FaceApp: aplicativo que viralizou na internet extrapola na coleta de dados dos usuários, alerta especialista

“Essa é uma relação de confiança. Portanto, se as pessoas se sentirem inseguras em relação aos seus dados, o melhor é que não utilize”

Foto: Reprodução

O FaceApp – aplicativo de transformação visual – voltou à moda no Brasil. No ano passado, a ferramenta protagonizou uma febre na internet ao conseguir submeter seus usuários a um processo de envelhecimento instantâneo. Agora, o processo é ainda mais curioso e sugere a mudança de sexo do internauta.

Acontece que em 2019 o mesmo aplicativo foi submetido a uma série de investigações que colocaram em cheque sua política de privacidade. Usuários passaram a alertar sobre uma possível coleta dados excessiva por parte da ferramenta.

Isso porque quando o usuário instala, utiliza e aceita seus termos de uso, ele autoriza a plataforma a coletar e utilizar informações específicas registradas no aparelho.

Para o advogado e especialista em direito digital e proteção de dados, Rafael Maciel, os internautas fazem isso o tempo todo na internet, porém, nesse caso, algumas das informações coletadas são totalmente dispensáveis para o pleno funcionamento do aplicativo em questão.

“Acesso às informações relacionadas ao histórico de navegação, por exemplo, é um dos fatores que chama atenção. Esses dados são realmente necessários? Não podemos afirmar que o aplicativo coleta dados de maneira irregular, mas que é algo excessivo, disso não restam dúvidas”, explica o jurista.

Segundo o Maciel, saber dados e detalhes relacionados a determinada pessoa pode gerar sérios riscos. “Não sabemos se é o caso, nem podemos afirmar isso, mas sabemos que existem diversos tipos de imagens que são comercializadas no mercado negro, por exemplo. Hoje, é possível abrir uma conta em um banco usando uma foto do seu rosto”, lembra.

Para o especialista, o acesso a esse histórico de navegação e outras informações pessoais é totalmente desnecessário diante da finalidade do aplicativo. Apesar de não haver nenhum impedimento para o download ou prova contra a empresa, na dúvida, ele orienta que o consumidor evite.

“Essa é uma relação de confiança. Portanto, se as pessoas se sentirem inseguras em relação aos seus dados, o melhor é que não utilize”, pontua.

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