Goianas lançam primeira cooperativa de arquitetura exclusivamente feminina do Brasil
19 março 2026 às 11h16

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Um grupo de 12 arquitetas goianas oficializa, neste sábado, 21, a criação da Barunea, considerada a primeira cooperativa de arquitetura de Goiás e a primeira do Brasil formada exclusivamente por mulheres. A iniciativa surge com a proposta de transformar a atuação no setor da construção civil, apostando em um modelo coletivo que reúne diferentes especialidades para ampliar a qualidade técnica e a diversidade dos projetos.
A Barunea se posiciona como uma estrutura capaz de atuar em múltiplas frentes, incluindo projetos corporativos, comerciais, arquitetura de interiores, urbanismo, consultoria técnica e regularização. Com isso, o grupo busca oferecer soluções integradas, algo ainda pouco comum em um mercado historicamente marcado por atuações individuais ou de pequenos escritórios.
Em entrevista ao Jornal Opção, a presidente da cooperativa, Júlia de Moraes, destacou que o modelo cooperativista é o principal diferencial do projeto. Segundo ela, a proposta permite superar limitações técnicas comuns no setor ao reunir profissionais com diferentes experiências. “A gente consegue reunir uma diversidade de profissionais com uma bagagem técnica diversa, para juntas conseguirmos atuar em diversos setores com uma qualidade alta. A gente já nasce como um escritório de médio-grande porte, comparado à realidade do mercado de arquitetura da região.”
Além disso, a estrutura da cooperativa segue princípios formais de governança, com divisão entre conselho de administração e conselho fiscal. Ainda assim, no dia a dia dos projetos, não há hierarquia fixa. Júlia explica que a coordenação das demandas ocorre de forma rotativa, conforme a especialidade de cada profissional.
“O bacana do cooperativismo é isso. Eu posso ser a coordenadora de algum projeto e chamar outras cooperadas para atuarem juntamente comigo, em outros momentos outra cooperada pode ser a gestora de um projeto e eu atuar apoiando ela no meu conhecimento técnico”, exemplifica Júlia.
Outro ponto destacado é o impacto positivo que a iniciativa já começa a gerar. De acordo com a presidente, a receptividade do público tem sido positiva, tanto pelo formato inovador quanto pelo protagonismo feminino. “Não é um formato tradicional na construção civil, é um formato inédito aqui no Centro-Oeste, tanto pelo fato de sermos esse coletivo de mulheres.”
Nesse contexto, a Barunea nasce com um propósito de valorização das mulheres no mercado. Júlia reforça que, apesar de representarem grande parte da força de trabalho, as profissionais ainda enfrentam desafios relacionados a reconhecimento e remuneração.
“Na construção civil ainda é uma realidade, as mulheres são a maior parte da força de trabalho, mas não são os destaques na força de trabalho em reconhecimento, em gratificação salarial.”
Além da atuação profissional, a cooperativa também pretende investir em capacitação contínua. Isso porque o modelo cooperativista prevê a criação de um fundo específico para educação e desenvolvimento técnico. “Nós temos uma reserva obrigatória que todas as cooperativas devem fazer para o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES).”
A proposta, inclusive, vai além do próprio grupo. A intenção é contribuir para o desenvolvimento do setor como um todo, promovendo qualificação também para outros profissionais da construção civil.
Ao mesmo tempo, a experiência coletiva tem fortalecido vínculos entre as integrantes, algo que, segundo Júlia, ainda é raro na área. “Trazer as pessoas para perto e ver que todo mundo compartilha das mesmas dores e das mesmas dificuldades e ver todo mundo se apoiando e se ajudando é realmente encantador.”
A cooperativa já projeta os próximos passos. Em abril, será estruturado o processo de entrada de novas integrantes, com abertura prevista para maio. “Mas elas podem entrar em contato com a gente pelas nossas redes sociais, nossos contatos oficiais, que nós vamos conversar com todas elas para tirar todas as dúvidas e apresentar nosso modelo de negócio.”
O nome Barunea, por sua vez, faz referência ao baru, fruto típico do Cerrado, simbolizando identidade regional e raízes culturais. Inicialmente com foco em Goiás, a cooperativa pretende consolidar sua atuação no estado e, gradualmente, expandir suas atividades para outras regiões do país.
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