Fraude na eleição do C. A. de Direito da PUC Goiás deflagra guerra entre alunos

Urnas foram violadas e durante a contagem de votos foram constatadas 208 cédulas a mais do que havia na lista de assinatura dos alunos

Os alunos do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás) se depararam com uma fraude nas eleições do Centro Acadêmico, na última terça-feira (2/6). No momento da contagem de votos, os integrantes da Comissão Eleitoral contaram 1.783 cédulas — mas foram apenas 1.556 votantes. Com uma diferença de 227 — documento previa que discrepância não poderia passar de 2% –, a comissão eleitoral impugnou as urnas fraudadas e anulou a eleição.

Depois de abaixo-assinado pedindo proibição de faxineiras da universidade de usarem os elevadores e briga com alunos de Direito da Universidade Federal de Goiás por cadeira — supostamente do tempo do Império –, esta é a terceira polêmica que envolve os alunos do curso da PUC. Várias opiniões cercam o fato, mas nenhuma com um culpado ao certo.

Eram quatro chapas com integrantes da antiga gestão distribuídos entre elas. Conforme alunos, houve um rompimento interno do antigo grupo. Antes da votação, foram analisados pedidos de impugnação durante 8 horas, e só em seguida iniciou-se a contagem de votos. A fraude só foi identificada no início da manhã desta quarta-feira (3).

Conforme explicou o representante da chapa 1 na comissão eleitoral, Thiago Napumuceno, na sala em que os votos foram contados, estavam presentes os integrantes da Comissão Eleitoral e o coordenador de Assuntos Estudantis, Valterci Vieira. Primeiro contaram as assinaturas, depois contaram as cédulas apenas para ver a quantidade, sem observar os votos. Em seguida, a eleição foi anulada.

Foram assinadas por todos os integrantes da Comissão Eleitoral, na noite de segunda-feira (1º/6), 5 mil cédulas, que ficaram em uma mochila sob a responsabilidade do presidente Lucas de Paiva. As cédulas a mais na urna estavam todas validadas. O Jornal Opção Online tentou contato com o presidente Lucas de Paiva, mas as ligações não foram atendidas.

Nas duas urnas ficaram quatro mesários durante toda a votação — um representando cada chapa. O presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Michel Magul, disse que estão tentando analisar com muito cuidado quem poderia ter fraudado a urna, para não se precipitarem. “Pessoas de diferentes chapas ficavam junto com a urna, vigiando uns aos outros. Isso complica achar um culpado.”

Depois que a fraude foi identificada, conforme Thiago Napumuceno, os votos nem foram contabilizados. “Uma integrante da comissão chegou a comentar que viu uma grande sequência de votos da chapa 2, mas nada confirmado”, disse.

Thiago disse ainda que houve muita troca de mesário “Tinha gente que saía de dois em dois minutos”, explicou.

Acusações contra chapa 2

Integrantes de chapas que não quiseram se identificar disseram que a Comissão Eleitoral privilegiou, durante todo o pleito, a chapa 2.

A estudante de Direito Isabel Lira garantiu que a chapa 4, a qual faz parte, sofreu punições por várias questões irrisórias. Isabel não citou chapas, tendo dito apenas que “a comissão estava atendendo uma chapa específica e tomou posições arbitrárias durante todo o processo”.

Representante da chapa 1, Thiago Nepomuceno, não quis comentar as acusações. “Não vou colocar em dúvida a imparcialidade dos meus colegas da comissão eleitoral”, disse, pontuando que “há algumas rixas entre integrantes de chapas que podem ter influenciado o resultado.” “Mas eu não posso comprovar”, concluiu.

Questionado sobre questão, Michel Magul explicou que há grande desgaste durante a votação, e que esse é um momento de analisar fatos. “Não quero falar sobre isso”, pontuou. Sobre alguns comentários de que teria apoiado a chapa 1, Magul negou: “Tenho amigos na chapa 1, 2 e 4. Além do mais, como presidente de uma entidade, não posso tomar partido de ninguém.”

Acusações contra chapa 1

Por outro lado, integrantes da chapa 2 dizem que a chapa 1 foi a privilegiada. Um dos coordenadores da chapa 2, João Carlos Tomás dos Santos disse que todos os pedidos de impugnação apresentados pela chapa a qual faz parte foram indeferidos. “Passaram a mão na cabeça da chapa 1.”

João comentou o caso de um integrante da chapa 1 que chamou um outro da 2 de “bolsista”. O fato foi visto como injúria pelo aluno, mas a comissão eleitoral não impugnou a candidatura chapa — como foi pedido pelo grupo da chapa 2. “Além disso, a chapa 1 era apoiada pelo DCE. Eles eram os privilegiados.”

A chapa 2 enviou ao Jornal Opção Online uma nota comentando o caso. Entre algumas outras questões, o grupo afirmou: “O candidato da chapa 1, o qual não citaremos o nome, se dirigiu ao nosso coordenador de forma ridícula e repugnante, afirmando que o mesmo, por ser bolsista, deveria trabalhar para pagar a faculdade.”

O vice-presidente do DCE, Gustavo Mundim, que fez campanha para a chapa 2 no dia das eleições, comentou o ocorrido: “É grotesco. Foi feito em tom preconceituoso e deveria ter sido impugnada a candidatura da chapa. Inclusive, se a comissão tivesse a nosso favor, teria aceitado.”

Presença incômoda de representante do DCE

Além disso, Gustavo Mundim, saiu da comissão eleitoral um dia antes das eleições. Presença do representante foi questionada por Thiago Nepomuceno, que ao Jornal Opção Online explicou ter pedido saída de Mundim após constatar parcialidade ao apoiar a chapa 2.

O vice-presidente do DCE, por sua vez, garante que durante o período dentro da comissão não apoiou chapa alguma. “A partir do momento que eu sai do cargo, que renunciei a cadeira, eu poderia apoiar quem quisesse. O que eu fiz”, disse aluno, que apoiou chapa 2.

Quanto à acusação sobre a comissão eleitoral ter privilegiado a chapa 2, o vice-presidente do DCE disse que ouviu muitas acusações do gênero na universidade. De acordo com ele, fato deveria ser apurado, já que questiona a imparcialidade da comissão eleitoral.

A reportagem tentou contato com Thaís Moraes, integrante da chapa 3, mas as ligações não foram atendidas.

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