Gestão Iris promove retaliação a médicos credenciados após impasse

A pedido do Paço, Conselho Regional de Medicina instaurou inquérito para apurar possíveis faltas a plantões, no início deste ano, em meio a polêmica sobre novo contrato 

Médicos credenciados à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) têm recebido nos últimos dias cartas do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) em que é informada a abertura de sindicância para apurar a conduta de profissionais que tenham faltado plantões na rede de municipal entre os dias 23 de março e 10 de abril deste ano.

O pedido de investigação partiu da própria prefeitura após controvérsia envolvendo a rescisão de quase 500 contratos médicos. Em solicitação encaminhada ao Cremego no dia 15 de maio, a gestão requer a responsabilização dos servidores credenciados, mesmo após entendimento de que o Paço havia demitido estes profissionais.

A polêmica teve início no dia 23 de março, quando a gestão Iris Rezende (PMDB) publicou no Diário Oficial do Município ordem para “demissão em massa”, adiantando um novo tipo de acordo contratual, o qual foi rejeitado pelos médicos.

Apesar da secretaria garantir que a publicação não rescindia qualquer contrato, profissionais se mobilizaram na tentativa de negociação com a gestão, o que fez com que o atendimento em diversas unidades de saúde da capital ficasse comprometido.

A confusão só teve fim no dia 28 daquele mês após reunião entre a secretária Fátima Mrué e o sindicato da categoria. No encontro, foi confirmado que os contratos anteriores continuariam a valer até o fim do prazo para a adesão ao novo edital.

Mesmo assim, os profissionais apresentaram resistência alegando que o contrato apresentava danos à categoria. Entre os pontos considerados prejudiciais pelos médicos no novo contrato, estavam o estabelecimento de multas em caso de faltas, a redução de salário em termos reais e a impossibilidade de escolha do local de trabalho.

Sindicância

No documento encaminhado aos médicos recentemente, o Conselho Regional de Medicina de Goiás diz que o profissional notificado deve se manifestar por escrito acerca dos fatos contidos em sindicância no prazo de 15 dias. Salienta que a resposta não constitui “defesa prévia”, que somente ocorrerá caso venha a ser instaurado processo ético-profissional.

Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação do Cremego informou que a entidade não comenta sindicâncias que estão em andamento ou que ainda não foram finalizadas.

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