Ex-secretário de Silvânia se defende e diz que prefeito não queria ser candidato

Ao Jornal Opção, Aladino Darelli Júnior nega acusação de que teria sido o responsável pela não conclusão da filiação do prefeito José Faleiro ao PSDB

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

“Não quero denegrir a imagem de quem quer que seja, estou aqui para colocar a verdade dos fatos.” Assim tem início a entrevista do ex-secretário de Administração e Saúde do município de Silvânia, Aladino Darelli Júnior, ao Jornal Opção. Ele é acusado pelo prefeito José Faleiro de propositalmente não ter concretizado sua filiação ao PSDB, ficando o chefe do Executivo municipal sem partido e impedido de disputar a reeleição.

Para José Faleiro, Aladino teria agido de má fé e por interesses escusos a fim de beneficiar o vice-prefeito Carlos José Mayer dos Santos (PSB), que também é pré-candidato à prefeitura.

À reportagem, no entanto, o ex-secretário garantiu que jamais teria ficado em sua posse o documento de filiação do prefeito. Ele levanta a possibilidade de José Faleiro ter perdido o prazo de filiação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por falta de conhecimento ou “imaturidade”. Sugere, ainda, um suposto desinteresse por parte do prefeito em entrar nos quadros tucanos.

Ele garante também que a pretensão de José Faleiro em disputar a reeleição é recente. Ao menos até março deste ano, garante Aladino, o prefeito não mantinha interesse em ser reeleito e já havia, inclusive, em outras duas ocasiões, se manifestado a favor da candidatura de seu vice.

Agora, Aladino afirma que tomará as providências na Justiça contra o prefeito, questionando as acusações proferidas contra ele e sua esposa, secretária do PSDB no município. Confira abaixo a entrevista na íntegra:

O prefeito veio ao jornal e responsabilizou o senhor por ter perdido o prazo de filiação ao PSDB, tendo o prejudicado na eleição deste ano. Ele fala que o senhor não entregou essa ficha. O que, de fato, aconteceu?
Antes de mais nada, gostaria de esclarecer que minha vinda não foi para denegrir a imagem de quem quer que seja, mas para colocar a verdade dos fatos, porque os fatos transcritos pelo jornal são inverídicos. O prefeito, conforme matéria publicada pelo próprio Jornal Opção, em 14 de agosto de 2015, diz claramente que o prefeito participou de um evento em Goiânia, onde 16 prefeitos filiaram-se ao PSDB. Todo mundo que leu o jornal, como eu li na época, tem plena confiança que o prefeito deixou o evento já filiado ao PSDB. Sobre essa história da ficha, eu realmente vi a ficha, mas não fiquei com ela. O prefeito me mostrou essa ficha, até em tom de brincadeira, me questionando se eu já tinha tido posse de alguma como esta, e me mostrou a assinatura do governador, endossando a ficha. Eu não participei deste evento. Alguma pessoa, próxima ao prefeito, neste evento, deveria ter esclarecido a ele que aquela ficha era uma situação simbólica e que, depois, o prefeito deveria procurar um cartório eleitoral para oficializar sua filiação. Acredito que ninguém, participante do evento, teria o orientado sobre essa situação. Então, ver a ficha eu vi, mas ela não ficou comigo.

Então, neste caso, teria sido falta de conhecimento por parte do prefeito?
Eu acredito que talvez falta de conhecimento, falta de experiência, imaturidade, não sei. Ou, conforme outras pessoas vêm prejulgando, se o prefeito realmente queria se filiar ao PSDB ou não, e isso eu não posso dizer.

Há esse questionamento na cidade?
Há esse questionamento, porque o prefeito deixou o PT para apoiar os candidatos da base do governador Marconi Perillo, mas, se você ver o histórico desses candidatos na eleição de 2014, você vai perceber, por exemplo, que o deputado federal Giuseppe Vecci teve 200 votos na cidade, enquanto o candidato Balestra, que foi apoiado pela oposição ao prefeito, teve 3 mil votos. Então, quem participou das eleições em 2014, junto ao prefeito, pôde ver que cada secretário apoiou quem quisesse apoiar, não havendo uma liderança do prefeito em dizer: ‘Olha nós apoiamos o governador e vamos apoiar os candidatos do governador’. Não houve essa liderança, nem essa determinação do prefeito. Basta olhar os números dos candidatos do PSDB — o Alexandre Baldy, por exemplo, teve pouco mais de 100 votos — e olhar a quantidade de votos que os candidatos do PT tiveram.

Eu não sei por que o prefeito não foi orientado a ir ao cartório e, se foi orientado, por que não foi. Informaram-me sobre a existência de uma pasta azul, que guardaria a ficha, e que foi, de fato, entregue a mim pelo prefeito. Não sabia e não peguei a ficha dentro desta pasta, e a entreguei a uma moça, que havia sido contratada pelo prefeito para cuidar destas situações para ele. Mas eu não tenho responsabilidade nenhuma sobre essa ficha.

O senhor não sabia, então, que a ficha de filiação estava nesta pasta?
Não, não sabia. A filiação é algo de foro íntimo do político. Nunca ouvir falar de uma pessoa pegar um documento seu e te alistar no exército, por exemplo; assim é a filiação. Todos nós achamos, dentro da prefeitura, que o prefeito saiu do evento filiado. E é importante frisar: era 14 de agosto de 2015. Nessa data, eu estava em pleno gozo na função de secretário de administração da prefeitura, ou seja, de um cargo de mais alto grau de confiabilidade do prefeito. Não teria a menor razão para eu fazer qualquer coisa que prejudicasse o prefeito.

Por que o senhor acha que, agora, neste momento, ele o tenta responsabilizar por essa suposta falha. Alega até má fé do senhor, pois, segundo ele, a não filiação ao PSDB teria sido propositalmente pensada para beneficiar o candidato que o senhor apoia, o vice-prefeito Carlos José Mayer dos Santos.
Isso que nos deixa machucado, porque o prefeito, além de levantar a má fé por parte da minha pessoa, levantou também contra minha esposa, Vanessa. Para você ver o grau de confiabilidade minha com o prefeito: nesta época, ele pediu que a Vanessa fosse indicada secretária do partido por confiança. O prefeito, até então, era uma pessoa costumeira dentro da minha casa. E a minha esposa aceitou a função por um único quesito: a confiança. Até então, ele tinha medo de que a outra ala do PSDB dentro da cidade de Silvânia tomasse o partido dele. Então, ele pediu que uma pessoa de confiança assumisse o cargo, no caso, a Vanessa. Agora, ele sabia, como qualquer pessoa dentro da cidade sabe, que a Vanessa nunca teria tempo hábil para cuidar de uma secretaria de partido, pois ela é concursada de uma escola de tempo integral e trabalha das 6h30 às 18 horas. Ela nunca teria tempo hábil para cuidar de uma secretaria de partido político, ainda mais de interesse particular do prefeito. Agora, o prefeito é uma pessoa que, até então, gozava da rotina da minha casa e ele sabia disso tudo.

De qualquer maneira, seria uma função da secretaria do partido dar cargo à filiação do prefeito?
Eu acredito que não. Como eu disse, para entendimento de todos, o prefeito teria saído do evento do PSDB já filiado.

E sobre o apoio do senhor à pré-candidatura do vice Carlos José? O prefeito sugere que o senhor estava na prefeitura, enquanto secretário, só para manter uma boa relação com o vice-prefeito.
Ora, se eu estou na prefeitura só para manter uma boa relação com o vice-prefeito, por que, então, ele me nomeou para o cargo de mais alta confiança na prefeitura? Como você explica isso? Em novembro do ano passado, o prefeito fez uma reunião na residência da minha sogra com todos os secretários da prefeitura e, nessa reunião, ele deixou bem claro e evidente para todos que o candidato oficial para o pleito de 2016 seria o vice-prefeito Carlos Maia e nós saímos de lá com a incumbência de começar a articular o nome dele. Ele disse claramente que não queria mais, que o candidato era o Carlão. Passado uma semana ou duas, ele me chamou na sala dele e disse para mim que as articulações que nós estávamos fazendo em nome do vice-prefeito teriam chegado aos ouvidos do PSDB de Goiânia e que, então, era para gente parar, porque isso poderia prejudicar a relação do município com o Estado. Então, eu disse: ‘Se o senhor está pedindo, então vamos parar, mas janeiro já é pré-campanha, e temos que por o carro na rua. Se o senhor mudar de ideia, nos procure, que vamos colocar o carro na rua de novo’. Quando foi em janeiro, todos os municípios começaram a a articular a pré-campanha, voltei a conversar com ele e pedi: ‘Prefeito, vamos nos reunir de novo, porque já estamos no momento de pré-campanha. Se o senhor for o candidato, vamos todo mundo com o senhor e, se o candidato for o vice-prefeito, nós também vamos com ele. Mas já está na hora de por o carro na rua’. Depois disso, ele marcou outra reunião, no mesmo local, com todos os secretários, e disse novamente para todo mundo que não era candidato e que o candidato seria o vice-prefeito.

Quando foi, então, que o prefeito teria resolvido mudar os próprios planos, demonstrando interesse na reeleição?
Em março, nós tínhamos marcado para segunda quinzena, com presença da senadora Lúcia Vânia e diversas outras autoridades, o lançamento da pré-candidatura do vice-prefeito. Chegamos a enviar convites para 2,5 mil pessoas e estava tudo preparado. Poucos dias antes, ele me chamou e pediu para que eu conversasse com o vice-prefeito para que desmarcasse esse lançamento para que ele pudesse primeiro vir a Goiânia com o vice-prefeito para apresentá-lo ao governador como candidato. Então, suspendemos o evento e ficamos aguardando. Até hoje, não houve essa reunião por parte dele. Quando foi no início de março, já na segunda quinzena, começamos a ver sinais de que ele poderia ter mudado de ideia e resolvido ser candidato. O vice-prefeito, então, convidou o prefeito para uma reunião, onde estavam presentes os presidentes dos partidos e mais algumas lideranças. Lá, o prefeito afirmou que havia resolvido disputar novamente as eleições, porque ele não sabia como iria ficar financeiramente, sem o salário de prefeito. Todo mundo achou aquilo muito estranho e esquisito. Afinal, onde está o idealismo e a defesa do cidadão? Na hora, o vice-prefeito ponderou com veemência: ‘Olha, o senhor nos reuniu em novembro e disse que o candidato seria eu. Você nos reuniu em janeiro e disse novamente que o candidato seria eu. Agora, fomos para rua, estamos com sete partidos fechados, eu já aluguei uma casa para fazer o diretório municipal, já fiz compromissos, e agora não tenho volta’. O prefeito, então, pediu mais tempo para refletir e ponderou dizendo que ia esperar as pesquisas no final de junho, para então se posicionar, só que nunca mais nos procurou.

Durante esta última reunião, em que ele demonstrou de fato interesse pela candidatura, o senhor ainda estava como titular da Secretaria de Administração?
Sim, eu ainda era secretário, mas na semana seguinte pedi exoneração do cargo. Não só por causa desse episódio, mas por que eu vi que as coisas não estavam encaminhando da forma que havia sido acordadas.

Ao Jornal Opção, o prefeito alegou que um dos motivos para o senhor deixar a prefeitura teria sido a instalação de uma CPI na Câmara Municipal, a qual o senhor seria alvo. Isso procede?
De forma alguma. A CPI foi uma solicitação dos vereadores em 2013. Eu entrei na prefeitura, junto com o prefeito, em janeiro, já na condição de secretário de Administração. Depois disso, a secretária de Saúde pediu exoneração e o prefeito, por confiança, pediu que eu ocupasse interinamente também a pasta de Saúde. Após algum tempo no cargo, constatamos que os 15% do repasse municipal para a Saúde eram insuficientes para manter sequer a folha de pagamento de compromisso que a prefeitura tinha assumido. O prefeito, em um ato de querer atender a todas as solicitações que vinham, contratou, isso antes de me colocarem como secretário de Saúde, vários especialistas, mas os repasses para o setor não cobriam essas despesas. Então, cheguei no prefeito e disse: ‘Prefeito, está faltando medicamento e outras coisas, pois não estamos dando conta de manter o número de especialistas’. Então, o prefeito resolveu dispensar os especialistas e eu fui e fiz um ofício pedindo ao hospital municipal a exoneração dos mesmos. A Câmara Municipal, muito acertadamente, achou ruim essa situação e, como já havia uma falta de medicamento desde o primeiro dia de governo, pediram a abertura de uma CPI. Então, o prefeito, segundo ele para acalmar os ânimos na Câmara, pediu para que eu retornasse e ficasse apenas na Secretaria de Administração. Atendendo ao pedido dele, eu sai. Ou seja, se o prefeito achasse que eu havia tido qualquer atitude errada ou desvio de conduta em relação ao meu período na Saúde, eu não teria voltado para a prefeitura no cargo de secretário de Administração e ficado até março deste ano, quando eu resolvi pedir exoneração.

O senhor pretende tomar alguma providência legal contra o prefeito?
Sim, pretendo. Em nome da minha esposa, em nome dos meus filhos e da minha família, vou entrar com uma ação judicial de explicações em relação aos fatos pelos quais estou sendo acusado.

Outra coisa: nas declarações do prefeito à reportagem, ele fala de um processo que eu respondo junto ao Ministério Público com relação ao período que eu trabalhei na Secretaria Estadual de Educação. Esse processo está à disposição de qualquer interessado, onde está comprovada a minha não participação em nada. A única coisa que eu fiz foi ter assinado um documento de forma indevida, mas está comprovada minha inocência.

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