Família contrata advogado e cobra mais rigor na investigação do caso João Planta, desaparecido há um mês
06 janeiro 2026 às 10h59

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O ativista e biólogo João Paulo Vaz da Silva, mais conhecido como João Planta, está desaparecido desde o dia 7 de dezembro. Os amigos só ficaram sabendo do desaparecimento dele oito dias depois e a ocorrência policial foi registrada no dia 16 de dezembro. Quem esclarece esses detalhes é o advogado criminalista Suenilson Saulnier.
O advogado foi contratado pela mãe de João Planta para garantir mais rigor e rapidez na investigação do caso. Nesta terça-feira, 6, completa 30 dias do desaparecimento do ambientalista sem informações oficiais sobre o paradeiro do jovem, visto pela última vez na região da Cidade Alta, em Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros.
Em entrevista ao Jornal Opção, o advogado Suenilson Saulnier explica que o desaparecimento de João aconteceu após ele chegar da rua trazendo alguns mantimentos. “Enquanto ele se encontrava na residência, dois rapazes compareceram ao local e o chamaram na porta, solicitando ajuda para desatolar um veículo. João então saiu com eles para prestar auxílio e, desde então, não retornou à residência, tampouco manteve qualquer tipo de contato”, detalha.

O Jornal Opção pediu nota ao Corpo de Bombeiros do Estado de Goiás, mas não obteve retorno. A Polícia Civil afirmou que a investigação está em andamento, mas completou dizendo que “não serão dadas entrevistas sobre o caso, para não atrapalhar as diligências”.
“A Polícia Civil não repassou maiores detalhes da sua linha investigativa. Aguardamos para as próximas horas, é válido dizer que a procuração da mãe do João só foi assinada e apresentada nesta segunda-feira, 5. E é compreensível o não compartilhamento de informações ainda”.
Ainda de acordo com Suenilson Saulnier, houve demora no início das buscas. “Considerando o histórico pretérito onde o João já havia sofrido uma tentativa de homicídio, seria de se supor que a Polícia Civil deveria ter tido a iniciativa de requisitar o apoio do Corpo de Bombeiros com mais brevidade”, opina.
Tentativa de homicídio
Em 2024, João Paulo Vaz da Silva sofreu uma tentativa de homicídio. Segundo o advogado, ele teria sido atropelado, propositalmente, enquanto pilotava a sua moto, por um automóvel. “Na ocasião, ele estava justamente se dirigindo a delegacia de polícia para registrar uma ocorrência por ameaça do autor do atropelamento. Ele ficou internado e gravemente ferido”.
O fato de 2024 tramita como processo criminal próprio, em curso na Justiça, no qual João figura como vítima, com investigação específica. Já o desaparecimento, registrado em 16 de dezembro, é um evento distinto, também sob apuração, e ainda sem novidades oficiais.

“Não podemos fazer especulações sobre uma conexão do seu desaparecimento com a tentativa de homicídio anterior”. Na percepção do advogado seria precipitado e inadequado.
Por fim, explicou ao Jornal Opção que não sabe dizer se a Polícia Civil está trabalhando com essa possibilidade de conexão. “Nem se ouviu o envolvido na tentativa de homicídio”, completa.
O advogado nessa fase de investigação pode solicitar formalmente que a Polícia Civil realize exames técnicos, perícias e outras diligências que julgar essenciais para o esclarecimento dos fatos.
“Minha linha de atuação é de total respeito às instituições de segurança pública, contudo também sou determinado, aguerrido, e não descansarei enquanto não houver justiça para João Paulo”, finaliza.
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