Goiânia vai perder mais da metade de leitos de UTI pediátrica

De acordo com dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás, 29 leitos na área de pediatria de 51 serão afetados

Os hospitais privados de alta complexidade credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) vão reduzir a oferta de leitos de UTI já nas próximas semanas em Goiânia. A medida, considerada inevitável pela Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), foi aprovada e afetará 29 leitos na área de pediatria. Como são 51 atualmente, a medida irá diminuir pela metade a oferta de leitos de UTI pediátrica.

Segundo a associação, a dívida da complementação de diárias de UTI do setor público com os hospitais associados credenciados pelo SUS já ultrapassa 5 milhões de reais. Apenas com o Hospital da Criança, o débito chega a quase 2 milhões de reais.

O valor original da diária de UTI previsto na tabela do SUS para leitos qualificados é de 880 reais. Mas, os hospitais de alta complexidade, ao invés desta quantia, estão recebendo o valor básico, que soma apenas R$ 478,71.

Para piorar a situação, a portaria assinada em 2014 pelo Governo Estadual e que previa a complementação da tabela do SUS pelo Estado até alcançar cerca de 1,1 mil reais de diária, não está sendo cumprida, de acordo com a associação. A Secretaria Estadual de Saúde afirma que vem repassando o complemento das diárias às prefeituras para que efetuem os pagamentos, mas o dinheiro não tem chegado aos hospitais.

Procurada pela reportagem, a SMS não respondeu aos questionamentos do Jornal Opção.

Crise

A redução dos leitos de UTI poderá agravar a crise que afeta a saúde na capital. O presidente da Ahpaceg, Haikal Helou, explica que “o motivo desta redução está na inviabilidade econômica da manutenção do atendimento em função dos constantes atrasos nos pagamentos da complementação das diárias devidas aos hospitais credenciados”.

Na opinião de Haikal Helou, a falta de recursos alegada pela Secretaria Municipal de Saúde para tentar justificar a crise, atrasos e cortes nos pagamentos dos serviços, é um problema bem menor do que a falta de gestão. “A solução deste problema exige diálogo e confiança entre a SMS e os hospitais, que não tem havido. A Ahpaceg espera a abertura deste canal de negociação para que a crise seja solucionada e a população não tenha mais prejudicada”. afirmou.

Exames e cirgurgias

O anúncio sobre os leitos de UTI acontece pouco depois da publicação da portaria que suspendeu o repasse de complemento ao Sistema Único de Saúde (SUS) de exames para pacientes da rede pública que eram feitos em clínicas particulares, além de procedimentos e cirurgias eletivas.

Com a decisão da prefeitura de Goiânia, através da SMS, prestadores deixarão de realizar os procedimentos tanto cirúrgicos quanto exames de imagem e procedimentos laboratoriais.

Em nota, a prefeitura disse que hospitais públicos e filantrópicos vão dar conta de atender toda a demanda, o que foi desmentido pela presidente Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), Pabline Marçal.

“A afirmação não procede. Em alguns casos os exames e procedimentos que foram atingidos pelo corte da complementação não são feitos pela rede própria da SMS de Goiânia  e mesmo os hospitais filantrópicos estão discutindo se continuam ou não a prestar o serviço, pois já não conseguem arcar com as despesas desses procedimentos”, disse.

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