná-Tietê acontecerá neste sábado (23/1). Os governos de Goiás e São Paulo definiram na quinta-feira (21) voltar a utilizar a hidrovia após 20 meses de suspensão da navegação.

Os 2,4 mil quilômetros de extensão deixaram de ser utilizados em maio de 2014 em decorrência da crise hídrica em São Paulo. Importante para o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste, a hidrovia será reaberta após reunião realizada na capital paulista com o secretário estadual de Energia e Mineração paulista, João Carlos Meirelles, e o secretário goiano de Meio Ambiente e Infraestrutura (Secima), Vilmar Rocha.

“É uma excelente notícia para Goiás e para a região Centro-Oeste. Uma grande vitória depois de uma luta nossa e do governador Marconi Perillo (PSDB) para que a hidrovia fosse reaberta”, declarou Vilmar Rocha.

De acordo com o secretário goiano, Marconi e ele “entraram de cabeça nessa questão” no início de 2015. Vilmar e o governador participaram de “uma série” de audiências com o governo paulista e a União para que a navegação na hidrovia fosse autorizada.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo, prometeu em agosto de 2015 que reabriria a hidrovia Paranaíba-Paraná-Tietê. A promessa foi feita durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio.

Alckmin afirmou no ano passado que a volta da navegação dependia de investimento para a retirara de pedras do fundo do rio Tietê, na região de Buritama (SP).

A manutenção da hidrovia é de responsabilidade do Departamento Hidroviário de São Paulo (rio Tietê), da Administração das Hidrovias do Paraná (AHRANA) – órgão de economia mista federal vinculada ao Ministério dos Transportes – e da Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP).

Em Goiás

A hidrovia Paranaíbe-Paraná-Tietê tem um porto instalado em São Simão, na região Sudoeste de Goiás. De acordo com o governo goiano, a estrutura é importante para escoar grãos, entre eles milho, soja e subprodutos. O local chega a receber até 8 milhões de toneladas por ano que são transportadas pela hidrovia.

“Esse transporte é mais econômico, o que deixa nossa produção com preços mais competitivos, favorecendo a economia do Estado”, explicou Vilmar. De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Infraestrutura, o uso da hidrovia evita o uso transporte rodoviário, já que o hidroviário tem capacidade por barca equivalente a cerca de 180 caminhões.

Situada nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, a hidrovia tem 2,4 mil quilômetros de extensão e recebe o transporte de cargas e passageiros. Fechada desde maio de 2014, a interrupção do uso da Paranaíba-Paraná-Tietê tem gerado prejuízos no escoamento de grãos produzidos em Goiás e Mato Grosso, segundo o governo goiano.

De acordo com o Sindicato dos Armadores da Navegação Fluvial de São Paulo, o prejuízo pela suspensão da hidrovia foi de pelo menos R$ 685 milhões, com a demissão de 1,4 mil trabalhadores.

O governo paulista alega que o fechamento da hidrovia foi necessário pela “forte seca” no Sudeste brasileiro e a necessidade dar maior vazão para as usinas hidrelétricas.

A hidrovia possui 12 portos ao longo dos 76 milhões de hectares de área. A utilização da Paranaíba-Paraná-Tietê impulsionou a criação de 23 pólos industriais, 17 turísticos e 12 de distribuição, além de criar aproximadamente 4 mil empregos.

Em 2010, os dados oficiais apontam que a movimentação foi de 3,7 milhões de toneladas. No ano seguinte, cerca 5,8 milhões de toneladas foram transportados na hidrovia.

Etanol

Na reunião de quinta-feira, Vilmar Rocha e João Carlos Meirelles conversaram sobre a instalação de um alcoolduto de Uberaba (MG) até Itumbiara (GO). De acordo com governo de Goiás, a dutovia seria a terceira etapa do Sistema de Escoamento Dutoviário de Álcool e Derivados (Seda), que já opera entre Paulínia (SP) e Ribeirão Preto (SP) nos 208 quilômetros de extensão do primeiro trecho. A capacidade de transporte da primeira etapa do Seda é de 12 milhões de metros cúbicos (m³) de etanol por ano.

A segunda etapa do alcoolduto tem 143 quilômetros de extensão e liga Ribeirão Preto a Uberaba (MG). A intenção do governo de Goiás é continuar a construção dos dutos até Itumbiara. (Com informações do Gabinete de Imprensa)

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