“Goiânia não pode se autodestruir em nome do mercado imobiliário”

Em entrevista, presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Goiás, Garibaldi Rizzo, repercutiu denúncia criminal contra responsáveis pelo controverso Nexus

Garibaldi Rizzo | Facebook

Integrante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO) e presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Goiás (Sarq-GO), Garibaldi Rizzo repercutiu, em entrevista ao Jornal Opção nesta quarta-feira (20/9), a denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) contra os responsáveis pelo controverso empreendimento Nexus Shopping & Business, localizado no entroncamento das avenidas D e 85.

À reportagem, o profissional diz ver com bons olhos a responsabilização na esfera criminal pela apresentação do estudo e relatório ambientais parcialmente falsos e que permitiram o licenciamento do empreendimento. “Prova que o Ministério Público, ao menos, ainda está atento à questão. Essa decisão já devia ter sido acertada há muito tempo. Não temos nada contra o empreendedorismo de seus proprietários, mas sim contra a construção erguida em um local totalmente equivocado”, explicou.

Ainda sim, Garibaldi lamentou, em consonância ao entendimento do CAU-GO, o acordo recentemente firmado na esfera cível entre o MP, a Prefeitura de Goiânia e a Consciente JFG, garantindo a continuidade das obras do Nexus.

“Já estava chateado com este acordo, e, pessoalmente, já havia perdido a esperança quanto a esta questão no Ministério Público. Espero que a denúncia criminal, ao menos, possa servir de exemplo para que outros empreendedores passem a ter compromisso com a sociedade e não apenas com próprio bolso”, asseverou.

Sobre a construção do Nexus, o presidente do Sarq-GO apenas reforçou o que vem sido discutido desde o ano de 2015 pelo Jornal Opção quanto ao impacto da construção em uma região que já sofre com os efeitos urbanísticos provocados pela exploração imobiliária.

“Não há medida mitigadora que dê conta do impacto que o Nexus causará na região, não apenas na vizinhança, mas principalmente quanto ao trânsito. Goiânia não pode se autodestruir em nome do mercado imobiliário”, sentenciou.

A denúncia

O promotor Juliano de Barros Araújo, da 15ª Promotoria de Justiça de Goiânia, protocolou nesta semana denúncia criminal em desfavor do controverso empreendimento Nexus Shopping & Business, de propriedade da Consciente Construtora e da JFG Construções.

Foram denunciados por apresentar no licenciamento estudo total ou parcialmente falso a Construtora Milão, Mário Rassi, Sueli Rassi e Paulo de Tarso, cuja pena, se condenados, é de 3 a 6 anos de detenção e multa; e, de forma culposa, a Consciente JFG Incorporações e Participações e Ilézio Ferreira, com pena de reclusão de 1 a 3 anos mais multa.

Debatido de forma ampla pelo Jornal Opção, o processo é referente ao inquérito da delegada-adjunta da Delegacia Estadual de Meio Ambiente Lara Menezes, que indiciou por crime de falsificação os responsáveis pelo Estudo de Impacto de Vizinhança e pelo próprio Nexus.

O promotor já havia adiantado à reportagem no início do mês que analisaria o processo encaminhado pela delegada e, caso constatasse a falsificação, ofereceria a denúncia na esfera criminal.

Em julho deste ano, a perícia grafotécnica da Polícia Científica do Estado de Goiás constatou que houve sim falsificação nas assinaturas contidas no Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) do empreendimento. Segundo o relatório, realizado por peritos e que analisou todas as 278 fichas de entrevistas que teriam sido feitas com moradores da região, há pelo menos 37 comprovadamente assinadas por uma única pessoa.

Deixe um comentário

wpDiscuz