“Fomos do céu ao inferno”, diz goianiense que não pode sair da Argentina

Professora Cristina Araújo e uma amiga, ambas de Goiânia, viajaram para um evento em Ushuaia no último sábado, 14. Na segunda, o Brasil foi enquadrado no grupo de risco e goianas não conseguem mais deixar o país

Grupo de brasileiros presos na Argentina por causa da pandemia do coronavírus / Foto: Arquivo Pessoal

No último sábado, 14, a professora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) Cristina Araújo, de Goiânia, viajou para a Argentina com outras 60 pessoas para participar de um evento em Ushuaia. Apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) já ter chamado a propagação do novo coronavírus de pandemia, o mundo ainda parecia o mesmo para quem vivia no Brasil. Ao pisar em território internacional, Cristina sofreu o baque. Chegou ao Aeroporto Internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, onde viveu o que chamou de “uma sucessão de informações desencontradas”.

Primeiro, o avião pousou fora da área de desembarque. Depois, foram recebidos por pessoas vestidas como astronautas. Aquelas pessoas com as roupas do protocolo de infectologia também não pareciam saber muito bem o que fazer com o grupo. “Ficamos lá o dia todo, cerca de 20 horas. A companhia sequer nos ofereceu água”, contou Cristina ao Jornal Opção. Apesar do susto inicial, os brasileiros foram liberados para o seu destino, Ushuaia, a cerca de 3.500 km de distância da capital, Buenos Aires.

“Chegamos na segunda e iniciamos os trabalhos”, disse. Neste mesmo dia, o Brasil já estava na lista dos países considerados de risco pela Argentina. “Foi uma coisa que ocorreu de sábado para segunda-feira. Fomos do céu ao inferno. A cada momento uma notícia diferente”, narrou a goiana. “Nos dizem que vamos sair, depois não vamos. Nos dizem que vamos fazer os exames, depois não vamos mais. Saiu uma primeira indicação de que seríamos retirados na sexta-feira, 20, mas dez minutos depois recebemos a notícia de que não”.

Na próxima terça-feira, 24, a Argentina comemora o Dia Nacional da Memória pela Verdade e a Justiça. Segundo Cristina, que falou que algumas informações chegam a eles por meio da embaixada brasileira, enquanto outras por meio da companhia aérea, o presidente argentino Alberto Fernández comunicou que até o feriado ninguém entra ou sai do país. “Nós entendemos que precisamos ficar recolhidos e em casa, mas nós não estamos em casa. Não temos condições além das que o hotel oferece, na medida do possível, porque o mercado começa a faltar coisas, a cidade é pequena”, contou.

Cristina, e outra amiga goianiense, além do grupo de brasileiros, temem não apenas ficarem presos indeterminadamente no país estrangeiro, mas também desamparados. “Nossas diárias começam a vencer e o hotel não está autorizado a renovar. Não temos a menor previsão do que vai ser de hoje a sexta-feira”, desabafa a professora. Com o futuro incerto, uma epidemia que rodeia por todos os lados e a inexperiência dos países em lidarem com algo dessa proporção, elas pedem que as autoridades do Estado de Goiás possam intermediar o retorno rápido e seguro delas para casa.

Brasileiros sendo recebidos em Buenos Aires, no último sábado, 14 / Foto: Arquivo pessoal

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