Filhas de Iris Rezende defendem homenagens ao pai por Goiânia e mudança de nome do aeroporto

Ao afirmarem não compreender veto de Rogério Cruz a renomeação da Av. Castelo Branco, Ana Paula e Adriana consideram homenagens como valorosas e justas pela contribuição do pai à cidade

Propostas desde a morte do ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), possíveis homenagens por toda a capital goiana foram alvo de diversas polêmicas, tendo sido ou não aprovadas. Ao Jornal Opção, as filhas do emedebista, Ana Paula e Adriana, comentaram ser completamente a favor de todas as homenagens, inclusive da renomeação da Avenida Castelo Branco e do Aeroporto Internacional de Goiânia – Santa Genoveva, “a entrada de Goiânia”.

Para ambas as filhas, todas as homenagens sugeridas até o momento são formas de reconhecimento pelo “político que ele foi e pela diferença que ele proporcionou à história de Goiânia”. “Aqui em Goiás, meu pai foi uma das figuras mais importantes para a construção desse estado. Foi um homem que teve a vida inteira, vinte e quatro horas por dia, em prol dessa cidade, então é justo que ele receba várias homenagens”, opina Ana Paula.

Entre as homenagens citadas pelas irmãs está a do próprio Aeroporto de Goiânia, que também foi defendida pela ex-deputada federal Dona Iris de Araújo, viúva do ex-prefeito de Goiânia, em dezembro, através das redes sociais. A proposta da mudança foi realizada pelo senador Luiz do Carmo (MDB-GO) e chegou a ser aprovada no Senado.

Com a proposta da alteração do nome do aeroporto, a família do doador da área onde foi construído o terminal aeroviário, Altamiro de Moura Pacheco, chegou a se pronunciar contra a alteração do nome, sob o argumento que a mudança iria “desomenagear” o doador da área e sua família. Isso, porque ao doar o terreno, Altamiro fez exigências de que no local fosse construído um aeroporto internacional e que a ele fosse dado o nome de sua mãe – Dona Genoveva.

“Iris Rezende foi um político que engrandeceu nossa Goiânia, Goiás e o Brasil. Mas ele, se aqui estivesse, jamais permitiria que alguém fizesse uma desfeita desse porte com a memória do Dr. Altamiro”, diz um trecho do texto publicado e assinado por uma sobrinha de Altamiro, em novembro de 2021. No ano passado, o arcebispo Dom Washington Cruz chegou a pedir que o governador Ronaldo Caiado (DEM) e os deputados federais intervissem contra a alteração do nome.

Ele, inclusive, usa como justificativa o argumento de que, com o nome “Santa Genoveva”, a mãe de Iris também é indiretamente homenageada, uma vez que se chamava Genoveva Rezende Machado. “É louvável que façamos uma prece para a mãe do doutor Altamiro de Moura Pacheco, e para outra Genoveva, cujo filho, é uma das figuras mais queridas

No entanto, tanto Ana Paula quanto Adriana são claras em suas opiniões: ‘o aeroporto de Goiânia é a entrada da cidade, e nada mais justo que ter na entrada da cidade o nome de quem fez tanto por ela’. “Ter o nome dele no portão municipal da cidade, na porta de entrada, seria a homenagem mais digna, porque seria do tamanho da grandeza dele”, completa Adriana. O ex-secretário particular de Iris, Wilson Baleeiro Jr., inclusive, também presente no local, chegou a complementar a fala das irmãs, ao dizer que o ex-prefeito de Goiânia se consolidou como referência de memória do Estado de Goiás.

“Quantas vezes viajei para outros estados e quando falei que era de Goiás as pessoas falavam: ‘ah, é lá que tem o Iris Rezende, não é?’, então é justo”, completa. Quem também concorda com a fala de Wilson é o chamado “braço direito de Iris”, o ex-secretário municipal de Governo, Paulo Ortegal. As irmãs Ana Paula e Adriana, no entanto, não deixam de lamentar o fato de as homenagens terem se tornado uma questão política, de modo que “a valorização da história da cidade e do Estado sendo deixadas de lado”.

Apesar de o texto publicado pela família de Altamiro Pacheco utilizar como justificativa o fato de que Iris não permitiria que a “homenagem a memória do Dr. Altamiro fosse desfeita”, Adriana e Ana Paula não enxergam a situação dessa maneira. Elas, inclusive, relatam que Iris sempre se mostrou muito grato a todas as homenagens que recebeu em vida. “Eu não sei o que ele falaria hoje, mas eu sei que ele recebeu muitas homenagens em vida e ele ficava muito feliz, porque ele pensava ‘valeu a pena'”, explica Ana Paula.

Ela completa que esse sentimento de satisfação em prol das homenagens presenciadas, percebido no pai, foi desenvolvido a partir das dificuldades vivenciadas na “vida de um político que atua com responsabilidade e seriedade”. “É muito difícil. A família é sacrificada, nossos momentos juntos são poucos, então acho que ele teve esse sentimento e agradeço a Deus por ele ter vivenciado esse reconhecimento ainda em vida”, acrescenta. Tanto Ana Paula, quanto Adriana e Cristiano, viveram boa parte da infância durante a década que Iris Rezende teve com seus direitos cassados (1969-1979), já que respectivamente, os três nasceram em 1968, 1972 e 1966. Durante esse período, Adriana explica que foi possível com que a família tivesse uma “rotina normal”, com hábitos comuns e passassem mais tempo juntos.

No entanto, antes da cassação, durante o primeiro mandato de Iris como prefeito de Goiânia (1966 – 1969), e a partir do momento em que o político teve seus direitos reestabelecidos e ingressou no MDB, na época PMDB, para se tornar governador de Goiás em 1983, o cenário não foi mais o mesmo e a rotina do “homem que viveu em prol de Goiânia e Goiás 24 horas por dia” esteve a todo o vapor até seus últimos momentos. Ao retomar na memória a cassação dos direitos políticos do pai, que foi realizada por uma Junta Militar, Ana Paula também se posiciona quanto ao recente veto do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), a proposta que renomearia a Avenida Castelo Branco para Avenida Iris Rezende Machado.

O veto foi realizado na última quarta-feira, 12. Anteriormente, no dia 22 de dezembro, em que seria aniversário do político, Rogério Cruz já havia dado seu posicionamento acerca da grande quantidade de homenagens sugeridas desde a perda do emedebista – que incluem mudança no nome de ruas, avenidas, parques e o Aeroporto de Goiânia -, afirmou que “Iris Rezende já está no coração e na mente de muitas pessoas, acho que essa é a melhor homenagem que podemos fazer a ele”. “Eu tenho certeza que ele deixou um legado que jamais será apagado. Essa questão de o nome de Iris Resende ser colocado em algum lugar… Acho que o nome de Iris Rezende já está no coração e na mente de muitas pessoas, eu de todos podemos dizer assim, eu acho que essa é a melhor homenagem que podemos fazer pra ele”, afirmou, na época, em coletiva de imprensa.

O projeto que alterava o nome da Avenida Castelo Branco, apesar de contar com uma justificativa que  que contraria os fatos históricos – já que o autor da matéria, o vereador Clécio Alves (MDB) insiste em argumentar que quem cassou os direitos políticos de Iris Rezende foi o próprio ex-presidente Castelo Branco, que faleceu dois anos antes da cassação dos direitos políticos de Iris – chegou a ser aprovado pela Câmara Municipal de Goiânia e aguardava a sanção do Paço Municipal. A mudança era esperada por muitos que apoiam a retirada do nome de pessoas ligadas à ditadura militar, e, inclusive, é permitida pela própria Lei Orgânica do Município, que permite a renomeação dos logradouros que homenageiam essas pessoas.

No entanto, ao vetar a proposta, que não agradou os lojistas da Avenida, Cruz justificou a existência de uma grande  burocracia e gastos que poderiam ser causados tanto à população, quanto às diversas empresas que se encontram na região. Além disso, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) argumentou que a denominação de vias e logradouros públicos só pode ser “apresentada, discutida e votada se tiver a aprovação da maioria dos moradores” destes locais. É preciso, inclusive, que exista abaixo-assinado contendo nome e endereço dos moradores, o que não foi encontrado pela prefeitura – o que não existiu.

Questionada sobre o veto, Ana Paula chegou a afirmar não entender tal decisão da Prefeitura, ao considerar “muito mais valoroso o nome de um político que fez história, em uma grande avenida da cidade, do que um ditador”. “Às vezes eles alegam dificuldade jurídica na mudança do nome, mas acho isso tão pequeno frente ao que o meu pai foi. O nome dele, inclusive, valorizaria ainda mais aquele local”, explica.

Além dessas alterações, em novembro, chegou a ser aprovado o projeto que acrescentou o nome de Iris ao Parque Mutirama – fazendo com que o local se torne Parque Mutirama – Iris Rezende Machado -, local idealizado pelo ex-prefeito de Goiânia na década de 1960. Também chegaram a tramitar na Câmara outras propostas para homenagens a Iris, como a mudança no nome da Avenida Anhanguera – que foi transferida para a Avenida Castelo Branco -, do Bosque dos Buritis (sugerida pelo próprio Paço Municipal) e do Morro da Serrinha.

3 respostas para “Filhas de Iris Rezende defendem homenagens ao pai por Goiânia e mudança de nome do aeroporto”

  1. Avatar LUIS ADRIANO S. DE CASTRO disse:

    Deixa descansar em paz. Se a família quiser faz uma estátua dela na entrada da fazenda deles. O único que merece homenagem nesta cidade é Pedro Ludovico, que construiu Goiánia e morreu pobre .

  2. Avatar Júlia Salomão disse:

    Sugiro como cidadã goianiense que construam um museu com todo seu acervo para preservação e colocar a disposição do público e até os que não o conheceram. Iris Resende merece uma grande homenagem pelo homem público e político que foi. Sendo assim acaba com essa confusão de que cada dia se muda alguma coisa em Goiânia (ruas, aeroporto etc) fFica a dica.

  3. Avatar Dolzonan da Cunha Mattos disse:

    Para mim o nosso Íris merece inúmeras homenagens. Concordo plenamente com os argumentos apresentados pelas suas filhas Adianta e Ana Paula. Agora, como inauguramos a ponte do Complexo Viário da Jamel Cecílio com Marginal Botafogo no dia do seu aniversário em 22.12.2021, ocasião em que completou 87 anos de vida, sugiro que o complexo passasse a levar o nome de Complexo Viário Íris Rezende Machado.

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