Feminicídio de gerente de hipermercado teve requintes de crueldade, diz polícia

Namorado da vítima, Alan Pereira, alegou que Fernanda Souza chamou seus quatro filhos de “bastardos” durante discussão, o que teria provocado “ataque de fúria”

Delegada de Aparecida de Goiânia, Cybelle Tristão, delegado da Polícia Civil, Odair Soare,s e  delegado de Bela Vista, Antônio Santos.  Foto: Thauany Melo | Jornal Opção.

A Polícia Civil localizou o corpo da gerente de hipermercado desaparecida há uma semana, Fernanda Souza, 33, na zona rural do município de Piracanjuba nesta quarta-feira, 19. De acordo com o delegado de Bela Vista, Antônio André Santos, o namorado da vítima, Alan Pereira dos Reis, de 22 anos, confessou o crime sob a justificativa de que a mulher havia ofendido os seus filhos.

O delegado ressaltou que desde o primeiro contato, quando Alan Pereira acompanhou a família de Fernanda na denúncia, ele se apresentava nervoso, além de contar versões diferentes para a Polícia Civil e para a Polícia Militar, o que levantou suspeitas.

Depois do crime, o homem ainda estava utilizando o veículo da vítima e usando o seu cartão de crédito para fazer compras em supermercados com a ex-esposa, cujo relacionamento acabou em janeiro. Alan chegou a usar o cartão para comprar brinquedos para os filhos e uma peça de roupa na região da 44.

A delegada da 2ª Delegacia Regional de Aparecida de Goiânia, Cybelle Tristão, declarou que o crime foi praticado com “requintes de crueldade”. “A gente percebeu, na investigação desse caso, um machismo latente de um indivíduo frio e sanguinário que matou cruelmente uma mulher simplesmente por causa de uma discussão” afirmou.

A ex-esposa de Alan Pereira foi interrogada pela polícia e relatou que no dia em que saíram juntos para fazer compras em um shopping, ela sentiu o odor de sangue e lama dentro do carro. Quando foi retirar as mercadorias e os filhos, percebeu que havia gotas de sangue no banco traseiro do veículo.

Motivação

Após matar Fernanda Souza com pauladas, o namorado levou o corpo para Piracanjuba. Depois voltou e, para conter a putrefação, incinerou e o enterrou em um buraco que ele mesmo cavou. Apesar de ele negar que tenha tido ajuda, a polícia trabalha com a possibilidade de um comparsa.

Objetos encontrados na cena do crime e com Alan Pereira na hora da prisão. Foto: Thauany Melo | Jornal Opção.

Ao ser questionado na delegacia, o namorado da vítima afirmou que ela não gostava de seus quatro filhos e, durante uma discussão, os chamou de “bastardos”. De acordo com ele, isso provocou um ataque de fúria que culminou no assassinato.

A polícia também cogita o crime de latrocínio, pois a vítima possuía bens em seu nome que o namorado usufruía antes e após o feminicídio. Alan Pereira também tem uma passagem pela polícia, de quando ainda era menor de idade, por porte ilegal de simulacro de arma de fogo.

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