Festival Bananada projeta Goiânia como berçário da música independente

Chamado de “multifestival”, o evento contou com programação diversificada e número de público elevado

Walacy Neto
Especial para o Jornal Opção

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Black Drawing Chalks foi uma das atrações do Bananada neste ano

O termo “Seattle Brasileira” ou mesmo aquele mais simples, Goiânia Rock City, podem ser novamente usados para caracterizar a capital do Estado de Goiás sem medo algum. Isso em razão da 16ª edição do multifestival Bananada, promovido pela Construtora Música e Cultura desde o começo desta última semana (12/5) e finalizado no domingo (18/5), no Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON).

A programação extensa e diversificada fez escalas nos principais pontos de cultura da cidade. Como, por exemplo, o Bananada nas Casas, que levou grandes DJs e nomes de destaque da música atual para boates de Goiânia. Destaque também para o Música Consciente, que trouxe no início da semana aos palcos do Teatro Goiânia as bandas Metá Metá e Mulheres Negras, em apresentação histórica e casa lotada — coisa que virou hábito no evento.

Mas o termo “multifestival”, tão citado nos últimos dias, se deve às exposições dos principais pôsteres de festivais realizados em Goiânia, da programação gastronômica e do Goiânia Crew Attack, competição de skate com premiação em dinheiro promovida pela Ambiente Skate Shop. E também do Seminário Audiovisual para Produtores & Produtoras Independentes (SAPPI), realizado pela Panacéia Filmes em parceria com a Construtora.

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No CCON, música

Nos últimos e principais três dias de festival, a cidade pode novamente se vangloriar para além de suas fronteiras goianas, através da música de qualidade que nasce rotineiramente por aqui. Às 19h a banda Indústria Orgânica, recém-chegada aos palcos e bocas, abriu “as porteiras do evento”, como muitos diziam por ali.

Logo após, o som rasgado da conceituada Dry fez a ficha cair. A banda recentemente disponibilizou seu disco “Enjoy The Fall” gratuitamente na internet e, segundo o vocalista Bauer, em entrevista ao Jornal Opção Online, o “tudo grátis” vai seguir com a banda durante um bom tempo (link do álbum: http://dry.fm). No mesmo dia também subiram ao palco a banda O Terno (SP), Papier Tigre (França), a nossa e conhecida Black Drawing Chalks (GO) e fechando a noite com Mudhoney.

O segundo dia de evento iniciou com promessa de ser o dia mais lotado e com os shows mais esperados. A quantidade de pessoas era impossível determinar, mas a fila de carros dava a dica que não era pouca gente. Isso porque o sábado (17) tinha na programção apresentações como da nova, porém experiente Shotgun Wives (GO) com seu folk experimental, seguido da Inky (SP) esperada por aqui e — isso nem todos esperavam — um show arrepiante de Aldo (SP).

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Shotgun Wives trouxe o folk experimental para os palcos do Bananada

Já quase ao fim do dia, a banda tida como a mais esperada do festival fez finalmente sua aparição depois de mais de 60 shows além das terras brasileiras. Com Boogarins (GO) o público dançou, cantou letra por letra e ao final ficou com vontade de ter mais, porém a banda fazia apenas uma aparição para depois voltar para turnê, dessa vez para Primavera Sound em São Paulo e na Espanha, até setembro. Móveis Coloniais de Acaju (DF), que fechou a noite, também fará essa ponte-aérea após show em Goiânia.

O último dia de festival começou com o timbre mais pesado, dando espaço ao stoner e à Overfuzz (GO), que dessa vez teve na bateria Rodrigo, do Hellbenders (GO). Seguindo com Muñoz (MG), e depois a Huey (SP), o retorno do Sugar Kane (SP) a Goiânia e de lá do Rio Grande do Norte, o Far From Alaska, que apareceu no Bananada mais uma vez com um show frenético.

Dando uma mudada rápida de cenário, o rapper Rael (SP) trouxe ao festival novas caras e novas sílabas, com aquela classe (ou jeito) de “maloquero” que é, assim como Emicida (SP), que chegou no palco com poucas frases, mas deu o recado de que agorinha voltava. Nessa pausa, dá-lhe stoner através da ‘melhor banda de rock do mundo’, como afirmou o diretor da Construtora, Fabrício Nobre, sobre a Hellbenders.

Fechando a noite com as honras, e chave de ouro, Emicida subiu ao palco às 22h45 para fechar essa 16ª edição do Festival Bananada. Seguramos o fôlego, porque logo logo tem mais.

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