O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), irá à Câmara Municipal nesta segunda-feira, 26, para prestar contas do segundo quadrimestre de 2026. Embora o período corresponda aos meses de maio a agosto, os dados da apresentação destinada aos vereadores, obtida com exclusividade pelo Jornal Opção, abrangem o acumulado de janeiro a agosto deste ano.

Nesse intervalo, o município registrou uma arrecadação total de R$ 7,27 bilhões, diante de despesas liquidadas de R$ 6,88 bilhões. A diferença de R$ 389 milhões reflete o ritmo da execução orçamentária até o quarto bimestre, mas não representa, necessariamente, disponibilidade financeira líquida em caixa.

Os números apresentados pela administração municipal apontam o cumprimento das principais metas previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), além de um crescimento expressivo dos investimentos em obras públicas.

De acordo com o levantamento, entre janeiro e agosto, o município destinou R$ 663,3 milhões à infraestrutura e a melhorias urbanas, um aumento de 301,62% em comparação aos R$ 165,2 milhões empenhados no mesmo período de 2025.

Além disso, a capacidade de investimento do município passou de R$ 297 milhões, em 2023, para R$ 501 milhões, em 2025, com projeção de ultrapassar R$ 1,03 bilhão até o encerramento de 2026. A ampliação dos investimentos é uma das principais bandeiras defendidas por Mabel.

Folha de pagamento permanece abaixo dos limites da LRF

Ainda de acordo com o relatório, as despesas com pessoal corresponderam a 45,58% da Receita Corrente Líquida (RCL), com gasto líquido de R$ 4,22 bilhões. O percentual mantém a administração municipal abaixo do limite de alerta, de 48,60%, do limite prudencial, de 51,30%, e do teto legal de 54%, estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em relação ao resultado primário, indicador que mede a diferença entre receitas e despesas primárias, sem considerar os juros da dívida, Goiânia acumulou saldo positivo de R$ 137,9 milhões, conforme a metodologia da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O valor supera a meta informada de R$ 132,6 milhões.

Saúde supera mínimo constitucional; Educação ainda precisa atingir índice obrigatório

Nas áreas prioritárias, os investimentos em Saúde somaram R$ 798,7 milhões, o equivalente a 18,57% da receita de impostos e transferências considerada para o cálculo constitucional. O percentual está acima do mínimo de 15% exigido pela Constituição Federal.

Na Educação, os recursos liquidados em Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE) chegaram a R$ 949,4 milhões, correspondentes a 21,88% da base de cálculo.

O percentual ainda está abaixo do mínimo constitucional de 25%, cuja aplicação deve ser verificada ao final do exercício financeiro. Segundo a apresentação, a Prefeitura de Goiânia projeta encerrar 2026 com 25,6% dos recursos aplicados no setor.

Endividamento permanece abaixo do limite legal

A Dívida Consolidada do município está em R$ 2,16 bilhões, enquanto a Dívida Consolidada Líquida (DCL) foi informada em R$ 399,4 milhões, equivalente a 4,27% da Receita Corrente Líquida (RCL). O percentual está abaixo do limite máximo de 120% estabelecido pelo Senado Federal.

As operações de crédito, por sua vez, totalizaram R$ 293,8 milhões, correspondentes a 3,15% da RCL. O índice também permanece abaixo do limite legal de 16%.

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