Ética nas mídias sociais pode se tornar disciplina para estudantes do Ensino Fundamental 

Projeto de Lei apresentado pelo deputado estadual  Vinícius Cirqueira tem o objetivo de contribuir para formação de cidadãos e leitores críticos, capazes de identificar uma informação como “fake news” e atuar contra sua divulgação

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Com o objetivo de formar leitores mais críticos e responsáveis no contexto digital, o deputado Vinícius Cirqueira (Pros) apresentou um projeto de lei que sugere a inclusão da disciplina “Ética nas Mídias Sociais” à alunos da segunda fase do ensino fundamental. A propositura será distribuída para relatoria em fevereiro, quando termina o recesso parlamentar dos deputados.

A proposta estabelece alterações nas diretrizes e bases do Sistema Educativo do Estado de Goiás e esclarece que a ideia é inserir a temática como uma transversalidade, conforme orientam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). “O projeto de lei que ora apresentamos tem a finalidade, de um lado, capacitar, por meio da inclusão de disciplinas na grade escolar, os estudantes desde o ensino fundamental a identificar nas redes e mídias digitais e nos meios de comunicação em geral, o uso e a veiculação de conteúdos e notícias falsas e, de outro, prepará-los para o exercício das liberdades fundamentais de forma democrática e ética”, esclarece.

A relação dos jovens com as notícias que circulam na internet é preocupante, diz o deputado, considerando que muitas delas são repassadas de forma errônea em velocidade extrema. “Por esse motivo, vemos a transversalidade como a maneira ideal de lidar com as ‘fake news’, indo muito além de restringi-la como uma disciplina específica, mas é importante entender sua capacidade de contaminar tudo, esfumaçando a realidade”, contextualiza o projeto.

De acordo com informações da Agência Assembleia de Notícias, o parlamentar lembra, ainda, que “vivemos a era da sociedade da informação, em que a qualidade da informação que recebemos tem um papel decisivo na determinação de nossas escolhas e ações, incluindo nossa capacidade de usufruir das liberdades fundamentais e da capacidade de autonomia e desenvolvimento”, diz o texto protocolado pelo parlamentar.

A matéria também ponta dados de pesquisas que demonstram a dificuldade dos estudantes em distinguir reportagens e conteúdos publicitários, além da velocidade de propagação de notícias falsas na rede. Uma das fontes citadas no projeto é a organização não governamental The News Literacy Project, que revelou que “uma notícia verdadeira demora seis vezes mais tempo para atingir 1.500 pessoas do que uma falsa”.

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