“Minha candidatura foi usada para lavagem de dinheiro do partido”, afirma candidata do PSL

Zuleide Oliveira acusa ministro do Turismo de tê-la chamado para ser laranja e desviar dinheiro

Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo, e Zuleide Oliveira | Foto: Reprodução

Zuleide Oliveira, integrante do PSL de Minas Gerais, registrou uma denúncia junto ao Tribunal Regional Eleitoral, na qual afirma que Marcelo Álvaro Antônio, atual ministro do Turismo, convidou-a pessoalmente para ser uma candidata laranja na eleição 2018. A candidata foi inscrita para participar da disputa a deputado estadual, sob o comprometimento de devolver ao partido, parte do dinheiro público do fundo eleitoral.

No documento, ela afirma não ter nenhuma experiência política, além de não possuir recursos financeiros para custear uma campanha. Segundo a própria candidata, ela entraria no partido apenas para completar a cota de mulheres na chapa, e receberia, para tanto, um fundo especial ou um fundo partidário. Zuleide termina sua declaração pedindo sigilo por temer represália. A denúncia foi feita no dia 19 de setembro e recebeu apenas uma resposta protocolar da Justiça Eleitoral.

É a primeira vez que o nome do ministro aparece envolvido no esquema de desvio de dinheiro público por meio de candidaturas laranja do PSL, caso revelado em fevereiro, que derrubou Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência. Zuleide declarou à Folha que se encontrou com Álvaro Antônio no dia 11 de setembro, em seu escritório parlamentar, na cidade de Belo Horizonte. Ela disse estar acompanhada do marido e de um amigo, e na ocasião, assinou um requerimento de solicitação de verba que seria enviado a Bebianno. “Ele (ministro), disse pra mim assim: ‘Então a gente vai fazer o seguinte: você assina essa documentação, que essa documentação é pra vir o fundo partidário pra você. (…) E eu repasso a você R$ 60 mil, e você tem que repassar pra gente R$ 45 mil’”, afirmou a candidata.

Segundo a Folha, Zuleide trocou e-mails e mensagens de áudio com cinco dirigentes do PSL de Minas Gerais. Em uma das mensagens o assessor parlamentar do ministro, Rodrigo Brito, promete a ela uma vaga na Funai ou na Secretaria de Saúde da região. Após a tramitação, o pedido de candidatura de Zuleide foi indeferido em virtude de uma condenação transitada em julgado de 2016. “Eles já sabiam que não ia dar em nada (a candidatura, por ser ficha suja). (…) Eles sabiam de tudo isso. Ele quis falar pra mim que não ia dar em nada (a condenação não seria problema) pra mim poder preencher a chapa”, concluiu Zuleide.

Até o momento, a candidata não apresentou a prestação de contas à Justiça, e alega nunca ter ido ao banco checar os extratos. Zuleide afirma, ainda, ter recebido 25 mil santinhos ao lado de Álvaro Antônio, o partido, no entanto, não declarou nenhum gasto à Justiça com a candidata.

Álvaro Antônio posicionou-se sobre o caso por meio de nota, ele afirma que não se lembra de encontros específicos com Zuleide, e nega ter ofertado valores do fundo ou pedido de devolução a ela. “As despesas do partido foram devidamente declaradas à Justiça Eleitoral na prestação de contas, declarou o ministro.” Além disso, segundo ele, “o partido respeitou a impugnação declarada pela Justiça Eleitoral da sra. Zuleide”.

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Caio Maior

Candidatos e partidos “moralistas” seduzem parcela significativa do eleitorado, mas depois das eleições tomamos conhecimento de que a propalada virtude do partido do “cidadão de bem” era fake: o que se diz “novo” padece das mesmas mazelas dos demais. Agora, é observar o comportamento dos cidadãos. O pior é que as crises autoprovocadas já minaram grande parte do capital político do governo. Só falta prejudicar as reformas indispensáveis e urgentes por causa de uma adição de redes sociais patológica.