Ex-presidente da Agetul diz que “desconfiava” de irregularidades no Mutirama

Sebastião Peixoto afirmou, ao Jornal Opção, que foi alertado por alguns funcionários e que por isso mudou sistema dos ingressos no parque

Ex-presidente da Agetul, Sebastião Peixoto (PMDB) | Foto: reprodução

Rafaela Bernardes

O ex-presidente da Agência Municipal de Turismo e Lazer (Agetul) e atual presidente do Instituto Municipal de Assistência à Saúde e Social dos Servidores (Imas), Sebastião Peixoto (PMDB), admitiu, em entrevista ao Jornal Opção, que desconfiava de irregularidades no Mutirama no período em que foi o responsável pelo parque.

À frente da Agetul no ano de 2015 e início de 2016, Sebastião Peixoto contou que foi alertado por alguns funcionários de que um mesmo ingresso poderia estar sendo usados mais de uma vez ao dia.

“Quando fui alertado sobre essa possível irregularidade, mudei o sistema de recolhimento dos ingressos. Passamos a rasgar os ingressos assim que eles passavam pela catraca e colocávamos pulseiras nos usuários do parque. Se de fato havia algum tipo de esquema eu não sei, mas aumentamos o faturamento do Mutirama durante minha gestão”, rebateu.

A declaração foi dada ao ser questionado sobre a operação Multigrana, do Ministério Público de Goiás, que desbaratou uma organização criminosa instalada na Agetul especializada no desvio de dinheiro advindo da venda de ingressos nos parques Mutirama e Zoológico.

Segundo Peixoto, ele nunca participou de nenhum esquema de irregularidades no parque e também nunca comprovou nenhum ato ilícito na cobrança de ingressos.

“Que eu saiba, nunca houve irregularidades na minha gestão. Eu nunca participei de nenhum tipo de atitude ilícita. Eu não tocava em dinheiro do Mutirama, eu tinha uma equipe, que eu confiava, e eles depositavam o dinheiro e me mostravam os comprovantes. Se as pessoas que trabalhavam comigo agiram ilegalmente foi pelas minhas costas e me causaria surpresa”, reiterou.

Sobre a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, Sebastião Peixoto ressaltou que se colocou a disposição da operação para prestar esclarecimentos.

“Eu e meu advogado fomos ao Ministério Público para me colocar à disposição da investigação. Nunca fui intimado para prestar depoimento, mas já me ofereci para ajudar no que for preciso. Tenho três nomes e três carreiras políticas a zelar, estou com a consciência tranquila”, frisou.

Sebastião Peixoto é pai do deputado estadual, Bruno Peixoto, e do vereador por Goiânia Welington Peixoto, ambos do PMDB.

CEI das Contas Públicas

O atual presidente do Instituto Municipal de Assistência à Saúde e Social dos Servidores (Imas), Sebastião Peixoto, prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (21/6) na Comissão Especial de Inquérito (CEI) das Contas da Prefeitura.

Sebastião Peixoto sendo interrogado na CEI das Contas Públicas da Câmara Municipal de Goiânia

A CEI investiga as contas públicas dos ex-prefeitos Paulo Garcia (PT) e Iris Rezende (PMDB) entre 2008 a 2016. Durante depoimento, Sebastião Peixoto falou sobre o “rombo” encontrado por ele no Instituto de Assistência à Saúde dos servidores do município.

“A gestão do ex-prefeito, Paulo Garcia (PT), deixou um déficit de R$ 33 milhões no Instituto. Essa dívida é com os prestadores de serviço e com as unidades de saúde que atendem os servidores da prefeitura de Goiânia através do Imas. Já conseguimos pagar R$22 milhões deste montante e, nosso objetivo é conseguir quitar este déficit até o final do ano”, afirmou.

Apesar das duras críticas feitas por Sebastião Peixoto na comissão, é importante destacar que ele foi um dos peemedebistas que ficaram até o último dia da gestão de Paulo Garcia. Durante mais de um ano, foi secretário de Turismo e Lazer do petista.

Sebastião Peixoto garantiu ainda que os pagamentos dos fornecedores na gestão Iris estão sendo feitos “em dia” e que haverá uma negociação com o Hospital Araújo Jorge nesta quinta (22).

“Devemos pouco mais de R$1 milhão ao Hospital Araújo Jorge. Amanhã teremos uma audiência com os representantes da unidade, no Ministério Público, para negociar essa dívida. Vou pedir para parcelar o montante em oito pagamentos para que a prefeitura quite os débitos e a unidade volte a atender os servidores da Prefeitura de Goiânia”, finalizou.

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