Exportações, logística e empregos: vice-presidente da Fecomércio destaca ganhos de Goiás com o acordo comercial Mercosul-União Europeia
10 janeiro 2026 às 14h36

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A aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, celebrada nesta semana após 26 anos de negociações, promete não apenas baratear diversos produtos importados como vinhos, queijos e azeites para os consumidores brasileiros, mas também abrir novas fronteiras para a economia goiana.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, neste sábado, 10, Márcio Andrade, vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), destacou os impactos positivos que o recém-celebrado acordo entre Mercosul e União Europeia poderá trazer para o Brasil e, em especial, para Goiás.
Segundo Andrade, o tratado abre uma “grande oportunidade para o comércio exterior brasileiro” e, por consequência, para o estado, que é reconhecido como um dos maiores produtores de commodities agrícolas do país. “Esse acordo abre nossas fronteiras para uma competitividade maior no mercado europeu, principalmente com os produtos agrícolas”, afirmou.
O dirigente ressaltou que os benefícios não se restringem ao agronegócio. A agroindústria, o comércio e os serviços também serão diretamente impactados. “É toda uma cadeia que se entrelaça. A produção agrícola influencia positivamente o comércio e, principalmente, os serviços, como transporte e logística, que são fundamentais para que a exportação aconteça”, explicou.

Com o aumento das exportações, Andrade acredita que haverá geração de riqueza para o estado, elevação dos salários e maior demanda por trabalhadores qualificados. “Os salários deverão ser maiores e isso impacta positivamente o comércio”, disse.
Goiás, segundo Andrade, está estrategicamente posicionado para aproveitar o acordo. Ele citou a Ferrovia Norte-Sul, a ferrovia em construção ligando o eixo leste-oeste e o modal hidroviário que conecta São Simão ao porto de São Paulo como fatores que ampliam a capacidade logística do estado. “Tudo isso será impactado com os serviços e dará suporte ao crescimento das exportações”, destacou.
Apesar do otimismo, o vice-presidente reconhece que há desafios. Um deles é a necessidade de intensificar políticas de capacitação profissional. “Com certeza tem que aumentar a parte de treinamento e fazer investimento nessa área. As entidades como Sesc e Senac já vêm trabalhando nisso, mas precisamos ampliar”, afirmou.
Ele também defendeu que os programas de assistência social do governo sejam acompanhados de políticas que incentivem a entrada dos beneficiários no mercado de trabalho. “São oportunidades que serão criadas e é preciso que haja essa porta de saída dos benefícios, para que as pessoas conquistem sua independência”, disse.
Outro ponto enfatizado por Andrade é a capacidade de Goiás de ampliar sua produção sem comprometer o meio ambiente. “Temos condições de aumentar nossa produção sem derrubar nenhuma árvore, de forma ecologicamente correta”, garantiu.
Embora o acordo já tenha sido assinado, Andrade lembra que os resultados não serão imediatos. “Está muito na fase inicial. Até que comece a surtir efeitos, demanda um certo tempo. Mas acreditamos que os impactos serão positivos a médio e longo prazo”, avaliou.
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