Goiás deve ter mais 30 grupos reflexivos para autores de violência doméstica ainda em 2018

Encontros semanais em várias cidades do Estado têm como objetivo diminuir a reincidência de casos em que mulheres são agredidas por homens dentro de casa

Desde 2015, grupos de no máximo 20 pessoas reúnem-se em várias cidades de Goiás para falar sobre violência doméstica. Ali, a conversa é da perspectiva dos autores, que são encaminhados por juízes. Esses são os chamados grupos reflexivos que, amparados pela discussão em torno da Lei Maria da Penha, mudam o cenário no Estado de Goiás, espelhados em ações que ocorrem em todo o país.

O projeto, que é uma parceria do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) com a Secretaria Cidadã, a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e o Conselho da Comunidade na Execução Penal de Aparecida de Goiânia, começou em Goiânia e hoje conta com mais de sete grupos no total, realizados no CAP (Central de Alternativa à Prisão) e no CREI (Centro de Referência Estadual da Igualdade). Além da capital, o projeto se expandiu para cidades como Anápolis, Ipameri Aparecida de Goiânia e Águas Lindas.

Na última segunda-feira (4/6), foram finalizados dois ciclos realizados no Centro de Referência Estadual da Igualdade (Crei), unidade da Secretaria Cidadã, em Goiânia. As próximas edições estão previstas para início em agosto.

A expectativa, agora, é que até o fim do ano, o programa se estenda a mais 30 comarcas cuja incidência de crimes contra mulheres seja alta, conforme destaca o coordenador geral do projeto, o advogado José Geraldo Veloso Magalhães. Ele frisa que a questão da violência é cultural e, ao ser debatida, há a conscientização. “Nosso índice de reincidência é próximo a zero”, comenta sobre o sucesso do projeto.

Com uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, assistentes sociais e advogados, os encontros semanais consistem em debates com abordagens sobre origem da violência, relação entre pais e filhos, relação entre homens e mulheres, masculinidades, Lei Maria da Penha e álcool e drogas. A participação dos homens é compulsória e determinada por decisão judicial, ainda em medida protetiva. A frequência é monitorada e semanal.

No evento de finalização das duas turmas participaram o juiz do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar da comarca de Goiânia, Carlos Damascena; a promotora do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Rubian Correia; a superintendente da Mulher e Igualdade Racial Onaide Santillo, a vereadora Cristina Lopes; o presidente do Conselho da Comunidade na Execução Penal de Aparecida de Goiânia, Marcelo Borges; entre outras autoridades.

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