Fórum Goiânia 2020 prevê protagonismo popular como agente transformador da política

7ª edição do evento contou com especialistas e figuras de governo para debater ideias para melhorar a gestão pública em Goiânia

Forum 2020-goiania

Deputado estadual Lucas Calil (PSL), conselheira do TCU-TO, Doris Coutinho, cientista político Alberto Almeida e a ex-secretária de Cultura do Estado de Goiás, Maria Abadia Silva, durante palestra na 7ª Edição do Fórum Goiânia 2020| Fotos: Larissa Quixabeira

Crise política e econômica, eleições municipais e, principalmente, um novo modelo de gestão pública, capaz de trazer mudanças efetivas para uma cidade melhor. Tudo isso foi tema de discussão da sétima edição do Fórum Goiãnia 2020, na manhã desta sexta-feira (13/5), no cinema Lumiére do shopping Bougainville.

O evento, de realização do diretor do Akhenaton Institute e do Grupo Brasil Colombia, do publicitário Marcus Vinícius Queiroz, sempre procura reunir especialistas políticos, gestores e pessoas ligadas ao poder público com o objetivo de ampliar o debate e buscar ideias novas para Goiânia. Nesta sétima edição, a conversa tinha como foco principal, “Uma nova visão de convivência urbana para nossa capital”.

“A absoluta aproximação entre governos e governados através de uma administração pública mais acessível e transparente seria um fator determinante para a restauração da ética pública”. Esta é a fórmula para uma gestão mais eficiente apresentada pela jurista e Conselheira do Tribunal de Contas do Tocantins (TCE-TO), Doris de Miranda Coutinho, durante palestra no Fórum Goiânia 2020.

A também autora do livro “O ovo da serpente – A corrupção pública compromete a qualidade de vida das cidades”, explicou que a Constituição Federal determina que a transparência da gestão fiscal do governo, é assegurada pela ampla divulgação e acesso público. Mas, alem disso, a transparência deve se dar pelo incentivo à participação popular durante os processos de elaboração dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos, por meio da realização de audiências públicas.

“O não cumprimento deste dispositivo da Lei de Responsabilidade Fiscal faz com que as as leis de planejamento aprovadas sejam elaboradas de maneira isolada, como verdadeiras ilhas de barganhas, especialmente as da União, pelo volume de recursos”, argumentou Doris Coutinho. “Essa escalada da corrupção nos escaninhos das instituições nas três esferas do poder significa que não temos um governo pelo povo e nem para o povo”.

Já a primeira palestrante da manhã, a escritora ex-secretária de Cultura do Estado de Goiás e Goiânia, Maria Abadia Silva,  disse em sua fala que a cidade é o local que une as pessoas, ideias e experiências, e, portanto, “o primeiro local de rede de cultura do ser humano”. A partir deste conceito, a ex-secretária defendeu que o fortalecimento da malha cultural, como forma de informação e transformação social, deve ser alvo de recursos, apoio e investimentos por parte do governo.

Outro palestrante da manhã desta sexta, foi o deputado estadual Lucas Calil (PSL), que levantou a questão das muitas promessas de campanha que depois são esquecidas pelos governantes. “Muitos candidatos exploram esse ideal de ‘cidade feliz’, que é o que o fórum discute, em ano de eleição, mas depois nada de concreto é feito”.

O parlamentar propôs que se faça um “pacto pela cidade”. “Goiânia tem muitos problemas, como segurança pública, saúde. Nas eleições municipais deste ano, que a gente possa realmente analisar as propostas dos candidatos, usar as redes sociais como ferramentas de instrução, para propagar conhecimento e informação e assim ter uma cidade melhor”.

Já o cientista político, Alberto Almeida, autor do livro “A cabeça do eleitor”, vê que, atualmente, a pressão social está muito presente na política brasileira. “Hoje temos uma explosão de organizações dos mais diversos interesses políticios que, até pouco tempo não se ouvia falar, e o sistema político está tendo que responder a isso”, disse o autor, ao citar o movimento Passe Livre, que ganhou visibilidade nos protestos que tomaram conta do País em 2013.

O especialista ainda comentou que não ficou surpreso com os discursos proferidos pelos deputados federais durante a votação da admissibilidade da abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara. ” O congresso representa a sociedade e não o contrário. Os parlamentares representam seu eleitorado e acho que nunca tivemos um congresso que representa tão bem nossa sociedade”.

Ao final, o idealizador do Fórum, publicitário Marcus Vinícius, avaliou que a experiência do debate foi, mais uma vez, positiva. “A cada fórum saímos com um conjunto de ideias e experiências que em algum momento podem ser colocadas em prática, que culminam na possibilidade de mudança e esse é o nosso compromisso”.

Fórum

As seis edições do Fórum Goiânia 2020 levantaram debates, como a transformação urbana a partir da cultura, o desenvolvimento urbano com planejamento, as diretrizes contra a violência, o crescimento voltado para as pessoas e a necessidade de intervenções criativas.

Entre os palestrantes que já participaram do evento, estão o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); o vice-governador e secretário de Segurança Pública, José Eliton (PSDB); o deputado federal colombiano Andrés Villamizar; o presidente da OAB-GO, Lúcio Flávio; os pré-candidatos à prefeitura de Goiânia, Giuseppe Vecci (PSDB), Luiz Bittencourt (PTB) e Delegado Waldir (PR); o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, o vereador Anselmo Pereira (PSDB); o ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso (PSB); o general colombiano, Luis Ernesto Gilibert Vargas; o ex-secretário de Segurança Pública, Joaquim Mesquita; a Secretária Estadual de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira (PSDB); o prefeito Municipal de Palmas, Carlos Amastha (PSB); e o professor e ex-prefeito de Goiânia, Nion Albernaz (PSDB).

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