Exames oftalmológicos crescem 82% em Goiás e superam nível pré-pandemia

De janeiro a setembro deste ano foram realizados 290.107 exames de diagnóstico de retinopatia diabética, frente a 150.917 procedimentos efetivados no mesmo período de 2020 e 194.755 em 2019. Todos via SUS

A produção de exames oftalmológicos em Goiás cresceu 82% entre 2020 e 2021 e ainda superou o nível pré-pandemia. Levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) mostra que de janeiro a setembro deste ano forma realizados 290.107 exames de diagnóstico de retinopatia diabética, frente a 150.917 procedimentos efetivados no mesmo período do ano anterior. Com o desempenho estadual favorável, foi possível superar também o patamar de atendimentos de 2019, ano pré-pandemia, quando os dados apontam a execução de 194.755 testes do tipo.

No país, entre 2020 e 2021, a alta na produtividade desses exames foi de 46%. Ao todo, de janeiro a setembro de 2021, foram realizados 5.569.661 procedimentos deste tipo. O número é maior do que realizado no mesmo período de 2020 (3.810.020), mas ainda abaixo dos 5.854.835 registrados em 2019. Tomando a produção de dois anos como referência, desde então foram produzidos 2.329.989 procedimentos a menos. Apenas o exame de mapeamento de retina, fundamental para identificar a extensão de lesões, responde por 51% deste total.

No recorte regional, a melhora da cobertura ocorreu nas cinco regiões, com destaque para o Regiões Norte (88%), Centro-Oeste (80%) e Nordeste (50%). Em seguida, estão Sudeste e Sul com aumento de 43% e 34%, respectivamente Porém, nas três regiões mais populosas, os indicadores continuam abaixo do que foi registrado antes do início da pandemia. O déficit é de -6%, no Sudeste; – 7%, no Sul; e de -17%, no Nordeste. Em termos absolutos, isso significa que as três regiões produziram em 2021, um total de 464.163 mil exames para retinopatia diabética a menos do que em 2019. Na comparação com 2020, a produção de janeiro a setembro desse ano, foi inferior em 1.452.824 procedimentos.

Detalhamento

O relatório inédito do CBO avaliou os registros dos quatro tipos de exames para o diagnóstico da retinopatia diabética disponíveis no SUS: biomicroscopia de fundo de olho, mapeamento de retina, retinografia colorida binocular e retinografia fluorescente binocular. O detalhamento dos números mostra que todos estes procedimentos registraram aumento no número de produção neste ano em relação a 2020. Os percentuais variaram de 40% a 55%.

Para se ter uma ideia, em 2019, de janeiro a setembro, foram realizados, em média, cerca de 650,5 mil exames desses quatro tipos a cada mês. No ano seguinte, quando foi decretada a pandemia, esse total baixou para 423,3 mil mensais. Em 2021, com o início da retomada da normalidade nas atividades assistenciais, a média subiu para 618,8 mil procedimentos, número ainda inferior ao de dois anos atrás.

“A rotina de prevenção, diagnóstico e tratamento foi gravemente afetada com a pandemia. O afastamento da população provocou um atraso do laudo sobre o estado de sua saúde ocular. Apesar dos índices animadores que registramos hoje, temos que percorrer um longo caminho para atingir o ideal e minimizar os impactos de médio e longo prazos que a covid-19 causou na visão dos brasileiros” avalia o presidente do CBO.

Confiança

Na avaliação do CBO, essa retomada gradual na produtividade do Sistema Único de Saúde (SUS) demonstra o efeito positivo da queda dos indicadores de morbidade e mortalidade por conta da Covid-19 e do aumento da cobertura vacinal contra essa doença. “A população se sente cada vez mais segura. Com isso, o temor de ir a um serviço de saúde por receio de se contaminar com o Coronavírus deixa de ser um problema maior”, ressalta o presidente do Conselho, José Beniz Neto

Além da mudança de comportamento da população, o CBO aponta a mudança nos fluxos assistenciais como outro fator importante para o aumento de produtividade. De acordo com o vice-presidente do Conselho, Cristiano Caixeta Umbelino, as agendas de exames e consultas em hospitais e outros serviços do SUS passaram a ser redimensionadas, com a ampliação do acesso.

Apesar do movimento positivo, o desempenho do SUS ainda não alcançou o patamar pré-pandemia. Na análise dos indicadores do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia identificou que os números de atendimento a pacientes com diagnóstico ou suspeita de retinopatia diabética de 2021 ainda estão 5% abaixo do registrado em 2019.

Os dados, divulgados nesta quinta-feira, 18, foram extraídos do sistema DATASUS, departamento de informática do Ministério da Saúde (MS), e foram analisados com o suporte da consultoria 360º Cl, que apontou o crescimento na produtividade de exames para o diagnóstico de retinopatia diabética no ano de 2021.

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