Goiânia completa 85 anos em meio à desordem ambiental e urbana

Apesar da tentativa da gestão atual em recuperar o meio ambiente, estrutura da cidade não tem suportado a poluição e ação dos próprios moradores

Um dos leitos que deságuam no córrego Cascavel em Goiânia é vítima de poluição constante | Foto: Nathan Sampaio

Goiânia já conseguiu conquistar o posto de segunda cidade mais arborizada do mundo, e a primeira no Brasil, mas apesar da importância deste fato para o meio ambiente a nível mundial, a capital, que completa 85 anos nesta quarta-feira (24/10), ainda tem enfrentado graves problemas ambientais e urbanísticos que a faz ficar atrás de muitas metrópoles. Projetos e ações têm sido propostos pela legislatura e gestão municipais, mas o caminho é longo e o desenvolver das atividades tem sido lento.

Exemplo dos problemas atuais na capital são as denúncias de poluição constantes nos maiores afluentes que abastecem a região metropolitana, o Meia Ponte e o João Leite, e os outros mais de 80 leitos presentes no seu território. Além disso, Goiânia também enfrenta problemas quanto sua urbanização, que vê como solução o projeto do Plano Diretor, que não sai do papel há anos. A revisão do texto, inclusive, ainda não foi entregue pela prefeitura.

Sobre os leitos, só nos últimos anos, que incluem a gestão do prefeito Iris Rezende (MDB), a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) já informou que 23 nascentes que compõem a bacia do Ribeirão João Leite não podem mais ser recuperadas. Ao todo, o ribeirão possui 491 nascentes espalhadas pelo Estado, sendo que 70 estão integralmente preservadas.

Já o Rio Meia Ponte, que atravessa 37 municípios, sofre mais quando corta Goiânia. A degradação causada por indústrias e moradores polui o afluente o deixando comprometido e sem condições de abrigar vida.

Por causa da poluição no Rio Meia Ponte já foi criada, pela Câmara Municipal, até mesmo uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), a CEI do Mau Cheiro, que apurou a responsabilidade de empresas na poluição do leito. Além disso, frequentemente, a imprensa mostra que cidadãos descartam lixo no rio, o que configura crime ambiental.

O problema da capital, porém, vai além da poluição nos córregos e rios, o que já é grave. Mas a própria urbanização e infraestrutura de Goiânia são frequentemente comprometidas pela falta de planejamento e cuidado dos moradores.

Marginal Botafogo alaga após forte chuva em março de 2018 | Foto: Reprodução

Contratempos como enchentes pela região, incluindo uma das principais vias, a Marginal Botafogo, que atualmente passa por obras devido à destruição parcial causada pelo último período de chuvas; a poluição visual e construções irregulares espalhadas pela cidade aguardam, como solução, o projeto de revisão do plano diretor e processo de planejamento do município, que ainda não foi enviado à Câmara Municipal.

Para o projeto, porém, a promessa é de que seja votado agora, em novembro, de acordo com o vereador Tiãozinho Porto (PROS), líder do prefeito na Câmara. Segundo ele, os vereadores vão trabalhar para que o texto seja debatido.

Revertendo o quadro

Apesar, de todos os problemas citados e que fazem a desordem do meio ambiente na capital de Goiás. A Agência Municipal do Meio Ambiente de Goiânia (AMMA), a pedido do Jornal Opção, pontuou todos os programas que têm sido realizados em prol da natureza na cidade.

Um deles, o “Licença Ambiental Fácil”, por exemplo, é  um programa de Certificação em Sustentabilidade Ambiental, lançado neste ano, cujo objetivo é estimular a prática de ações socioambientais sustentáveis, envolvendo nessas ações a implantação de projetos de conservação, recuperação e promoção da qualidade do ambiente no Município de Goiânia.

Segundo o presidente da AMMA, Gilberto Martins Marques Neto, os empreendimentos que tiverem seus projetos aprovados receberão o Selo de Sustentabilidade Ambiental. “Além disso, ainda terão direito a figurar no Cadastro dos Empreendimentos com Certificação em Sustentabilidade Ambiental, que será publicado anualmente pela Agência Municipal de Meio Ambiente no Diário Oficial do Município”, explicou, lembrando que o programa está prestes a ser iniciado na agência.

Amigo Verde

De acordo com o órgão da prefeitura, o Programa Amigo Verde ainda será lançado neste mês de Outubro. Trata-se de uma ação para estabelecer parcerias entre o Poder Público Municipal e entidades sociais, empresas privadas ou pessoas físicas, no sentido de que esses parceiros fiquem responsáveis pela implantação, reforma, manutenção ou melhoria urbana, paisagística e ambiental dos parques naturais urbanos, por meio da adoção voluntária destes.

Recuperação de Nascentes

A AMMA também afirmou continuar realizando uma série de ações neste período da chegada das chuvas, por meio da Diretoria de Parques e Unidades de Conservação, voltadas à recuperação de nascentes. Nesse trabalho, a agência explicou que é realizado limpeza dos locais, plantio de árvores indicadas para áreas de nascentes. Nessas ações, a Gerência de Educação Ambiental envolve estudantes das escolas no setor atendido no trabalho de plantio.

Apesar de todos os programas municipais citados, ainda há a sensação de que há muito pelo que fazer. A responsabilidade, no entanto, não é apenas dos poderes executivo e legislativo, mas, principalmente dos mais de dois milhões de moradores que frequentam a capital. Seria, no mínimo plausível, que, antes de completar um século, Goiânia pudesse ser um exemplo de cidade quando se trata de natureza, meio ambiente e planejamento. Ainda há tempo.

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