Goiânia recolhe 75 mil linhas telefônicas e destina fios para reciclagem
21 julho 2026 às 14h00

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A Prefeitura de Goiânia deu início, nesta terça-feira, 21, ao recolhimento de 75 mil linhas telefônicas retiradas de postes da capital, totalizando toneladas de cabos que serão encaminhados para reciclagem por meio de uma parceria com a Cooper Rama Cooperativa de Reciclagem. A ação, coordenada pela Agência de Regulação de Goiânia (AR), integra o Programa Cidade Segura e tem como objetivo a reorganização da infraestrutura urbana da cidade.
De acordo com o presidente da Agência de Regulação de Goiânia, Hudson Rodrigues de Novais, o material atualmente armazenado na Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) será doado à cooperativa, que fará a separação dos fios para reciclagem. “É uma insinuação para criar um novo instrumento para que a própria empresa seja obrigada a fazer o seu pavimento, porque para ela é ótimo, e para o município muito mais barato”, afirmou Novais em entrevista ao Jornal Opção.
Veja vídeo:
Questionado sobre a possibilidade de instalação de fiação subterrânea em toda a cidade, o presidente da AR pontuou os desafios financeiros dessa iniciativa. “O fio de eletricidade subterrâneo é R$ 7 milhões por quilômetro. Alguém faz isso aqui, o valor vai para a tarifa nacional. Você acha que alguém de outra cidade quer pagar para nós termos benefício? Ninguém vai topar, isso não existe”, explicou.
Novais destacou ainda que existe uma legislação que impede o repasse desses custos para a tarifa de energia elétrica, o que inviabiliza a expansão do sistema subterrâneo para além de áreas específicas como a Rua do Lazer e a Avenida Goiás. “Tem lei que proíbe. Por que a Equatorial nem se preocupa quando alguém fala isso? Ela sabe que não vai acontecer. Porque tem legislação proibindo”, completou o gestor.
Desde o início das operações do Programa Cidade Segura, em outubro de 2025, já foram regularizados 4.396 postes na capital goiana. Nesse período, as equipes retiraram 110,7 toneladas de cabos e materiais sem utilização, conforme balanço do trabalho integrado entre Prefeitura, empresas de telecomunicações, Ministério Público de Goiás (MP-GO) e Equatorial.
A Cooper Rama, que atua desde 2008 na área de reciclagem, será a responsável pelo processamento do material recolhido. Em entrevista ao Jornal Opção, a presidente Dulce Helena do Vale explicou o destino dos fios descartados. “O pessoal compra da gente e leva pra indústria. Aí vai fazer outro fio, fio risco e reverso, para reutilização. É utilizar como fio mesmo. Os plásticos vão para fazer outra embalagem de plástico”, detalhou.
A cooperativa, que atualmente conta com 21 cooperados, faz a separação dos materiais entre partes metálicas e plásticas, encaminhando-os para empresas intermediárias que darão continuidade ao processo produtivo. Com a nova parceria, a expectativa é de um impacto significativo na renda dos trabalhadores. “Eu creio que vai dar uma média de uns 60% da renda que eles já têm”, estimou Dulce. Parte dos recursos obtidos com a reciclagem será reinvestida na própria cooperativa para aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e melhorias estruturais.
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