Forças policiais demonstram indignação com campanha do Sinpol

Em nota, instituições classificam peça publicitária como “mentirosa e que presta um desserviço à sociedade”

Vídeo do Sinpol-GO traz ator no papel de bandido fazendo deboche das forças policiais, segundo governador em exercício | Foto: Reprodução/YouTube

Vídeo do Sinpol-GO traz ator no papel de bandido fazendo deboche das forças policiais, na opinião do governador em exercício | Foto: Reprodução/YouTube

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol-GO), Paulo Sérgio Alves de Araújo, lançou nesta semana três vídeos em redes sociais que causaram perplexidade na categoria e diversas instituições ligadas à segurança pública manifestaram indignação pelo teor do conteúdo divulgado, informou o governador em exercício e secretário estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP-GO), José Eliton (PSDB).

Em nota oficial, assinada por José Eliton e por comandos das forças policiais, a campanha foi classificada como “mentirosa e que presta um desserviço à sociedade”.

“É inacreditável que uma entidade, em nome de seus sindicalizados, exiba uma peça publicitária onde um ator contratado faz as vezes de criminoso e debocha, explicitamente, do trabalho das forças de segurança de Goiás, tratando os policiais como sendo comédia”, afirma a nota.

“Um vídeo produzido e divulgado pelo próprio presidente do Sinpol: um despautério completo, uma afronta não ao governo, mas a cada policial goiano que presta serviço de excelência e honra sua insígnia”, diz o documento.

O texto foi assinado pelo comandante-geral da Polícia Militar de Goiás, coronel Divino Alves; pelo delegado-geral da Polícia Civil, Álvaro Cássio; comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás, coronel Carlos Helbingen Júnior; pela superintendente da Polícia Técnico-Científica, Rejane da Silva Sena Barcelos; pelo superintendente executivo de Administração Penitenciária, coronel Victor Dragalzew, e pelo superintendente executivo da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária, coronel Edson Araújo.

O documento lamenta, ainda, a forma como os policiais são desrespeitados na suposta campanha de valorização. “Nunca se viu tamanho despropósito, mesmo porque, em Goiás, não há lugar onde a polícia não entre. As forças de segurança fazem valer sua autoridade no exercício de sua missão, atuam com dedicação e denodo”.

E destaca que “todos têm consciência de que as polícias de Goiás estão entre as melhores equipadas do Brasil. Possuem armas, veículos e equipamentos de proteção individual adequados e que são ampliados ou repostos conforme solicitação dos comandos”.

Concurso Público

O comunicado esclarece também que, “quando das discussões sobre o novo concurso público, foram as entidades, entre elas o Sinpol, que apresentaram duas alterações na proposta para recomposição do efetivo com a realização de concurso público: ensino superior completo como condição para ingresso na carreira e que o interstício para progressão seria de quatro anos”. Segundo a nota, “na mesa de negociações, todos demonstraram amplo entendimento e foi formalizado acordo nos termos propostos pelas entidades, entre elas, repetimos, o Sinpol”.

“São estes mesmos homens e mulheres que terão, por exemplo, direito à assistência jurídica quando demandados por ato praticado no exercício de sua missão”, afirma a nota. “Tal iniciativa põe Goiás na vanguarda do Brasil no que diz respeito à proteção institucional dos servidores da segurança pública, proporcionando ao policial a tranquilidade para bem exercer a profissão.”

O documento afirma, ainda, que “sabemos da importância de novas conquistas para as forças policiais. Mas, somente um governo que investiu mais de R$ 2,7 bilhões em segurança pública em 2015 (12,55% da receita), que rotineiramente entrega novos equipamentos, que realmente valoriza seus policiais tem as credenciais necessárias para fazer com que todos creiam, com convicção, que os avanços futuros são possíveis”.

Por fim, os que subscrevem a nota lamentam a atuação do atual presidente da Sinpol. “Inadmissível que um líder sindical paute sua atuação por questões político-partidárias”.

E prossegue: “Ele participou de reunião, na mesa pediu desculpas pelo seu comportamento inadequado, debateu a questão relacionada ao novo concurso. Fez proposta, fechou acordo juntamente com outras entidades, mas vem agora alcunhar de maluquice do governo uma proposta que teve a sua origem na força-tarefa da segurança pública, integrada por representantes de todos os poderes constituídos, além de entidades relacionadas com o tema. Mais grave: teve a sua expressa concordância”.

Coletiva

Após a divulgação de material, o presidente do Sinpol, Paulo Sérgio Alves de Araújo, convocou nesta quarta-feira (20) a imprensa para fazer acusações contra a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP-GO).

Durante a coletiva, ele foi questionado sobre, por exemplo, a anuência que deu à propositura de realização de concurso público para admissão de 3 mil novos policiais. Como resposta, Paulo Sérgio desconversou e afirmou apenas que debateu as questões, mas que não teria concordado com os termos do certame.

“Policial civil foi exposto de forma Jocosa”, dizem entidades de delegados

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindepol), Silvana Nunes Ferreira, durante solenidade que marcou o envio à Assembleia Legislativa do projeto de lei que garante assistência jurídica a policiais | Foto: Jota Eurípedes

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindepol), Silvana Nunes Ferreira, disse por meio de ofício assinado pela entidade que discorda do conteúdo do vídeo na “forma jocosa em que o policial civil foi exposto” | Foto: Jota Eurípedes

“Considerando que os vídeos veiculados na referida campanha se referem também à Polícia Civil, instituição a qual a categoria dos delegados não só a compõe, mas também incumbe a sua direção, manifestamos nossa discordância no tocante à forma jocosa em que o policial Civil, em sentido amplo, foi exposto.”

A análise está contida em documento assinado, em conjunto, pela presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindepol), Silvana Nunes Ferreira, e pelo presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Goiás, Waldson de Paula Ribeiro.

O texto se refere aos vídeos lançados em redes sociais pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol), Paulo Sérgio Alves de Araújo, que causaram perplexidade na categoria e levaram diversas instituições ligadas à segurança pública a manifestaram contrariedade pelo teor do conteúdo divulgado.

“As ações da Polícia Civil veiculadas na mídia comprovam que os crimes de maior complexidade têm sido todos solucionados pelos nossos honrosos policiais, de forma corajosa e combativa, independente das adversidades e dos riscos inerentes a nossa atividade, razão pela qual, não cabe falar em acovardamento da Polícia Civil, ainda que diante de qualquer dificuldade enfrentada pelo policial”, afirma o documento.

O texto assinado pelas duas entidades completa: “Entendemos que a maneira que foi veiculada referida campanha, a imagem do policial civil goiano não condiz com sua conduta honrosa”. “Reafirmamos nosso propósito de que as tratativas se deem através do diálogo, confiantes que os pleitos que dizem respeito à Polícia Civil serão atendidos, tendo em vista o compromisso do governo recentemente anunciado em valorizar os policiais goianos”.

A opinião, contudo, ressalta que não cabe à entidade manifestar sobre os motivos que levaram a categoria a deliberar, mesmo porque a classe de delegados não foi chamada pelo Sinpol para discutir sobre a referida campanha publicitária.

Veja os vídeos produzidos pelo Sinpol-GO:

Documento anexo:

Ofício número 172 de 2016 do Sindepol-GO

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