Fábio Sousa defende comissão do extrateto, mas critica postura de Calheiros

Para deputado federal, presidente do Senado é o próximo alvo da Lava Jato e, por isso, sua decisão de tomar essa medida pode ser interpretada como vingança

O deputado federal Fábio Sousa (PSDB) criticou, em entrevista ao Jornal Opção, a forma como o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), instalou a Comissão Especial para avaliar salários extrateto no Brasil. Para ele, embora a discussão seja fundamental para o país, o fato de a discussão ter sido iniciada pelo senador pode colocá-la sob suspeita.

“Passou da hora de ser discutido, o grande problema é que eu não sei se agora seria a hora certa de debatê-lo”, afirmou ele. Para Fabio, Renan é o próximo alvo da Operação Lava Jato e sua atitude pode ser interpretada como “vingança”. “O interlocutor do processo é que está errado. Ele é senador há quantos anos? Por que não falou disso antes?”, questiona o deputado.

“Ele já foi indiciado em vários processos e agora apresenta essa comissão, a lei de abuso de autoridade… Parece que ele está querendo bater de frente com o Judiciário”, afirma ele. “De qualquer forma, é verdade que está passando da hora de criarmos mecanismos para garantir que o teto seja o salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).”

“O Brasil vai ter que discutir isso: Temos milhares de pessoas Brasil à fora que ganham duas, três, quatro vezes o teto. Uma pessoa ganhar quase R$ 100 mil é um absurdo, especialmente com o país em crise, com milhões de desempregados, em um momento de discussão de uma PEC para limitar gastos”, opinou.

Delações premiadas

Fabio também comentou projeto de lei de autoria do deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI) que proíbe alterações posteriores em delações premiadas. Segundo ele, é preciso ser rigoroso ao discutir propostas do tipo: “É uma ideia que tem que ser debatida com muito cautela, ouvindo quem entende disso, a Polícia, o Ministério Público”.

Para o deputado, ao mesmo tempo que faz-se necessário limitar as barganhas no processo de delação, é fundamental que o projeto não atrapalhe investigações. “Você não pode impedir uma investigação em curso de ter novos dados, de ter mais conversas, mas o meu raciocínio é o seguinte: Precisa ter uma fiscalização”, explica ele, “Também não posso falar 20% do que eu sei, depois um pouco mais, dependendo da negociação com o Ministério Público. Aí fica claro que a intenção não é colaborar, mas sim se livrar da punição”.

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