Discussões devem ser lideradas por um novo conselho de ética a ser formado após a próxima eleição do diretório estadual, prevista para o primeiro semestre do ano que vem. Durante reunião, Dona Íris solicitou afastamento da executiva do partido

A aguardada reunião que, acreditava-se, definiria o destino dos dissidentes do PMDB — aqueles que apoiaram a eleição de Marconi Perillo (PSDB) em detrimento da candidatura do decano peemedebista Iris Rezende — acabou sem muita coisa de concreto. O que ficou definido é que as principais discussões para o futuro da legenda ocorrerão em 2015, após a eleição para a formação da nova executiva da sigla.

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A confirmação de que Samuel Belchior não permaneceria à frente do PMDB goiano saiu da boca do próprio presidente. Junto com todo o restante da executiva e dos deputados eleitos neste ano – com exceção de Ernesto Roller, em viagem com a família – Samuel decidiu que questões como a expulsão de “traidores” serão resolvidas após a formação de uma nova diretoria estadual, prevista para ocorrer “no primeiro semestre do ano que vem”. Ainda assim, segundo ele, quem ficará a cargo de fazer os julgamentos será o conselho de ética do partido, que também passará por completa reformulação.

Outro fator que depende da eleição estadual são os pleitos municipais da legenda. À priori, após um ofício assinado pelo presidente nacional, Michel Temer, os mandatos dos atuais presidentes regionais iria até dezembro de 2015 e os de cada município, até agosto do mesmo ano. Assim, o deputado eleito Bruno Peixoto, levando em consideração a necessidade de começar a fortalecer o partido o quanto antes para as eleições de prefeitos e vereadores em 2016, solicitou que fosse discutida a possibilidade de que os novos diretórios municipais fossem escolhidos em abril do ano que vem. O pedido não foi acatado, mas ao menos as eleições internas devem ocorrer logo após a estadual – ou seja, bem antes do que está atualmente previsto. A ideia é lançar candidatos a prefeito em todos os 246 municípios de Goiás.

Quem deve ficar de fora de todas essas discussões é Dona Íris, derrotada na disputa pelo cargo a deputada federal. Durante a reunião de hoje ela solicitou o seu afastamento, mas depois falou em renúncia. Como o pedido não foi protocolado, não se sabe se sua ausência nas definições partidárias será permanente ou temporária.

Aos jornalistas, ela não quis dar detalhes do motivo do pedido. Disse apenas que está “em outro momento da vida”. Questionada sobre qual pode ter sido o motivo que levou a sua derrota nas urnas, ela deu uma risada antes de ir embora e proferiu uma única frase em resposta: “Não me faça responder esse tipo de coisa.”

Mesmo que todos tenham deixado a sala de reuniões com sorrisos no rosto e tenham se mostrado extremamente simpáticos, era perceptível certo nível de tensão no ar. Inclusive, era possível ouvir algumas vozes exaltadas vindo da sala de reuniões. Ainda assim, os peemedebistas garantem que tudo tratou-se de “coisa normal” e houve até comparações com discussões entre pais e filhos.

De qualquer forma, todos garantiram que a reunião não serviu para muita coisa. Foi apenas a primeira de muitas onde começou-se a debater o que deu errado nas eleições deste ano e o que pode ser feito para que a situação não se repita nos próximos pleitos. Enquanto isso, o destino de Júnior Friboi, Frederico Jayme, entre outros, continua incerto.

O debate sobre o que fazer com eles tem deixado o partido, mais uma vez, dividido. Enquanto nomes como José Nelto, Adib Elias e Luis Carlos do Carmo defendem medidas duras contra os infiéis, outros, como Daniel Vilela, Leandro Vilela e Pedro Chaves, assim como Maguito Vilela (que não faz parte da executiva) defendem a conciliação, argumentando que expulsões tenderiam a enfraquecer ainda mais o partido.