Estudo revela por que o estresse pode afetar mais as mulheres do que os homens
03 agosto 2026 às 15h28

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Conviver com o estresse virou quase a regra para milhões de pessoas. O problema é que, quando ele vira rotina, deixa de ser só um desgaste diário e passa a ser uma ameaça real à saúde. Não por acaso: o estresse crônico afeta a memória, envelhece as células de defesa do corpo, pesa sobre o coração e abre portas para a ansiedade e a depressão.
A depressão, aliás, já atinge mais de 320 milhões de pessoas pelo mundo e caminha para ser a principal causa de incapacidade no planeta até 2030. Ela vai muito além da tristeza: altera o sono, o apetite, a concentração e tira a graça de coisas que antes traziam prazer. Para piorar, cerca de um terço dos pacientes não encontra alívio nos tratamentos tradicionais.
Mas será que o impacto de todo esse desgaste afeta homens e mulheres da mesma forma? Foi atrás dessa resposta que cientistas do Laboratório de Farmacologia Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ realizaram um estudo publicado na European Journal of Neuroscience.
Para entender esses efeitos no organismo, a equipe acompanhou camundongos expostos a situações diárias de estresse ao longo de quatro, seis e oito semanas. Depois de cada etapa, os pesquisadores avaliaram o comportamento dos animais e os níveis de corticosterona — o hormônio que equivale ao nosso cortisol.
O resultado mostrou diferenças marcantes entre os sexos:
- Sinal de alerta rápido: Tanto machos quanto fêmeas deram sinais de ansiedade já nas primeiras semanas.
- Impacto maior nas fêmeas: Elas desenvolveram quadros mais severos de ansiedade e depressão, acompanhados por um pico no hormônio do estresse que não apareceu nos machos.
- Tempo de exposição: Comportamentos típicos da depressão só se consolidaram após dois meses de estresse contínuo.
A descoberta reforça o que a prática clínica já indica em humanos: as mulheres tendem a ser mais vulneráveis aos danos do estresse prolongado.
Um ponto alto da pesquisa foi o uso de uma linhagem de camundongos com maior diversidade genética do que a média dos testes de laboratório. Na prática, isso aproxima a experiência da realidade humana e dá mais peso aos achados.
Segundo as autoras, mapear essas diferenças é um passo fundamental para entender os mecanismos de resistência do cérebro e, no futuro, criar tratamentos bem mais certeiros para os transtornos psiquiátricos.
(O estudo seguiu rigorosamente as normas do Concea e foi aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais da UFRJ).
Veja o estudo na íntegra abaixo.


