Filho relata descaso da saúde em Goianésia após morte da mãe por Covid-19

“Se tivessem cuidado dela no primeiro atendimento será que ela teria falecido? Levarei essa pergunta para o resto da minha vida”, diz Leno

Perder um ente querido nunca é fácil, mas para uma família de Goianésia o sentimento de revolta agrava o luto pela perda de uma mãe acometida pela Covid-19. Segundo relato de Leno dos Santos Gomes, de 43 anos, nascido e criado no município, a morte de Luzia talvez pudesse ter sido evitada caso ela tivesse sido atendida de forma mais responsável.

“Minha mãe veio a falecer nesta segunda-feira [dia 29] por volta das 17h. Antes disso procuramos atendimento na UPA duas vezes e outras duas vezes no Hospital Municipal e eles sequer tiraram uma chapa. Sendo que meu irmão estava diagnosticado com Covid-19 e teve contato com a nossa mãe”, relata Leno.

De acordo com o filho, durante os atendimentos essa informação foi compartilhada com os médicos, mas nada teria sido feito. “Questionamos se não fariam sequer um raio-x e sempre negaram. Na quinta vez que levamos minha mãe à UPA ela já estava em crise com falta de ar, aí sim eles decidiram interná-la”, relata.

Nesta segunda, a unidade de saúde chamou a família para avisá-los de que iriam entubar a senhora, mas com apenas três respiradores isso não foi possível. O hospital teria informado à família que a única opção era levar a paciente para uma unidade particular.

A população precisa saber que a UPA está um caos, não tem medicamentos, não tem respiradores

Durante esse imbróglio, a família foi informada de que o respirador da UTI móvel seria disponibilizado para a senhora, no entanto, durante o procedimento a vítima acabou tendo uma parada cardiorrespiratória e veio a óbito. “A população precisa saber que a UPA está um caos, não tem medicamentos, não tem respiradores”, diz Leno em tom de revolta.

Cidade segue sem quarentena

“Vi que o governador propôs aos prefeitos uma quarentena, mas o prefeito daqui já falou que vai fechar só domingo. Pelo amor de Deus gente, não queiram passar o que minha família está passando, tenham cuidado. Minha mãe morreu por falta de atendimento, foi vítima do caos da saúde de Goianésia. Se tivessem cuidado dela no primeiro atendimento será que ela teria falecido? Levarei essa pergunta para o resto da minha vida”, desabafa Leno.

O prefeito de Goianésia, Renato de Castro, anunciou nesta segunda-feira, 29, que pretende decretar o fechamento do comércio aos domingos. “Estamos pensando em decretar um lockdown completo no domingo a partir de meio dia”, disse em um vídeo publicado nas redes sociais. A medida deve se estender até as 6 horas de segunda-feira, horário em geralmente o comércio já está fechado.

A reportagem entrou em contato com o prefeito para falar sobre a situação da saúde no município mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.

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