Flagrantes de uso de cerol aumentam em Goiânia

Com paralisação das aulas presenciais em decorrência da pandemia de Covid-19, crianças e jovens têm saídos às ruas para soltar pipa com cerol, o que é crime

Entre os meses de abril e maio aumentaram as ocorrências do uso de cerol em linha de pipa em Goiânia. Dados da Guarda Civil Metropolitana (GCM) apontam que no mês de março, houve apenas uma ocorrência deste crime na cidade. Já em abril, houve um salto para 22 ocorrências. Em maio, foram 31 até o momento. Elas foram registradas em todas as regiões da cidade.

“O que a gente consegue observar é que o aumento acontece em função da Covid-19. O decreto tanto estadual quanto municipal e o fato das escolas não estarem funcionando. Por causa disso essas crianças provavelmente estão saindo aos montes para soltar pipa, mesmo não sendo período de férias”, informou Janilson Saldanha, porta-voz da GCM.

Ele conta que desde a implantação do Programa Pipa Sem Cerol, há mais de dez anos, os casos na capital foram reduzidos exponencialmente. “Nos anos iniciais houveram mortes e outros muitos acidentes. A partir de 2016, com a conscientização da população e também o árduo trabalho da Guarda Civil Metropolitana, não tivemos acidentes fatais”, comentou. “No decorrer dos anos tivemos leis que proibiram a comercialização, confecção, transporte e armazenamento de toda a linha de cerol, o cerol, a linha chilena e a linha indonésia”, disse.

Importante ressaltar que mesmo os menores de idade que fazem uso do cerol podem ser encaminhados à polícia por seus atos, já que o crime pode causar desde acidentes gravíssimos até a morte de pessoas.”Os mecanismos de flagrante, tanto das pessoas que são pegas fabricando, comercializando ou utilizando, em caso de crianças, podem ser conduzidas para o Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai), e no caso de adultos, conduzidos à Central de Flagrantes. Então o delegado vai determinar a punição baseada na lei”, explicou Saldanha.

Vítimas

Dois casos das estatísticas do último mês ocorreram na família de Jéssica Lemes. A primeira vítima foi sua sobrinha, uma criança de apenas quatro anos. Ela brincava no quintal de casa quando uma linha com cerol caiu no lote e atingiu o pescoço da menina. O ocorrido foi no último dia 3 de maio. Ela conseguiu ser socorrida antes que o pior acontecesse.

Apenas quatro dias mais tarde, a vítima foi o filho de sete anos de Jéssica, que brincava no lote vizinho com outro sobrinho. Ao perceber a linha chilena, o menino tentou proteger o rosto com a mão, que foi ferida. O menino foi levado imediatamente ao hospital.

Cuidados

O porta-voz da GCM aconselha tanto os praticantes do esporte quanto possíveis vítimas dos cuidados necessários. “No grupo de risco, dois eixos precisam tomar muito cuidado: o dos ciclistas e dos motociclistas. Ambos é importante que utilizem o protetor de pescoço e as antenas, tanto para motos quanto para bicicletas, porque durante o traslado, essas pessoas podem não observar que estão soltando as pipas e acabam sofrendo acidentes”, alertou.

“Nossa principal orientação é para que o grupo de risco entenda a importância de fazer a proteção tanto em seu corpo quanto em relação aos mecanismos que podem ser instalados no veículo”, recomendou Saldanha. “E que as pessoas que utilizam como arte e diversão, que tenham consciência para não usarem cerol, nem a linha chilena e a linha indonésia.”

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