Goiânia tem 581 profissionais de saúde com Covid-19

Sindsaúde cobra mais transparência e cuidados, enquanto prefeitura afirma que testes e cuidados estão sendo tomados

Fabiana Azevedo, servidora da Saúde | Foto:Redes sociais

De acordo com informe epidemiológico divulgado nessa semana pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Goiás já soma 581 profissionais da saúde infectados pela Covid-19, dos quais seis vieram à óbito. Esse grupo que está na linha de frente do enfrentamento à pandemia representam 23,4% dos infectados na capital.

A última vítima foi uma enfermeira de 53 anos. A Secretária Municipal de Saúde não revelou o nome da enfermeira. Antes dela foi Fabiana Azevedo, de 40 anos, que atuava na Unidade de Saúde da Família Guanabara 1, no setor Guanabara.

Com o agravamento do cenário de contaminações, o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sindsaúde) reivindica maior participação, comunicação com a prefeitura e estado, além de maior transparência nas ações ligadas à proteção daqueles que enfrentam diariamente o vírus.

“Já fizemos a solicitação para que pudéssemos participar do Comitê de Operação Emergenciais (COE), que faz essa análise de como serão os procedimentos, os protocolos adotados, e houve uma resistência muito grande tanto da prefeitura municipal de Goiânia quanto da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) da participação do sindicato”, desabafou Luzinéia Vieira, vice-presidente do Sindsaúde.

“Nas oportunidades em que conseguimos dialogar foi em movimentos ou atos que fizemos no Hugo, na comemoração do Dia da Enfermagem. Infelizmente não tem havido um canal de comunicação mais facilitado para que a gente possa levar os problemas enfrentados pelos trabalhadores nas unidades de saúde”, criticou.

De acordo com ela, o sindicato tem recebido reclamações de trabalhadores que denunciam o não cumprimento nas unidades dos protocolos conforme foram criados. “Seja a presença de um trabalhador infectado e que muitas vezes não foi afastado ou que demora a ser afastado, ou que retorna para o trabalho sem que ele tenha um atestado de que realmente está apto para o trabalho e que não pode oferecer nenhum risco os outros trabalhadores. Tem havido inúmeras dificuldades que poderiam ser facilmente resolvidas se nós tivéssemos um canal de comunicação e tivéssemos mais transparência nas decisões que são tomadas pelas duas secretarias, municipal e estadual”, cobrou.


Segundo o sindicato, as testagens dos profissionais não tem ocorrido com a frequência necessária para assegurar a segurança da população e dos colegas de trabalho. “São absolutamente aleatórias, muitas das testagens que foram feitas em algumas unidades de saúde foram feitas por pressão do sindicato. No caso do Hugo, tivemos que fazer denúncia, entrar com ação no Ministério Público e só depois eles começaram a testar os trabalhadores”, falou.

“Tivemos relatos de profissionais infectados, alguns já afastados e até hoje não realizaram a testagem dos trabalhadores que tiveram contato. Diariamente temos que lidar com situações como essa. Para piorar um pouco, nesse momento com maior número de casos, tem tido reclamações do CRBC, que trabalha ja com doenças infeto-contagiosas, de que estão entregando menos EPIs do que os preconizados pela Organização Mundial de Saúde. São atitudes isoladas, mas que comprometem a proteção dos trabalhadores de modo geral”, contou Luzineia.


“A gente fica muito preocupado, porque eles atendem a comunidade. Recentemente tivemos a notícia de que a enfermeira que havia sido infectada trabalhou durante todo o dia na sala de vacinas e média de pessoas vacinadas durante o dia é cerca de 150 pessoas, incluindo crianças, gestantes. Então você imagine que essa pessoa possa ter transmitido para outras tantas em função de não ter sido afastada e testada a tempo. Nossa preocupação é exatamente essa, não apenas os trabalhadores”, pontuou.

O lado da prefeitura

Ao Jornal Opção, a Secretaria Municipal de Saúde reconheceu a importância da testagem frequente dos profissionais de saúde. “A exposição dos profissionais de saúde é constante e rotineira. Estamos tendo o cuidado de afastar do serviço assim que algum profissional apresenta sintomas respiratórios. Além disso, este é submetido a testagem pelo RT- PCR. Esse sim é o exame que indica a infecção do servidor. O teste rápido indica apenas que o servidor se contaminou, não informa se o trabalhador está contaminado”, disse a assessoria.


“Alguns servidores apresentam sintomas de forma limitada. Sintomas que desaparecem tão rápido que a pessoa nem lembra ou nem imagina que estava contaminada (oligossintomáticos).Fazemos os inquéritos como forma de verificar o nível de exposição dos nossos trabalhadores. Algo como um alerta para revisarmos nossas estratégias de proteção aos trabalhadores também”, informou a SMS.

De acordo com a pasta, os testes são feitos para profissionais de saúde e das forças de segurança que estão com mais de 8 dias de sintomas. “Preferencialmente mais de 10 dias de sintomas. Que não tenham realizado o exame RT-PCR (considerado o padrão ouro diagnóstico da COVID-19) .Isso é a rotina. Porém praticamente nenhum profissional de saúde fica mais de 8 dias de sintomas sem ter feito RT-PCR. O que temos feito, com autorização da COE Estadual: inquéritos nos profissionais de saúde. Já fizemos 2 inquéritos”, contou ao Jornal Opção.

“Testamos 1000 profissionais das urgências e SAMU de Goiânia. E testamos outros 1000 profissionais da atenção primária de Goiânia. Foi feito sorteio para isso. Agora já estamos fazendo outro inquérito. E serão testados cerca de 1500 profissionais das urgências e SAMU de Goiânia e outros 1000 profissionais da atenção Primária (Centros de Saúde e Centros de Saúde da Família). A Secretária Estadual tem feito o mesmo para os servidores dos Hospitais estaduais”, explica.

Sobre as medidas tomadas pela pasta para a preconização de casos entre trabalhadores da saúde, a secretaria informou que “todos os trabalhadores da saúde da atenção primária foram capacitados sobre o COVID-19, com temas relacionados sobre formas de transmissão, sinais e sintomas, medidas para evitar contágio na unidade, uso correto de EPIs ( paramentação e desparamentação) e manejo clínico do COVID-19 na AP entre outros temas. O apoio psicológico também é feito pelos grupos de psicólogos lotados na Sms visando diminuir os problemas psicológicos advindos do trabalho estressante, que é de salvar vidas e aliviar o sofrimento das pessoas.”

“O melhor exame continua sendo o RT-PCR através de Swab da nasofaringe (cotonete no nariz para coleta de secreção). E esse tem sido oferecido para todos os sintomáticos. Inclusive se o profissional de saúde der positivo pelo teste rápido, fazemos o RT-PCR também. Se der positivo quer dizer que ele está doente. Se der negativo quer dizer que ele já teve a doença e não está doente mais. Praticamente todos assintomáticos positivos pelo teste rápido dão resultados negativos pelo exame RT-PCR. Confirmando que a chance de um assintomático transmitir é mínima”, ressaltou a SMS.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.