Completando um ano de ação, a Operação Cidade Segura já removeu 203 toneladas de cabeamentos e fios soltos, irregulares ou sem uso em Goiânia. Segundo a Agência de Regulação da capital (AR), os trabalhos já alcançaram 125 quilômetros de perímetro em diferentes regiões da capital, principalmente em vias de grande movimentação, como as avenidas T-63, Mangalô, 24 de Outubro e 85, além das avenidas Bernardo Sayão, Marechal Rondon e Senador Jaime.

Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da AR, Hudson Novais, afirma 38 empresas participaram das ações, em um universo estimado de cerca de 120 companhias que atuam na capital. Além disso, ele destaca que 4.621 postes, em um perímetro de aproximadamente 125 quilômetros, foram regularizados. “O trabalho tem sido feito nas principais vias e nos principais locais que realmente têm risco à vida. A nossa preocupação é manter a segurança do cidadão e também das vias.”

Atualmente, segundo o presidente, os trabalhos estão concentrados na região central de Goiânia, especialmente no espaço conhecido como “manto de Nossa Senhora”, que abrange as avenidas Araguaia, Tocantins, Goiás e Paranaíba até chegar à Praça Cívica. “Terminamos a Rua 3, entramos na Rua 4 e vamos trabalhar nas ruas 1 e 2. Também já fizemos as avenidas Tocantins e Araguaia praticamente todas.”

Trabalhos realizados na região central de Goiânia | Foto: Joabe Mendonça

Novo aplicativo

Hudson Novais explica ainda que, a partir de 2027, os trabalhos vão ganhar uma nova configuração com o auxílio da tecnologia. Isso porque um aplicativo será lançado e permitirá que moradores comuniquem a existência de fios caídos ou em situação irregular. A medida, segundo o presidente da AR, fará com que os trabalhos sejam descentralizados e cheguem a bairros mais distantes da cidade.

“A ideia é exatamente essa: descentralizar, não ficar só nas vias principais onde existe grande fluxo de pessoas e veículos. Queremos atender todo cidadão de Goiânia. Existem alguns lugares onde realmente ainda não fomos porque a cidade é gigantesca e não temos equipe suficiente para isso. Todo cidadão vai poder baixar o aplicativo e mandar o endereço de onde tem um fio caído, seja na sua rua ou em algum lugar por onde esteja passando. Isso vai para um sistema e chegará às operadoras que atuam naquele local”, destaca.

Hudson explica que a principal proposta prevê um sistema de rodízio entre as operadoras cadastradas. “Se naquele local tem dez operadoras, alguma vai se habilitar e fazer o serviço. Depois, ela entra no fim da fila e, na próxima chamada daquela região, entra uma nova operadora. Assim, todo mundo trabalha de forma igualitária e não fica pesado para nenhuma empresa”, destaca.

Multas

Hudson relembrou que o objetivo, desde o início, era criar uma parceria com as empresas de telecomunicações, mas que foi necessária a aplicação de multas para que a regularização avançasse. Até o momento, segundo ele, mais de 320 multas já foram aplicadas. “Depois que o prefeito aumentou as multas, as empresas passaram a atuar mais, tornaram-se mais parceiras. Onde tem algum fio caído de uma empresa que não é participante do sistema, ela leva multa”, afirma.

Outro ponto destacado pelo presidente durante a entrevista é a necessidade de uma legislação mais detalhada, que estabeleça as responsabilidades das empresas de telecomunicações, da Equatorial e dos demais envolvidos na utilização dos postes. Esse material deve ser obtido com a conclusão dos trabalhos da Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, instalada na Câmara Municipal de Goiânia.

“Com a CEI dos Fios Soltos, vamos ter uma nova legislação mais completa, que realmente vai mostrar a obrigação de cada participante, de cada empresa e da Equatorial. Vamos ter uma nova lei que vai nos amparar melhor e dar melhores condições de trabalho.”

Hudson também avaliou a articulação com os municípios vizinhos. Segundo ele, outras gestões goianas e até mesmo de outros estados têm buscado a Prefeitura de Goiânia para trocar informações e encontrar formas semelhantes de enfrentamento do problema.

“A maior parte das prefeituras, principalmente as do entorno, tem nos procurado e feito parceria para que a gente possa ter um trabalho de forma equivalente e que dê resultado em toda a Região Metropolitana. É uma troca de informações a todo instante. Também já existem outras cidades mais afastadas buscando esse trabalho. Algumas capitais do Brasil já vieram a Goiânia verificar o modelo e buscar parceria na procura por novas soluções. Temos avançado com o programa em nível nacional.”

Ele lembra ainda que a população pode solicitar o serviço pelo telefone da Ouvidoria da Agência de Regulação, no número (62) 3416-2653, com o envio de foto, vídeo e endereço para atendimento. O trabalho é realizado de forma integrada entre a Prefeitura de Goiânia, as empresas de telecomunicações, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) e a Equatorial Energia. Após a retirada, os materiais são encaminhados à Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), responsável pela destinação ambientalmente adequada.

Mais de 200 toneladas de fios irregulares já foram retiradas da fiação área da cidade | Foto: Joabe Mendonça

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