Festas de final de ano pedem cautela e cuidados

As festas de final de ano podem ser “bomba relógio” para novos casos de Covid-19. Mas o impacto só será conhecido no início de 2021

Recomendação é que reuniões sejam evitadas neste final de ano| Foto: Shutterstock

Atípico, o ano de 2020 pede cuidados até o seu final. A chegada das festas de final de ano requerem atenção redobrada para aqueles que irão comemorar e com todos que estão por perto.  

No Brasil, o número de casos e de mortes vem aumentando dia após dia. O país registra 7.464.620 casos confirmados e 190.861 óbitos. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 35.993 novos diagnósticos por dia. Os dados são do consórcio de veículos de imprensa, formado por G1, O Globo, Extra, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e UOL.

Para o médico sanitarista e professor de Saúde Pública do Centro Universitário São Camilo, Sérgio Zanetta, as próprias ações do governo fizeram com que as pessoas saíssem de casa. Para Zanetta, o governo passou uma impressão de controle e calmaria, causando nas pessoas uma sensação de invulnerabilidade ao vírus, sobretudo entre os jovens. 

Neste mês de dezembro, o Brasil voltou a registrar números que tinha no início da pandemia, quando havia descontrole absoluto na propagação do vírus. Apesar dos avanços nas terapias, medidas tomadas e informação, Zanetta aponta novamente falhas dos governos neste aumento: “O vírus está com uma propagação extrema e não há nenhum indício de que as autoridades irão controlar a circulação das pessoas. Nós vemos isso por meio do estímulo do comércio popular totalmente sem critério. A epidemia está em um modo rápido e avassalador”, afirma Zanetta.

Para as festas de fim de ano, o professor faz um prognóstico alarmante sobre o início de 2021: “Se tivermos reuniões e encontros para celebrar as festas de fim de ano, nós podemos ter uma catástrofe ainda maior em janeiro”, prevê. Segundo Zanetta, não é possível ter uma reunião familiar ou uma pequena reunião se as pessoas presentes circulam desprotegidas. “Isso pode se transformar numa bomba relógio de casos de COVID-19”, adverte. 

Nem tudo são previsões pessimistas por parte de Sérgio Zanetta. Segundo ele, é possível ter reuniões neste fim de ano, desde que as pessoas envolvidas estejam totalmente protegidas e que não tenham se exposto durante os 14 dias que antecedem o encontro. 

Medidas que podem diminuir a propagação do vírus

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou pandemia no dia 11 de março. De lá pra cá já são pouco mais de nove meses em que medidas como o isolamento social, uso de máscara, lavagem de mãos com frequência, limpar e desinfetar embalagens, entre outras estão em vigor. No entanto, segundo a OMS, a recomendação mais segura é que neste ano as pessoas não se encontrem fisicamente. 

E se os encontros não puderem ser evitados? Para Eduardo Finger, clínico geral e imunologista, a recomendação é que se reúna o menor número de pessoas, excluindo quem se expõe às aglomerações. Segundo o imunologista, além das medidas já conhecidas, cuidados com o ambiente precisam ser tomados: “Todos precisam usar máscara, além de manter, no mínimo, um metro e meio de distância. Deixem todas as janelas abertas ou optem por ambientes externos, lavando sempre as mãos com sabão ou álcool em gel”, detalhou Finger as medidas que devem ser seguidas para as reuniões de final de ano. 

Além destas medidas, existem outras que devem ser seguidas durante a reunião e a ceia. Segundo o imunologista, o grande desafio de 2020 é tentar fazer com que as pessoas não se aproximem e não compartilhem pratos e talheres: “Uma opção é que uma única pessoa, que não está contaminada, faça e entregue a comida em pratos individuais, lavando as mãos entre cada porção servida. Evitar contatos próximos, beijos e abraços é fundamental. É essencial também não dividir copos, pratos ou talheres e, principalmente, não aceitar convidados de última hora. Se alguém apresentar qualquer tipo de sintoma, deve se afastar de todos imediatamente e ir para casa”, detalhou. 

Caso o planejamento para o final de ano seja viajar, a recomendação é que esse plano seja cancelado. A exposição a qualquer ambiente externo ou de viagem é um prato cheio para contrair a Covid-19. O infectologista explica que não há controle sobre a ação de terceiros: “Você só tem controle sobre o que faz, não controla o que os outros fazem, muito menos em ambientes abertos, como a praia. O vírus continua circulando. Meu conselho: não viaje”, alerta Finger. 

Por enquanto não existe remédio eficaz contra o vírus. Aplicada no Reino Unido, nos EUA, na Europa e alguns países do Oriente Médio, a vacinação ainda não começou no Brasil. Até que este momento tão esperado seja realidade, o imunologista recomenda paciência.

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