Ex-assessor de juiz vazava informações de interesse do Comando Vermelho

Presos da Operação Antídoto “viviam em condomínios de luxo, tinham casas bem montadas de tamanhos incompatíveis com o que recebiam”, diz delegada

Ex-assessor de juiz vazava informações de interesse do Comando Vermelho
Da esquerda para a direita: secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás, Rodney Miranda; delegada adjunta da Draco, Carla De Bem; delegado titular da Draco, Alexandre Bruno Barros / Foto: Felipe Cardoso / Jornal Opção

A Polícia Civil de Goiás realizou uma coletiva na manhã desta sexta-feira, 5, para dar detalhes da Operação Antídoto. Deflagrada pela PC, por meio da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Draco), a investigação prendeu o advogado Emerson Thadeu Vitta e do ex-assessor de juiz Carlos Eduardo Moraes, ambos associados à facção criminosa Comando Vermelho.

O secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, disse que a facção é muito bem organizada “não só em Goiás, mas no Brasil e parte da América do Sul”. Miranda ressaltou que o advogado detido começou sua relação com a organização por advogar para membros do Comando. “Aí acabou se envolvendo com a cúpula e trabalhando, inclusive, em atos de corrupção dentro do segundo escalão do Poder Judiciário”, disse.

“Houve uma correlação com um ex-assessor da Justiça que acabava facilitando o trabalho dele e vazando informações de interesse do Comando Vermelho”, detalhou. Trata-se de Carlos Eduardo Moraes, que, segundo o delegado titular da Draco, Alexandre Bruno Barros, possuía informações judiciais que eram repassadas aos membros do Comando.

Veículo de luxo blindado foi apreendido pela Polícia Civil em porte de um dos envolvidos / Foto: Felipe Cardoso / Jornal Opção

“Juntos, eles montaram todo um estratagema relacionado à questão do tráfico de influências e corrupções. Eles acabavam por beneficiar com decisões os integrantes do Comando Vermelho. Graças ao acesso a informações sigilosas, ele repassava para o advogado, que repassava aos presos ou àqueles que estivessem prestes a serem presos”, explicou o delegado.

Os levantamentos realizados pela Polícia Civil mostram que ambos recebiam muito dinheiro pelo trabalho. A delegada adjunta, Carla De Bem, confirma que “tanto o advogado quanto o assessor viviam em condomínios de luxo, tinham casas bem montadas e de tamanhos incompatíveis com o que recebiam”. Ela conta que a operação apreendeu documentos, computadores, celulares e outros objetos que serão submetidos à análise técnica.

A Operação

Deflagrada na manhã de quarta-feira, 3, a Operação Antídoto cumpriu 12 medidas cautelares, entre mandados de prisão e busca e apreensão.

A ação revelou que os presos participavam de esquemas ligados à venda de sentenças, sumiço de autos processuais, falsificação de assinaturas de servidores do Tribunal de Justiça e diversos outros tipos de facilitação a réus ligados à organização criminosa.

Carlos Eduardo foi exonerado do cargo que ocupava no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) no início desta semana. Segundo o delegado Alexandre Bruno, o suspeito negociava decisões em troca de dinheiro. “As investigações nos permitiram ter certeza de que ele fabricava representações com informações falsas e depois negociava tudo por valores bem altos”, destacou.

O advogado Emerson Thadeu possuía ligações diretas com os líderes da facção. Ele teria, de acordo com as investigações, envolvimento com lavagem de dinheiro e teria ajudado a planejar a fuga de Stephan Souza Vieira, mais conhecido como PH, do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O foragido é apontado como chefe do grupo criminoso em Goiás.

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