Fidel Castro diz não ter confiança nos Estados Unidos mas apoia solução pacífica

Esta é a primeira vez que Fidel Castro se pronuncia publicamente sobre a aproximação diplomática

O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou “não ter confiança nos Estados Unidos”, em uma mensagem dirigida aos estudantes da Universidade de Havana, transmitida pela televisão estatal, apesar de apoiar a “solução pacífica” e “negociada”.

“Não confio na política dos Estados Unidos nem troquei qualquer palavra com eles. Isso não significa – longe disso – a recusa de uma solução pacífica para os conflitos”, ressaltou o líder cubano, em carta lida pelo presidente da Federação Estudantil Universitária, Randy Perdomo.

Esta é a primeira vez que Fidel Castro se pronuncia publicamente sobre a aproximação diplomática, considerada histórica, entre Cuba e Estados Unidos, com relações suspensas há mais de meio século, anunciada no dia 17 de dezembro pelos presidentes norte-americano e cubano, Barack Obama e Raúl Castro. Fidel não aparece em público há mais de um ano.

A mensagem, divulgada ontem (26), foi publicada poucos dias depois da conclusão da primeira rodada de contatos oficiais entre Havana e Washington, realizada em Cuba, entre os dias 21 e 22.

O líder da Revolução Cubana, de 88 anos, que passou o poder ao seu irmão, Raúl, em 2006, por motivos de saúde, expressou apoio às políticas do seu sucessor.

“O presidente de Cuba deu passos relevantes à luz das suas prerrogativas e das competências que lhe são concedidas pela Assembleia Nacional [Parlamento] e pelo Partido Comunista de Cuba”, diz na mensagem.

“Defender a paz é dever de todos. Qualquer solução pacífica e negociada para os problemas entre os Estados Unidos e os povos – ou qualquer povo da América Latina – que não implique o uso da força deverá ser tratada de acordo com os princípios e normas internacionais”, acrescentou.

A mensagem do ex-presidente cubano foi lida emcerimônia realizada nessa segunda-feira na aula magna da universidade da capital, às vésperas da celebração do 162º aniversário de nascimento do líder da independência cubana José Martí.

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Epaminondas

É incrível como um rabo, um cotó como Cuba, consegue balançar todo o cachorro da diplomacia. Uma carta lida se dizendo de Fidel – e não uma gravação do próprio – repercurte num assunto de mínimo impacto para os envolvidos.

EUA vai continuar sendo EUA e Cuba continuará sendo Cuba. Quem depende do outro parece óbvio: EUA não depende de Cuba. Cuba depende dos EUA. E todos socialistas dependem de Cuba para dizer que sua ideologia pode dar certo. E são eles que torcem que o jornalismo continue colocando ombro a ombro os dois países.