Ex-seminaristas se unem para denunciar supostos abusos sexuais praticados pelo arcebispo de Belém

Segundo os denunciantes, arcebisto costumava convidar seminaristas para visitá-lo e era nesses encontros que abusos aconteciam. Defesa do religiosos, por sua vez, diz que denunciantes representam um grupo de pessoas com “profundo recalque, um profundo sentimento de vingança por Dom Alberto”

Foto: Reprodução

O arcebispo de Belém (PA), Dom Alberto Taveira Corrêa, foi acusado por quatro ex-seminaristas pelo cometimento de abusos sexuais durante encontros reservados em sua residência com os servos.

A Polícia Civil, a pedido do Ministério Público do Pará (MPPA), já instaurou uma inquérito policial para investigar os fatos a partir das declarações prestadas pelas supostas vítimas do religioso.

O caso ganhou notoriedade nacional após os principais envolvidos na história, os ex-seminaristas, se unirem para detalhar os encontros à reportagem do Fantástico, da Rede Globo.

Segundo eles, o arcebisto costumava convidar seminaristas para visitá-lo. Os jovens se sentiram privilegiados com o convite, haja vista que o religioso representa uma figura importante para igreja Católica. Durante esses encontros é que, segundo eles, o arcebispo os assediava.

A narrativa dos quatro jovens são muito parecidas. Para resguardar a identidade das testemunhas que pediram ao Fantástico total anonimato, serão adotados nomes aleatórios e fictícios para cada um deles.

João, o primeiro a falar com a equipe, relatou que durante os encontros, o primeiro assunto abordado pelo religioso dizia respeito a masturbação.

“Quando ele me tocou, na parte íntima, disse que aquilo ali era normal, coisa de homem. Mas, assim, eu não via maldade, porque confiei muito, por ele ser uma autoridade, também não tinha experiência. Mas aquilo foi se tornando permanente e mais agressivo. Ele já me recebia na porta pegando”, declarou João.

Outro, que será chamado de José, disse que quando começou a insinuar que queria sair do seminário pelas frequentes ocorrências, o religioso teria alterado seu humor radicalmente.

“Ele bateu na mesa, me xingou de ‘viado’, disse que chorar era coisa de ‘viado’, que eu tinha que ser homem, que eu tinha que ser forte. E isso tudo gritando, assim, de maneira que até chegou a me assustar”, relatou. No entanto, no mesmo dia, Dom Alberto teria, segundo ele, o abraçado e apalpado seus órgãos genitais, dando-lhe, em seguida, um beijo próximo a boca. “ELe disse que gostava muito de mim, que queria me ver ordenado padre”, pontuou.

As demais testemunhas também mencionaram supostas conversas do religioso a respeito de uma cura para a homossexualidade. Segundo os ex-seminaristas, Dom Alberto chegou a entregar um livro em que são descritos procedimentos para o que ele chamava de “tratamento”.

“Você lia o livro e dizia assim, que ser homossexual é uma doença, que a gente precisava ser tratado e ajudado”, disse Joaquim.

Os ex-seminaristas se reuniram e resolveram procurar a Justiça em agosto do ano passado. A Polícia Civil confirmou a abertura de um inquérito para investigar o ocorrido, no entanto, os desdobramentos correm em segredo de Justiça.

O religioso chegou a publicar um vídeo para se defender do que chama de “falsas acusações de imoralidade”, sem citar o teor das denúncias.

“Digo a vocês que recebi com tristeza há poucos dias informações da existência de procedimentos investigativos com graves acusações contra mim, sem que eu tenha sido previamente questionado, ouvido, ou tido qualquer oportunidade para esclarecer esses pretensos fatos postos nas acusações”, disse Dom Alberto.

O advogado do religioso, Roberto Lauria, declarou, por sua vez, que irá provar, ao final do inquérito, que, “diferentemente do que se pensa, os denunciantes não são quatro pessoas isoladas. São um grupo de pessoas que tem um profundo recalque, um profundo sentimento de vingança por Dom Alberto”.

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