Goiana combate desinformação e preconceito à respeito do vitiligo nas redes sociais

Lesões provocadas pela doença, não raro, impactam significativamente na qualidade de vida e na autoestima

Mirna Pereira Ribeiro, de 35 anos, convive há mais de 20 anos com o vitiligo

Apesar de não ser contagioso e não oferecer prejuízos à saúde física, o vitiligo ainda é visto com preconceito e medo por algumas pessoas. As causas da doença ainda não estão claramente estabelecidas, mas fenômenos autoimunes parecem estar associados ao vitiligo. Além disso, alterações ou traumas emocionais podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença.

Caracterizada pela perda da coloração da pele, as lesões formam-se devido à diminuição ou à ausência de melanócitos (células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados.

A doença é caracterizada por lesões cutâneas de hipopigmentação, ou seja, perda de coloração que formam manchas brancas de tamanho variável na pele. O vitiligo possui diversas opções terapêuticas, que variam conforme o quadro clínico de cada paciente, cabendo ao dermatologista a realização do diagnóstico e tratamento da doença.

Mais de duas décadas com o vitiligo

A Mirna Pereira Ribeiro, de 35 anos, é formada em Enfermagem e convive com o vitiligo desde a infância. Segundo relata, a doença que causa uma descoloração característica na pele tem fundo emocional e, no seu caso, mistura-se à sua própria história de vida.

“Eu sou fruto de um estupro a uma moça de 16 anos, minha mãe biológica, então eu carrego uma bagagem pesada. Após dar a luz em um hospital de Jataí, ela me entregou na unidade alguns dias depois do parto. Acabei sendo adotada por um anestesista e sua esposa, que ficaram sensibilizados com a situação”, conta Mirna, ao ressaltar que foi criada com muito amor.

Os primeiros sinais do vitiligo começaram a aparecer cedo, aos nove anos de idade. E desde essa época Mirna passou a conviver com o preconceito relacionado à doença e também com problemas de aceitação. “Vivi 24 anos sem me aceitar. Agora, com 35 anos iniciei essa jornada de autoaceitação e empoderamento”, declara.

Virando o jogo

“Na minha adolescência me sentia inferior, enfrentei muitos problemas. A fé foi essencial neste processo de aceitar a doença e conviver com o vitiligo de forma mais serena. Tenho ansiedade, faço acompanhamento e tomo medicação. Essa experiência de falar sobre a condição me ajuda e também auxilia outras pessoas que também sofrem com o problema”, afirma Mirna.

Hoje, ela usa as redes sociais como uma ferramenta para informas, desmistificar e engajar mais pessoas na sua causa. “Trabalho a questão da aceitação. Não apenas para quem tem vitiligo, mas de uma forma abrangente. Precisamos amar nosso corpo, minha missão é que mais pessoas consigam trilhar esse caminho”, diz em tom firme e decidido.

E não para por aí, além de participar de lives, ensaios e produzir conteúdo com foco em se tornar uma influencer do bem e da aceitação, Mirna quer ir mais longe. Ela pretende ingressar em uma agência de modelos para buscar espaço para pessoas com vitiligo na publicidade goiana.

“Sei que estou fora dos padrões, mas é preciso aparecer. Quero informar, trocar experiências e ajudar cada vez mais pessoas para que elas não sofram uma vida toda por conta da doença, como eu sofri até pouco tempo. Deixei de olhar minha condição como um fardo e entendi que essa era a minha missão”, encerra a enfermeira.

Sintomas emocionais que os pacientes podem desenvolver em decorrência da doença preocupam os médicos

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a maioria dos pacientes não manifesta qualquer sintoma além do surgimento de manchas brancas na pele. Em alguns casos, relatam sentir sensibilidade e dor na área afetada. Entretanto, uma grande preocupação dos dermatologistas são os sintomas emocionais que os pacientes podem desenvolver em decorrência da doença.

Há ciclos de perda de cor e épocas em que a doença se desenvolve. Depois, há períodos de estagnação. Estes ciclos ocorrem durante toda a vida; a duração dos ciclos e as áreas despigmentadas tendem a se tornar maiores com o tempo.

Análises sanguíneas deverão incluir um estudo imunológico que poderá revelar a presença de outras doenças autoimunes como hepatite autoimune e doença de Addison ou doenças da tireoide. O histórico familiar também é considerado, pois cerca de 30% dos pacientes têm algum parente com a doença.

Tratamentos

Atualmente, existem resultados excelentes no tratamento da doença. O tratamento visa cessar o aumento das lesões e também a repigmentação da pele. A fototerapia e tecnologias como o laser, bem como técnicas cirúrgicas ou de transplante de melanócitos, podem apresentar bons resultados.

Segundo especialistas, é preciso ter cuidado com medicamentos ditos milagrosos e receitas dadas por leigos, pois podem levar à frustração e também a reações adversas graves. Por isso, a indicação de tratamento individualizado conforme as características de cada paciente.

Prevenção de novas lesões

Pacientes devem evitar fatores que possam precipitar o aparecimento de novas lesões ou acentuar as já existentes, como usar roupas apertadas, ou que provoquem atrito ou pressão sobre a pele, e diminuir a exposição solar. Controlar o estresse é outra medida bem-vinda.

As lesões provocadas pela doença, não raro, impactam significativamente na qualidade de vida e na autoestima. Por isso, na maioria casos, recomenda-se o acompanhamento psicológico, que pode ter efeitos bastante positivos nos resultados do tratamento. 

A data 25 de junho foi escolhida para a celebração do Dia Mundial do Vitiligo, criada para conscientizar e minimizar o preconceito sobre a doença que afeta 1% da população mundial e 0,5% da brasileira.

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