Ex-atleta paralímpica cai com tocha e é aplaudida de pé pelo público do Maracanã

Márcia Malsar é medalha de ouro no atletismo e representou o Brasil nos jogos de 1984 e 1988. Cerimônia marcou o início dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro

Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, na noite da última quarta-feira (7/9), foi o revezamento da tocha dentro do estádio do Maracanã. Debaixo de chuva, a ex-atleta Márcia Malsar, que participava do carregamento da tocha, se desequilibrou e caiu com a chama olímpica.

Malsar, que caminhava com o auxílio de uma bengala, rapidamente se levantou e seguiu o trajeto, sendo ovacionada de pé pelo público que acompanhava a cerimônia no estádio. A atleta, que tem paralisia cerebral, levantou e concluiu seu trajeto de forma emocionante (assista vídeo).

Márcia representou o Brasil nos Jogos Paralímpicos de 1984 e 1988. Ela foi a primeira atleta paralímpica do país a conquista uma medalha de ouro no atletismo, na prova dos 200m rasos. No Maracanã, ela recebeu a tocha de Antônio Delfino, também campeão paralímpico no atletismo. Ela passou a tocha para a terceira condutora de dentro do estádio, a ex-atleta paralímpica Ádria Santos. Em seguida, a chama foi levada por Clodoaldo Silva, que acendeu a pira.

O nadador brasileiro, escolhido para fechar o revezamento tem treze medalhas em quatro edições dos jogos. A edição do Rio de Janeiro será sua última Paralimpíada.

Declarações oficiais e protestos

O presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Phillip Craven, exaltou os atletas paralímpicos em discurso durante a cerimônia de abertura. “Eles vão te surpreender. Mais que tudo, irão mudar vocês. Vocês verão obstáculos como oportunidades e no Rio terão a oportunidade de fazer um mundo mais justo. Seus valores deixam claro o que vocês apoiam e quem vocês são. Com seu desempenho, contem sua história, como a esperança sempre vence o medo. Somos parte de um só mundo”, disse Craven, que arriscou algumas frases em português.

Já o presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, também em discurso, exaltou os brasileiros e defendeu a construção de um mundo novo, onde não haja diferenças entre as pessoas. “Celebramos um novo desafio, construir um mundo novo. Mais justo e fraterno, onde todos possam caminhar, lado a lado sem obstáculos. É uma lição difícil, que nos faz mais fortes. Quando todos duvidam, nós brasileiros crescemos. Somos o país das realizações impossíveis. […] Estamos juntos pela igualdade entre as pessoas. Gente que mesmo parecendo diferente tem o mesmo coração”, disse Nuzmann.

No entanto, ele teve de interromper o discurso quando agradeceu o apoio dos governos federal, estadual e municipal. Neste momento, o público vaiou a citação aos governos e Nuzman ficou em silêncio por instantes enquanto a arquibancada se manifestava. Foram ouvidas vaias, aplausos, gritos e assobios. Depois, Nuzman retomou a fala dizendo que terminava o discurso de coração aberto para os atletas e foi muito aplaudido.

Após o discurso do presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Phillip Craven, o presidente Michel Temer recebeu vaias ao declarar a abertura oficial dos jogos.

Em pé na tribuna de honra, Temer apareceu no telão e fez a breve declaração, que durou menos de cinco segundos. Com a intensidade do barulho do público, foi difícil ouvir a voz do presidente nos alto-falantes.

Festa

A música brasileira foi um dos destaques da cerimônia de abertura da Paralimpíada do Rio de Janeiro. Assim como na Olimpíada, a diversidade foi exaltada e interpretações clássicas de grandes sucessos e releituras fizeram parte da programação.

Um Bilhete para Didi, dos Novos Baianos, embalou os primeiros momentos da festa. A faixa instrumental faz parte do álbum Acabou Chorare, de 1972, considerado pela revista especializada Rolling Stone o mais importante da música brasileira. O grupo também foi representado com Brasil Pandeiro, de Assis Valente e que também foi gravada pelos Novos Baianos, e que tocou no momento em que a bandeira brasileira entrou no estádio.

Uma roda de samba reuniu jovens e mestres do ritmo carioca no Maracanã. Monarco, Hamilton de Holanda, Maria Rita, Diogo Nogueira, Xande de Pilares, Pastoras da Portela, Pedrinho e Pretinho da Serrinha. Grandes sambas entraram em cena, como A Voz do Morro, de Zé Keti. Muito repetido no Maracanã por torcidas de futebol, O Campeão, de Neguinho da Beija Flor foi outra aposta para levantar o público.

Tom Jobim, que deu nome ao mascote paralímpico, o Tom, foi representado com um de seus clássicos, Wave, no segmento da festa que se dedicou às praias cariocas. Aquele Abraço, de Gilberto Gil, engradeceu o momento em que o nadador Daniel Dias pareceu atravessar “uma piscina” projetada no chão do estádio.

Vendedores de mate e biscoito de polvilho, tradicionais no Rio de Janeiro, puxaram uma coreografia de passinho quando o ritmo foi o funk e o público aplaudiu os bailarinos. (Com Agência Brasil)

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