“Ex-quase ministra”, goiana Ludhmila Hajjar se assusta com consultório cheio por sequelas da Covid

Problemas cardiovasculares no Brasil dobraram depois da doença, diz a médica, que tem Gilmar Mendes e Dilma Rousseff como pacientes

Ludhmila Hajjar alerta para sequelas cardíadas entre pacientes de Covid| Foto: Reprodução

Conhecida por ser a médica de várias celebridades, a cardiologista goiana Ludhmila Hajjar concedeu entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em que revelou estar constatando um grande aumento de problemas cardiovasculares em decorrência da Covid-19.

“Os casos cardiovasculares aumentaram 100% no Brasil. Estou vivendo isso no dia a dia. Meu consultório está lotado”, contou. Ludhmila foi responsável por tratar famosos que contraíram a doença, como o apresentador de TV Geraldo Luís e o cantor Edson, da dupla com Hudson.

Ludhmila também aparece, em um vídeo gravado em 2014, cantando para a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) quando a então mandatária estava realizando exames de rotina no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Após a saída do general Eduardo Pazuello, em meio ao caso da segunda onda da Covid, ela chegou a ter reunião com o presidente Jair Bolsonaro (PL) no Palácio do Planalto para assumir o Ministério da Saúde em seu lugar. “A gente não se entendeu. Fiquei surpresa de ter ido lá porque já conhecia a linha. Mas, pelo meu sentimento mesmo de tentar ajudar as pessoas, acreditei que pudesse ser diferente. As conversas mostraram que temos linhas diferentes”, relembrou ao Estadão.

O convite e o desacordo com o governo se deram semanas após entrevista exclusiva de Ludhmila Hajjar ao Jornal Opção, em que ela havia dito que a condução da pandemia no Brasil estava sendo realizada de forma equivocada.

Professora de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), ao ser questionada sobre o que os candidatos à Presidência deveriam propor para a área da saúde, Ludhmila ressaltou que é preciso atenção ao SUS com um plano de financiamento e medidas “à luz da saúde atual”. “Faltam medicamentos, diagnósticos, celeridade. É possível melhorar muito o SUS com parceria público-privada, em um ambiente sem corrupção”, afirma.

Sobre como se tornou “médica dos famosos”, Ludhmila disse ver como “uma coisa natural”. “A propaganda da gente quem faz são os nossos próprios pacientes. Nunca falei de paciente meu em reportagem. Um indica para o outro, aí você começa a entrar nesse mundo que tem os artistas, os políticos, o pessoal do Judiciário.” Ela também já atendeu autoridades como os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

A médica avaliou ainda que cinco dias de isolamento para pacientes que testam positivo para a covid não são suficientes porque, na maioria das vezes, o paciente ainda elimina o vírus por mais tempo. “O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos acabou liberando essas recomendações e depois o Ministério da Saúde referendou porque a [variante] ômicron veio como uma nova onda grande. Para não destruir a força econômica da sociedade, que está tentando se reerguer. E aí ficou sete dias de isolamento. Com cinco dias faz o teste de antígeno. Só sair de casa se der negativo. A gente sabe, porém, que na maioria das vezes o paciente ainda elimina vírus em média por dez dias.”

* Com informações da Folha de S. Paulo.

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