Segundo pesquisadores, quanto maior o grau de heterogeneidade da população, mais baixo se torna o limiar da imunidade do grupo

Foto: Reprodução

Um estudo publicado recentemente na plataforma medRxiv, estima que a imunidade coletiva para o novo coronavírus pode ser alcançada se 10% ou 20% de uma determinada população for infectada com a doença.

Também conhecida como “imunidade de rebanho”, a ideia parte de um modelo matemático que leva em consideração dois fatores primordiais para contração da Covid-19: o primeiro deles está ligado a ordem biológica como a genética, nutrição e imunidade. Já o segundo, está relacionado a questões comportamentais como o nível de contato com outras pessoas em seu cotidiano.

Segundo a biomatemática portuguesa, Gabriela Gomes, o que foi percebido ao longo das pesquisas é que, quanto maior o grau de heterogeneidade da população, mais baixo se torna o limiar da imunidade do grupo.

Conforme mostrado pela Agência Fapesp, a pesquisadora explicou ainda que em locais onde o limiar de imunidade coletiva já foi alcançado, a tendência é que o número de casos continue caindo mesmo em casos de economia reaberta.

“Mas caso as medidas de distanciamento sejam relaxadas antes da imunidade coletiva ser alcançada, os casos provavelmente voltarão a subir e os gestores devem estar atentos. Conceitualmente, após atingir a imunidade coletiva, a transmissão tende a se prolongar caso as medidas de controle sejam retiradas rapidamente”, explicou.

O modelo matemático utilizado para realização do estudo foi desenvolvido em colaboração com cientistas do Brasil, Portugal e Reino Unido. Ele é utilizado, por exemplo, em estudos relacionados a transmissão da malária na Amazônia brasileira. (Com informações da Agência Fapesp)