Ex-presidente do Iphan diz que Gilvane Felipe não pode boicotar a festa do MotoGP
19 março 2026 às 18h59

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Uma ação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para impedir a realização de um evento ligado ao MotoGP na Praça Cívica, em Goiânia, levanta questionamentos e pode ter motivação política. A avaliação é do ex-superintendente do órgão em Goiás, Allyson Cabral, que critica a iniciativa e aponta possível interferência do atual gestor, Gilvane Felipe. “Ele não pode boicotar a festa do MotoGP”, afirmou Cabral.
O Iphan ingressou com uma ação sob a justificativa de que a estrutura do evento poderia causar danos aos prédios em estilo Art Déco tombados pelo órgão. No entanto, Cabral contesta a medida e destaca que outros eventos de grande porte já foram realizados no local sem qualquer manifestação contrária do instituto.
“Não estou afirmando, mas o que parece é que há uma motivação política, pois vários outros eventos de grande porte já aconteceram no local sem que o órgão se manifestasse contra”, disse.
Segundo ele, iniciativas como a Marcha para Jesus e a Parada LGBT já ocuparam a Praça Cívica sem restrições. “Por isso, essa ação agora levanta dúvidas”, acrescentou.
Cabral também sugere que a decisão pode estar relacionada à visibilidade do evento e a questões partidárias. “Possivelmente, é mais uma ação política do atual superintendente do Iphan, Gilvane Felipe, que tem ligação com o Partido dos Trabalhadores. Questões partidárias não podem interferir na análise técnica”, declarou.
Do ponto de vista técnico, Cabral afirma que não há risco de danos irreversíveis ao patrimônio histórico. “Não identificamos nenhum dano iminente capaz de justificar a proibição. O que pode ocorrer são danos reversíveis, como em qualquer evento de grande porte, e que podem ser plenamente recuperados”, explicou.
De acordo com Cabral, o governo estadual tem adotado medidas de proteção, como o isolamento dos prédios tombados e reforço na segurança, além de acompanhar de perto a montagem da estrutura.
Ele ainda defende a ocupação do espaço como forma de preservação. “O patrimônio precisa ser utilizado. Quando você traz pessoas para o espaço, promove educação patrimonial e fortalece o sentimento de pertencimento. Deixar esses locais isolados é prejudicial”, afirmou.
O ex-superintendente também destacou os investimentos recentes na recuperação da região. “Nunca houve tantos investimentos em restauro como agora. Foram cerca de R$ 19 milhões aplicados apenas na Praça Cívica, algo inédito”, disse.
Para ele, o papel do Iphan deveria ser de cooperação. “O órgão deveria acompanhar, orientar e dialogar com o Estado e o município. O que precisamos é de cooperação para garantir tanto a preservação quanto o uso do patrimônio”, concluiu. Cabral afirma que o governo procurou o órgão por várias vezes para tratar do assunto, mas sem sucesso.
O evento do MotoGP prevê a instalação de telões para transmissão da corrida, além de shows musicais — com bandas como Barão Vermelho — e feira de artesanato e gastronomia, com expectativa de geração de empregos e ampliação do acesso da população a atividades culturais.
Representantes do setor produtivo também defendem a realização do evento
A presidente da Abrasel Goiás, Jaldete Rodrigues Oliveira Silva, destacou o impacto positivo para empreendedores e para a ocupação do espaço público.
“Vejo com muita alegria a nossa Praça Cívica sendo ocupada por essas manifestações populares. Esse evento Arena Goiás é a oportunidade de o artesão expor seus produtos para o mundo e, também, a oportunidade dos nossos associados oferecerem os seus produtos. Um evento democrático, onde todos podem participar”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância da utilização contínua da praça. “É muito bom ver o cuidado do governo com a praça, com a restauração do conjunto arquitetônico, mas tudo isso é feito com a finalidade de ocupação do espaço. Se ficar abandonada, ela será degradada. O zelo com a Praça Cívica tem que ser permanente, mas o espaço precisa estar à disposição do povo”, completou.
Artesãos que participam da feira Goiás Feito à Mão também se posicionaram a favor da iniciativa. Para Elismar Santos, de Aparecida de Goiânia, o evento representa uma oportunidade única de visibilidade.
“Observando pelo lado oportuno do MotoGP, esse evento é a nossa vitrine para o mundo. Goiás tem o melhor artesanato do Brasil em diversidade, acabamento e design. Jamais conseguiríamos ser vistos se não fosse com um evento desse. Quantas vezes vamos ter essa oportunidade novamente? Esse evento jamais poderá deixar de acontecer”, afirmou.
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