Ministro do Supremo Tribunal Federal causou polêmica ao atacar procurador-geral da República e defender revogação de acordo de delação premiada com donos do Grupo J&F

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes causou polêmica nesta segunda-feira (7/8) ao dizer que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é o “mais desqualificado que já passou pela história da Procuradoria”. “Porque ele não tem condições, na verdade não tem preparo jurídico nem emocional para dirigir algum órgão dessa importância”, disparou ele.

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Para Gilmar, o Plenário do STF deve inclusive rever acordo de delação premiada firmado por Janot com os irmãos Joesley e Wesley Batista, do Grupo J&F. “Tenho absoluta certeza de que o será, como agora a Polícia Federal acaba de pedir a reavaliação do caso do Sérgio Machado [ex-presidente da Transpetro], que é um desses casos escandalosos do acordo”, disse.

Após as declarações, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) afirmou que Gilmar Mendes teve atitude “deplorável” e se esqueceu de sua posição como ministro para tomar posições políticas e ignorou o respeito que deve existir entre instituições, atacando pessoalmente o chefe do Ministério Público Federal (MPF).

Outra polêmica

Esta não foi, aliás, a única polêmica envolvendo Gilmar neste início de semana. Ele também foi criticado por, mais uma vez, se encontrar com o presidente Michel Temer (PMDB) sem que a reunião constasse na agenda de Temer. Na dele, apesar de registrado o encontro, não havia informações sobre o assunto tratado.

Em resposta, Gilmar disse que o presidente não precisa colocar ninguém na agenda, porque “recebe várias pessoas” e disse que a polêmica era “uma bobagem”. Segundo ele, os dois e o ministro da Secretaria-Geral Moreira Franco (PMDB-RJ), que também estava presente, trataram da reforma política.